O Papa encerrou nesta sexta-feira na ilha de Tenerife a sua viagem de sete dias à Espanha, na qual deixou várias mensagens em defesa da dignidade humana e do diálogo.
A primeira passagem de um pontífice pelas Canárias ficou marcada pela atenção ao drama dos que arriscam a vida, na travessia do Atlântico, para chegar à Europa, com palavras e gestos de proximidade e de alerta, particularmente contra o tráfico humano.
“Não podemos habituar-nos a contar mortos. A dignidade humana não tem passaporte nem perde valor ao atravessar uma fronteira”, disse esta quinta-feira, no porto de Arguineguín, paragem inicial da visita de Leão XIV, que ali deixou uma coroa de flores no mar.
A mensagem foi reforçada hoje Tenerife, com a condenação dos que lucram através da exploração dos mais frágeis, apelando a um esforço conjunto contra o tráfico humano.
“Quero dirigir uma palavra clara a quem se aproveita do desespero; a quem organiza rotas da morte, trafica pessoas, retém documentos, explora trabalhadores, ameaça mulheres, engana famílias e transforma o sofrimento alheio num negócio. Parai. Convertei-vos”, exigiu Leão XIV.
Os vários encontros contaram com relatos de migrantes, sobreviventes de tráfico humano e equipas de resgate sobre os cenários de morte e exploração nas rotas migratórias do Atlântico.
Esta manhã, Leão XIV defendeu a urgência de humanizar as rotas migratórias, durante um encontro no Centro de Acolhimento de ‘Las Raíces’, de Tenerife, onde abraçou crianças e visitou tendas para cumprimentar os migrantes e refugiados ali acolhidos.
A mais longa viagem de um pontífice a um país da Europa, no século XXI, começou a 6 de março, em Madrid, onde o Papa lançou um apelo à superação das “polarizações” políticas e ideológicas através da promoção de uma cultura do diálogo, perante autoridades políticas, representantes da sociedade civil e membros do corpo diplomático.
Dois dias depois, Leão XIV tornou-se no primeiro Papa a discursar no Parlamento espanhol, repetindo o alerta contra a polarização política e denunciando a corrida global ao armamento.
A maior intervenção da viagem exigiu a defesa incondicional da vida humana, apresentando-a como uma meta civilizacional e um “valor fundamental”, abordando ainda os desafios da inteligência artificial.
O tema das migrações também esteve presente no discurso a senadores e deputados, antecedendo a oração na Catedral de Almudena, na qual o Papa apelou à superação de barreiras sociais e divisões.
A preocupação social marcou a visita ao centro da Cáritas ‘Cedia 24 Horas’, primeira das várias intervenções de Leão XIV em defesa dos mais pobres e contra a indiferença, como aconteceu em Barcelona ou na Missa final da viagem, no porto de Santa Cruz de Tenerife.
O Papa repetiu alertas contra a “lógica do interesse e do lucro”, elogiando o voluntariado e o compromisso dos jovens.
Junto dos mais novos, no Estádio Olímpico de Barcelona, Leão XIV ouviu relatos de depressão e violência doméstica durante uma vigília com jovens, em Barcelona, defendendo à transformação de modelos económicos e sociais que exploram as pessoas.
Já em Madrid, o Papa tinha desafiado os jovens católicos a ser protagonistas da mudança, para construir uma sociedade mais humana, num encontro com mais de meio milhão de participantes.
O maior banho de multidão aconteceria na Missa e procissão do Corpo de Deus, na capital espanhola, com mais de um milhão de pessoas.
Adaptado de Agência Ecclesia
Fotografia: Lusa/EPA