O Papa iniciou nesta quarta-feira a sua visita aos Camarões com um apelo ao fim da violência nas regiões em conflito, no país africano, e um alerta contra a corrupção que “desfigura a autoridade”.
“As tensões e a violência que afetaram algumas regiões do noroeste, do sudoeste e do extremo norte causaram grandes sofrimentos: vidas perdidas, famílias deslocadas, crianças privadas da escola, jovens que não vislumbram um futuro. Por trás das estatísticas, há rostos, histórias e esperanças feridas”, lamentou Leão XIV.
O primeiro discurso do pontífice no país, perante autoridades políticas, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, decorreu no Palácio Presidencial, em Iaundé, após um encontro privado com o chefe de Estado, Paul Biya.
O Papa rejeitou recurso à violência para superar os conflitos e defendeu uma paz “desarmada”, baseada no amor e na justiça, advertindo as elites governantes para as suas responsabilidades éticas.
“Para que a paz e a justiça se afirmem, é necessário quebrar as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade, esvaziando-a de legitimidade. É necessário libertar o coração daquela sede de lucro que é idolatria”, indicou o Papa.
Na intervenção inaugural desta visita, Leão XIV apelou à transparência na gestão dos recursos públicos e instou os governantes a um “exame de consciência” para restabelecer a confiança popular nas instituições.
“A segurança é uma prioridade, mas deve ser sempre exercida no respeito pelos direitos humanos, aliando rigor e magnanimidade, com especial atenção aos mais vulneráveis”, observou Leão XIV.
A intervenção destacou a variedade territórios, culturas, línguas e tradições, nos Camarões.
Esta quinta-feira, o pontífice visita Bamenda, no noroeste, uma região anglófona devastada desde 2013 pelos conflitos no país, que provocaram milhares de mortos e quase 500 mil deslocados internos.
As facões separatistas que atuam nas regiões anglófonas anunciaram, esta terça-feira, um cessar-fogo temporário por ocasião da visita do Papa.
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar os Camarões, onde São João Paulo II esteve em 1985 e Bento XVI em 2009.
adaptado de Agência Ecclesia
Fotografia: Lusa/EPA