Leão XIV concluiu nesta quarta-feira 15 de abril, a primeira visita de um Papa à Argélia, após dois dias de intervenções marcadas pela denúncia da violência e apelos ao diálogo inter-religioso.
Antes de deixar a capital argelina, no Papa ealizou uma breve visita à Creche ‘Notre Dame d’Afrique’, gerida pelas Missionárias da Caridade.
Na cerimónia oficial de despedida, o Papa foi recebido pelo presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, com quem manteve um breve encontro privado que antecedeu as habituais honras militares e protocolares.
O voo papal descolou às 10h16 (hora local, mesma em Lisboa).
Na última celebração pública, esta terça-feira, o pontífice alertou para a “espiral negativa” de violência no mundo, reiterando a urgência de as nações alcançarem a paz.
As mensagens de Leão XIV em favor da pazforam particularmente escrutinadas pela opinião pública internacional após as críticas dirigidas contra o Papa pelo presidente dos EUA, Donald Trump, às quais o pontífice reagiuno voo entre Roma e Argel.
Desde segunda-feira, a agenda papal procurou reforçar as pontes entre o Cristianismo e o Islão, num esforço simbolizado pela visita à Grande Mesquita de Argel.
O drama das rotas migratórias assumiu particular destaque no discurso perante os responsáveis políticos, no qual o Papa exigiu o fim da especulação com a vida humana e a proteção dos mais vulneráveis.
“Libertemos do mal estas imensas bacias de história e futuro! Multipliquemos os oásis de paz, denunciemos e eliminemos as causas do desespero, combatamos quem lucra com a desgraça alheia”, declarou.
A deslocação teve um profundo significado pessoal para o Papa, que visitou a antiga Hipona (Annaba) para evocar o legado espiritual de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja que viveu entre os séculos IV e V, no antigo Império Romano.
Leão XIV foi responsável mundial pela Ordem de Santo Agostinho e, enquanto religioso, já tinha visitado a Argélia.
O roteiro valorizou o contacto direto com o trabalho social desenvolvido pela minoria católica (0,002% da população).
A viagem apostólica a África, a mais longa do atual pontificado, prossegue nos Camarões, contemplando ainda passagens por Angola e pela Guiné Equatorial até ao próximo dia 23 de abril.
A segunda etapa da viagem apostólica ao continente africano tem uma agenda que privilegia o contacto com as vítimas do conflito armado e as periferias sociais.
adaptado de Agência Ecclesia
Foto: Lusa/EPA