Neste tempo quaresmal que vivemos, a Vigararia de Torres Novas numa ação integrada de todas as suas Paróquias, promoveu no passado dia 1 de março, uma interessantíssima conferência, subordinada ao tema “Nem toda a Cruz vem de Deus”, um tema desenvolvido à luz da Saúde Mental, muito atual e preocupante nos dias de hoje.
Foi perante um auditório com mais de 200 pessoas, nas Irmãs de São José de Cluny em Torres Novas, que o Eng. Fernando d’ Oliveira, Assistente Espiritual e Religioso na Casa de Saúde do Telhal, cativou todos os que ali se deslocaram, com uma conferência enriquecedora, cativante e motivadora.
O orador começou a conferência com uma dinâmica, em que apresentou ao auditório, o seu amigo de sempre “Libório”, uma folha em branco com um desenho no topo… perguntando a alguns dos presentes o que viam no “Libório”, todos se focaram no borrão, esquecendo-se de todo o resto da folha branca.
Este foi o mote para a conferência, pois a partir daqui foram desenvolvidas algumas ideias chave que levavam ao tema central.
Transportando esta dinâmica para a nossa vida, facilmente percebemos que todos na vida temos os nossos borrões, e que facilmente os outros se focam nos nossos borrões, ou se quisermos nos nossos erros, reduzindo as pessoas ao lado mau esquecendo-se que para além dos borrões da vida, todos temos uma vastidão de potencialidades e de capacidades, para explorar e para alcançar os nossos desejos, desde o mais básico que é sermos Felizes!
O orador, ajudou ainda os presentes a entender que nas dificuldades, nas cruzes da nossa vida, facilmente apontamos para Deus a origem de todas essas cruzes e dificuldades, mas fez perceber que nem todas as cruzes vem de Deus, e apesar de nas dificuldades não o conseguirmos entender, muitas cruzes veem da nossa condição humana, são nos impostas pelos homens e pelo mundo.
As cruzes da nossa vida não são um castigo, são muitas muitas vezes uma forma para que se manifestem em nós as obras de Deus.
A cruz de cada um, muitas vezes é a doença, a doença mental aquela que não se vê, aquela que fragiliza, mas também aí deve ser uma oportunidade para não reduzirmos o outros à sua doença, mas uma oportunidade para resgatar o irmão, para à imagem de Simão de Sirene ajudá-lo a levar a sua cruz.
Apesar da doença, apesar das fragilidades, o peso da dignidade humana não pode desaparecer, as experiências trazem marcas que não desaparecem, temos que lidar com a doença numa atitude de conversão, de olhar para o outro, de cuidar e dessa forma ajudar a superar de uma doença que ninguém pede mas que fragiliza. Mesmo para quem não quer ser ajudado, deve ser olhado, deve ser cuidado, pois nunca se desiste de um doente!
Para finalizar o Eng. Fernando d’ Oliveira, sublinhou que a depressão provoca falta de sentido e propósito de vida mas não é nunca falta de Deus, sendo certo, até por vários testemunho e vivências, que a doença muitas vezes não é ocasião de revolta com Deus, mas é nessa situação de fragilidade que nos aproximamos e descobrimos melhor Deus!
Foi uma tarde enriquecedora, com um testemunho belíssimo que ajudou os presentes a olhar e a lidar com a problemática da doença de uma outra forma, mas sobretudo ajudou a perceber, que apesar das nossas cruzes, dos nossos borrões, somos seres cheios de capacidades e que precisamos de olhar uns pelos outros, para que à imagem de Simão de Sirene, ajudemos os irmãos a levar as suas cruzes sendo certo que Deus nunca desiste de nós!
Que neste caminho quaresmal, neste tempo favorável, olhemos para os irmãos em maiores dificuldades, como os nossos próximos, a que temos que ajudar a carregar as cruzes e a superar as suas fragilidades, pois todos temos capacidades e Deus precisa de nós!
David Garcia
02.MAR.2026