Catequese

Artigo do Diácono Paulo Campino, Diretor do Secretariado para o Jornal Diocesano "Porta do Sol" na apresentação pedida do SDCIA

O povo tem por hábito dizer: Ano Novo Vida Nova. Certamente inspirado por esta afirmação popular, o nosso jornal diocesano, Portal do Sol, decidiu iniciar esta partilha da vida e dos objetivos pastorais dos vários secretariados diocesanos. Com alegria, respondemos afirmativamente a este convite, sabendo que ser o primeiro comporta sempre alguns riscos. Não nos iremos prender na descrição das actividade e objectivos, mas, procuraremos apresentar alguns dos maiores desafios que a catequese em Portugal tem nas mãos.

Como afirma o nº 265 do Diretório Geral da Catequese, “a organização da pastoral catequética tem como ponto de referência o Bispo e a diocese. O Secretariado diocesano de catequese é « ...o órgão através do qual o Bispo, pastor da Comunidade e mestre da doutrina, dirige e preside toda a atividade catequética realizada na diocese »”. É assim, em profunda união com o bispo diocesano e com o plano pastoral definido em cada ano, que desenvolvemos a nossa atividade. O bispo, enquanto pastor da Igreja Diocesana, é o principal catequista da diocese e dele, do seu projeto pastoral e do trabalho colaborativo da Cúria, emergem as orientações para a catequese.

Tendo o bispo como referência, o serviço diocesano da catequese, de acordo com o número 266 do Directório Geral da Catequese, tem como principais tarefas:

a) Fazer uma análise da situação diocesana acerca da educação na fé;

b) Elaborar um programa com orientações e mostre ações concretas;

c) Promover e formar os catequistas;

d) Elaborar, ou pelo menos indicar às paróquias e aos catequistas, os instrumentos necessários para o trabalho catequético;

e) Incentivar e promover as instituições propriamente catequéticas da diocese (catecumenato batismal, catequese paroquial, grupo de responsáveis pela catequese), que são como que as « células básicas » da atividade catequética;

f) Dar especial atenção sobretudo ao aperfeiçoamento dos recursos pessoais e materiais, tanto a nível diocesano quanto a nível paroquial, ou de vicarial;

g) Colaborar com o Departamento da Liturgia, considerada a importância essencial desta para a catequese, em particular para a catequese catecumenal de iniciação.

Fazemos referência as estes números do Directório Geral da Catequese por considerarmos ser importante não só o primado do bispo na acção catequética diocesana, como também a indispensável colaboração vertical (com os demais serviços da Cúria Diocesana) e horizontal, isto é, o trabalho com as várias comunidades paroquiais. Daqui se depreende o trabalho colaborativo, a importância da comunhão eclesial, presidida pelo bispo e com as orientações que surgem do Plano Pastoral Anual. Um secretariado diocesano não existe para si próprio, mas para o serviço na diocese no anúncio do evangelho de Cristo. É neste sentido que todos os anos o secretariado diocesano da catequese da nossa diocese apresenta atividades que considera fundamentais para a vida catequética de cada comunidade, entre as quais destacamos:

  1. Formação de Catequistas, procurando apresentar propostas concretas de Formação Inicial, como o Curso de Sensibilização à Missão de Catequista, o Curso de Iniciação e o Curso Geral. Formação Contínua, com as Jornadas de Catequistas a nível vicarial e de caráter mais específico e Formação Espiritual com a proposta de retiros, dias de oração, etc;
  2. Publicação de recursos Catequéticos, entre os quais destacamos as campanhas do Advento/Natal e da Quaresma/Páscoa e outros subsídios para determinados momentos, principalmente reunião de pais e apresentação das crianças da 1.ª comunhão à comunidade;
  3. Atividades variadas, entre as quais; o Encontro Diocesano de Catequistas, o Encontro Diocesano de Adolescentes e o Encontro das Crianças da Primeira Comunhão com o nosso Bispo;
  4. Comunhão com outras dioceses através de atividades das diocese da zona centro, e também com a nossa relação próxima com o secretariado nacional de educação cristã.

Apresentadas a organização e a missão do secretariado diocesano, gostaríamos de partilhar ainda convosco as nossas principais preocupações e os desafios que iremos dividir em dois aspetos:

I – De uma catequese escolar a uma catequese de primeiro anúncio.

Em resposta aos desafios da Igreja em Portugal o paradigma da catequese tem vindo a sofrer, ou pelo menos, temos procurado que tal aconteça uma radical transformação e de acordo com o desafio dos nossos bispos, é fundamental passar de uma catequese de doutrina escolar a uma catequese de primeiro anúncio. Todos os nossos encontros, os nossos saberes, as nossas habilidades pedagógicas deverão ser mais uma oportunidade para crescer na fé e não apenas de endoutrinamento. Como afirmam os nossos bispos no número 4 da carta pastoral, Para que acreditem e tenham vida: “Não basta transmitir conteúdos, explicar a fé e falar de Cristo. É indispensável que a catequese faça ver Jesus.”

O modelo de catequese que os tempos modernos necessitam é o de uma catequese querigmática - trata-se do primeiro anúncio, e este requer catequistas verdadeiramente cheios de Deus, em profunda intimidade com Cristo, verdadeiros discípulos do Mestre. Como nos tem dito tanta vez o Papa Francisco: Na boca do catequista, volta a ressoar sempre o primeiro anúncio: «Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar». (AE 164).

Nos tempos de hoje, “a catequese não se pode reduzir à transmissão de conteúdos doutrinais, como no modelo escolar. A transmissão tem de fazer-se de modo vivenciado, inserida no encontro com Jesus Cristo. De resto, todo o encontro de catequese tem de ser encontro com Ele. Porque é Ele quem, vindo ao nosso encontro, nos pode despertar para a fé, uma fé que atinja todo o nosso ser: a cabeça, o coração e as mãos, que, segundo o Papa Francisco, necessariamente se correlacionam: a cabeça para “pensar o que se sente e o que se faz”; o coração para “sentir o que se pensa e o que se faz”; e as mãos para “fazer o que se sente e se pensa”. (Catequese. Alegria Encontro com Jesus Cristo, nº 12)

É fundamental que todos os agentes da catequese se empenhem nesta mudança de paradigma e que se assuma que os recursos pedagógicos, sendo importantes, por si só não fazem a mudança, esta requer outro tipo de catequistas.

Nesta renovação que se procura temos como principal preocupação a catequese da adolescência. De algum tempo a esta parte temos vindo a refletir sobre a mudança necessária, que terá de passar por uma catequese mais ativa, mais projetual e com maior ligação à família e às comunidades. Têm sido feitas várias tentativas e a nossa diocese tem sido desenvolvido alguns projetos nesse sentido, como por exemplo, entre outros lugares, na vigararia de Rio Maior. Damos graças a Deus por isso e alegramo-nos com este desejo de procura e de fazer cada vez melhor.

Nesta senda de mudança, a nível nacional, surgiu o projecto SAY YES, aprender a dizer sim!

Tendo como ponto de partida as Jornadas Mundiais da Juventude, este é uma projeto que se tem desenvolvido na maioria das paróquias da nossa diocese e a nível nacional. É um projeto que com as mudanças processuais que apresenta poderá ajudar-nos a encontrar o caminho que todos procuramos.

Tendo como FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS

  1. Say yes: aprender a dizer sim;
  2. Uma catequese de encontro;
  3. Uma catequese para o aprofundamento do querigma, que privilegia a vida comunitária e a vivência litúrgica;
  4. Uma catequese orientada para a vida adulta;
  5. Uma catequese ativa e participativa;
  6. Um novo perfil do catequista.

Este modelo de catequese procura envolver os catequizandos, torná-los mais ativos e protagonistas do processo, levá-los a sair da sala da catequese (uma verdadeira Igreja em saída) e a desenvolver projetos com uma forte ligação à comunidade. Do ponto de vista pedagógico pretende-se explorar já a dimensão da Missão e do Serviço em lógica projetual com vista à renovação da catequese dos adolescentes.

O projeto Say Yes destina-se a todos aqueles que percorrem o caminho da fé na catequese da adolescência. Podem ser constituídos grupos de adolescentes das mesmas idades ou de várias, com critério e segundo a realidade paroquial. Para favorecer o sentido comunitário e criar «espírito de grupo», os encontros podem prever, por exemplo, uma refeição fraterna. Seria importante criar-se ambientes fraternos (tipo clube ou centro) com diversos espaços onde os adolescentes se sintam «em casa», tais como: sala de estar com jogos, bar, sofás, televisão, etc; capela; salas para encontros em pequenos grupos. Pretende-se um esquema mensal, no qual se estudam as Mensagens dos Papas para as edições anteriores da Jornada, em torno da experiência de discernimento proposta pelo Papa Francisco, Reconhecer, Interpretar e Escolher.

II – De catequistas “professores” a catequistas acompanhantes:

No número 31 da Carta pastoral, Catequese: A alegria do Encontro com Jesus Cristo, afirma-se acerca do perfil do catequista: “mais do que um mestre que transmite saberes, deve considerar-se um guia espiritual que acompanha no caminho do Senhor. O que só é possível se ele próprio tiver experiência pessoal do encontro com Ele e conhecer o caminho a percorrer –o encontro do qual nasce também a sua vocação: é do “conhecimento amoroso de Cristo que brota o desejo de O anunciar, de «evangelizar» e levar os outros ao «sim» da fé em Jesus Cristo” A mudança necessária na fisionomia do catequista não dispensa o saber, o saber fazer e todos os outros saberes que ainda tão recentemente os nossos bispos nos apresentaram, mas requer um novo paradigma que nos leve a catequizar numa lógica de acompanhamento.

A renovação necessária não se pode reduzir a mudança de recursos pedagógicos, a uma questão de método. Consideramos antes de tudo, e sobretudo, a mudança como uma questão de estilo e espiritualidade: marca, na verdade, um modo de relação consigo mesmo, com os outros e com Deus. Um estilo de relação que contribui também, como se pode imaginar, para criar uma face da Igreja e uma figura adulta na fé cristã. Simplesmente irmão, simplesmente companheiro de estrada, simplesmente peregrinos. É isto que somos chamados a ser, Irmãos, Companheiros, Peregrinos, ACOMPANHANTES.

Na exortação Apostólica Cristo Vive, nº 246, o papa Francisco refere que os jovens descrevem quais são as características que esperam encontrar num acompanhante, nós, apesar de não trabalhamos com jovens, sabemos que a infância e a adolescência têm características próprias. Por isso, talvez os jovens nos ajudem a encontrar os traços da fisionomia do catequista:

  1. que seja um autêntico cristão comprometido com a Igreja e com o mundo;
  2. que procure constantemente a santidade;
  3. que compreenda, sem julgar;
  4. que saiba escutar ativamente as necessidades dos jovens e possa responder-lhes com gentileza;
  5. que seja muito bondoso e consciente de si próprio;
  6. que reconheça as suas limitações e que conheça a alegria e o sofrimento que todo o caminho espiritual implica.

Uma característica especialmente importante num orientador é o reconhecimento da sua própria humanidade. O facto de serem seres que cometem erros: pessoas imperfeitas que se reconhecem como pecadores perdoados. (…) Os orientadores (os catequistas) não deviam levar os jovens a ser seguidores passivos, mas antes a caminharem a seu lado, deixando-os ser os protagonistas do seu próprio caminho.

Mais do que uma forma de fazer, é uma forma de ser, caminhar e testemunhar. Somos convidados a ser discípulos do Mestre, não a pedir os melhores lugares, mas a beber do cálice e entrar na dinâmica do serviço. Mais do que dizer coisas e dar regras e normas, é fundamental caminhar com.

Deste modo, nesta área do nosso trabalho de catequese é muito importante a formação de catequistas e todos, secretariado e párocos, temos de nos empenhar na mudança e na sensibilização para um novo estilo de ser catequista e para a necessária formação. Neste sentido, temos colaborado a nível nacional na preparação de um novo Curso de Iniciação e de um novo Curso Geral, que esperamos surjam o mais rapidamente possível.

Claro que temos muito por fazer e o que fazemos necessita de aperfeiçoamento, mas acreditamos na força de Deus e pedimos todos os dias ao Espírito Santo que nos ajude a discernir o melhor modo de levar todos a Deus, porque também nós sabemos onde colocamos a nossa esperança.

Diác. Paulo Campino
Diretor do Secretariado Diocesano da Catequese da Infância e da Adolescência

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