
Caros irmãos e irmãs em Cristo
A celebração da Páscoa, Paixão e Ressurreição do Senhor, é o ponto alto da vida da Igreja e justificação para o tempo da Quaresma que a antecede como preparação. Aqui estamos, portanto,em Quaresma que é tempo e caminho até chegar ao ponto alto da festa da celebração da Páscoa.
No primeiro Domingo da Quaresma, os catecúmenos adultos que se preparam para receber os sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Crisma e Eucaristia) na Vigília Pascal são apresentados na Catedral para inscreverem o seu nome na presença do Bispo e, assim, assumirem o seu compromisso de preparação próxima para receberem a consagração como filhos de Deus. Isto que acontece nas catedrais episcopais deve ser do conhecimento de todos para que, especialmente na Quaresma, os cristão se unam em oração por aqueles que se preparam para serem cristãos na Vigília Pascal. Há nisto uma pedagogia e uma comunhão espiritual. Ao rezarmos por aqueles que se preparam para serem cristãos também nos preparamos para renovar as nossas promessas batismais na Vigília Pascal.
Na Quaresma, somos convidados a uma especial união e identificação com Cristo na caminhada para a Páscoa, tendo presente a sua experiência dos quarenta dias no deserto onde foi sujeito a tentações. Como ensina o Catecismo da Igreja: “Os dias e os tempos de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)” (nº 1437).
Na sua mensagem para a Quaresma, o Papa Francisco exorta-nos à revisão de vida em chave sinodal: “Nesta Quaresma, Deus pede-nos que verifiquemos se nas nossas vidas e famílias, nos locais onde trabalhamos, nas comunidades paroquiais ou religiosas, somos capazes de caminhar com os outros, de ouvir, de vencer a tentação de nos entrincheirarmos na nossa autorreferencialidade e de olharmos apenas para as nossas próprias necessidades. Perguntemo-nos diante do Senhor se somos capazes de trabalhar juntos ao serviço do Reino de Deus, como bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos; se, com gestos concretos, temos uma atitude acolhedora em relação àqueles que se aproximam de nós e a quantos se encontram distantes; se fazemos com que as pessoas se sintam parte da comunidade ou se as mantemos à margem”.
Irmãos e irmãs, como ensinou o profeta Isaías (58,1-9) a penitência que agrada a Deus é aquela que nos leva a cuidar dos nossos semelhantes. Também o Jubileu do Ano santo nos recorda que na sua origem está a alegria dos mais pobres por acontecer partilha de bens. Neste sentido, a Renúncia quaresmal do ano passado foi destinada ao Patriarcado de Jerusalém e Belém (Cisjordânia-Palestina) para apoio às muitas pessoas atingidas pelos efeitos da guerra em Gaza. O valor total da Renúncia foi de 23.123,90€. Este ano, depois de consultado o Conselho Presbiteral, a nossa Renúncia quaresmal será para apoio de um projeto social em Laleia (Timor-Leste), promovido pelas Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora. Estas Irmãs Franciscanas são da mesma Congregação que tem presença e missão na nossa Diocese no concelho da Chamusca.
Que a Quaresma seja para todos um tempo de escuta, de verdade e de amor. E a Virgem Maria, Mãe da Esperança, interceda por nós e nos acompanhe.
+ José Traquina