-Quem é Aquele Menino nascido em Belém, filho da Virgem Maria?

Irmãs e irmãos, é a esta pergunta que o Evangelista São João responde, ajudando-nos a considerar o significado e a importância daquele Nascimento, com o Evangelho que acabámos de escutar. A Palavra, a Luz e a Vida, são referências figurativas que servem para responder.

Aquele Menino que nasceu em Belém, é o Verbo, a Palavra com a qual Deus criou o mundo.Palavra que é luz porque ilumina, e que é vida porque alimenta. Palavra que inspirou os Profetas a corrigirem e a alimentarem a esperança do povo.

São João afirma, O Verbo de Deus fez-se carne e habitou entre nós”. Portanto, Aquele Menino, é o Emmanuel, o Deus-connosco. E nós, quando rezamos o Credo, aos domingos e dias santos,retomamos este testemunho de fé afirmando queEle encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e se fez homem”.

São João ensina também que aquele Menino, é a Luz que brilha nas trevas e as trevas não o receberam”.Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Porém, para os que acreditaram n’Ele deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Esta é a graça da nova vida que o menino nos oferece.

Outra referência espiritual desta Solenidade é a alegria.

Durante o tempo do Advento, não cantámos o hino do Glória nas missas dos Domingos. Guardámo-lo para o retomar na celebração do Natal. Esta breve observação litúrgica, serve para sublinhar a dimensão da alegria na celebração deste dia. Alegria porque Deus, sem deixar de ser Deus, baixou à condição humana. Alegria, porque a pessoa humana não está condenada à degradação do mal, é chamada a ser imagem e morada do próprio Deus.

O profeta Isaías, como escutámos na primeira leitura (Is 52,7-10), é um exemplo de homem de esperança e de alegria. Usa uma linguagem poética para contemplar a Vinda do Salvador: “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz e traz a boa nova”. “Rompei todas com brados de alegria, ruinas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo”.“Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus”.

É para um povo abatido com o drama da vida que o Profeta lança esta palavra de esperança e de alegria. Não é um simulacro! É uma afirmação de convicção. Isaías é um homem profundamente crente, vê e interpreta as situações humanas a partir da bondade, compaixão e força de Deus. É um homem centrado em Deus. Vive e testemunha para os outros, a alegria e a esperança e que lhe vai por dentro. Acredita que Deus não abandonará o seu povo e o visitará com toda a força e beleza.

Como ouvimos da Carta aos Hebreus (1,1-6): “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas”.

Estes dias “que são os últimos”, são os dias da manifestação do Amor de Deus, são os tempos novos sonhados e anunciados pelos profetas. São os dias em que a alegria surge na vida humanarenovada como efeito do amor do Messias e do seu Reino.

Vale a pena lembrar do Papa São Leão Magno(séc. V), a sua exortação à alegria num sermão em Dia de Natal. Cito um breve trecho: Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida.

Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa desta alegria: Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos libertar a todos. Alegre-se o santo, porque se aproxima a vitória; alegre-se o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; anime-se o gentio, porque é chamado para a vida.”(Sermo I in Nativitate Domini, 1-3: PL, 190-193) – LH, 25 de dezembro)

Irmãos e irmãs.

Deus sabia muito bem que a vida humana sem amor, transforma-se num inferno e não foi para isso que Ele nos criou. O amor é o oxigénio da vida. Deus transbordou de Amor, transbordou do que é, não aguentou mais o afastamento da humanidade e resolve descer à condição da natureza humana, formando-se e nascendo do seio da Virgem Maria.

É bom celebrar o Natal na contemplação do Amor de Deus e passarmos à ação com outra alegria e outro ânimo. Celebrar o Natal, é celebrar a nossa vocação comum: em Cristo somos amados e chamados a amar. O mundo aguarda pelo testemunho mais generalizado dos cristãos e o nosso testemunho só pode ser a vida em amor e serviço, como o descobriram tantos irmãos e irmãs antes de nós.

Para todos nós, o Natal seja Santo. Santo no amor que purifica, transforma e salva.

+ José Traquina

 

 

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