Caríssimos Padres, Diáconos, Irmãs de Vida Consagrada, Seminaristas,Candidatos ao Diaconado Permanente, Irmãos e irmãs.

Um mundo instável com conflitos e guerras é o contexto deste tempo em que estamos e em que celebraremos a Páscoa. A vinda de Jesus ao mundo aconteceu também num tempo e numa sociedade com perturbações sociais: Jesus chorou sobre Jerusalém porque os habitantes daquela cidade não reconheceram quem lhe podia dar a paz. Como cristãos, membros da Igreja de Jesus, rezemos com esperança na certeza de que é possível a paz.

Aqui estamos nesta igreja catedral episcopal e como igreja Povo de Deus. Esta celebração que antecede o início do tríduo pascal tem a graça de nos lembrar que é em comunhão espiritual de Igreja Diocesana que se entende o que somos e o que fazemos na missão pastoral que assumimos. Especialmente para vós sacerdotes, presbíteros (padres) uma palavra que serve para todos.

Nesta missa crismal, comemoramos a instituição do sacerdócio, o dia em que Jesus celebra a ceia pascal com os seus discípulos e os associa à sua entrega e consagração: Fazei isto em memória de mim”. Comemoramos também o dia da nossa Ordenação sacerdotal, o dia em que manifestámos total disponibilidade e recebemos o dom do Espírito Santo no Sacramento da Ordem para estarmos ao serviço de Cristo Sacerdote e Bom Pastor .

Na Ordenação sacerdotal fomos ungidos com o Óleo do Crisma para recebermos o Espírito Santo, o dom de Deus que nos habilita a estar ao Serviço de Cristo e com Ele identificados. A Ordenação sacerdotal tem a marca da presença do Espírito Santo, a marca da alegria que se reflete no ânimo da assembleia. E assim somos responsabilizados por participar na missão que é de Cristo, ao serviço da Igreja concretizada na Diocese, “edificada como Povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo” (PO 1).

Como Jesus proclamou na sinagoga de Nazaré, também nós podemos dizer: “O Espírito Santo está sobre mim e me enviou…”. Não apenas no dia da Ordenação sacerdotal mas também quando o Bispo assinou um decreto de nomeação para uma missão e quando o Presbítero tome posse numa Paróquia lendo o texto de compromisso com a mão em cima do Evangelho. Sim, é o Espírito Santo a força da Igreja e a fonte da alegria do sacerdote, discípulo de Cristo, Espírito que o habilita a continuar a identificar-se com Cristo não apenas na pregação e a presidir à celebração dos Sacramentos da Igreja mas também no olhar a realidade da sociedade em que vive, interpretando-a com o dom da sabedoria e também a promover o cuidado pelas pessoas mais pobres e pelos migrantes que desejam integrar-se nas nossas comunidades paroquais. Não cultivemos complexos de superioridade. O poder que recebemos pela Ordenação sacerdotal é o de servir com amor generoso, identificados com Cristo, agindo como pais, irmãos e amigos.

É minha preocupação que cada padre viva em alegria o exercício do seu ministério. Não me refiro apenas à exterior boa disposição dos sorrisos, refiro-me aquela alegria espiritual, fruto do Espírito Santo, que permanece porque nos sentimos interiormente amados e habitados, mesmo que estejamos em solidão. Um padre pode não ter certas condições que lhe dariam mais tranquilidade, mas sem alegria não pode sentir-se bem. E a forma de cuidar da alegria é cuidar da fidelidade em todas as dimensões e promover os relacionamentos saudáveis e desejáveis com os cristãos das suas comunidades e com os irmãos padres. Este cuidado supõe uma virtude de grande valor: a paciência. Por amor e por favor: não percam a paciência porque traduz bondade e permite a convivência na diferença.

 É oportuno citar um parágrafo da mensagem que o Papa Leão dirigiu num Encontro de Sacerdotes em Roma (em 26-06-2025): As palavras de Jesus «Chamei-vos amigos» (Jó 15, 15) não são apenas uma declaração afetuosa aos discípulos, mas uma verdadeira e própria chave de leitura do ministério sacerdotal. Com efeito, o sacerdote é um amigo do Senhor, chamado a viver uma relação pessoal e confidencial com Ele, alimentada pela Palavra, pela celebração dos Sacramentos e pela oração quotidiana. Esta amizade com Cristo é o fundamento espiritual do ministério ordenado, o sentido do nosso celibato e a energia do serviço eclesial ao qual dedicamos a vida. Ela sustenta-nos nos momentos de provação e permite-nos renovar a cada dia o “sim” pronunciado no início da nossa vocação.

 Irmãs e irmãos, celebrámos o cinquentenário da criação da Diocese com diversas iniciativas e momentos altos de louvor e alegria. Entretanto, dificuldades diversas de saúde e outras, levou a uma redução do número de padres ao serviço e, assim, vários padres assumiram uma sobrecarga de trabalho na dedicação ao Povo de Deus na Diocese. Quero agradecer esse esforço e esse testemunho (que me preocupa) e pedir às comunidades paroquiais que compreendam a dificuldade e rezem pelos padres e pelas Vocações sacerdotais e de Vida religiosa consagrada.  

 Caros Padres, esta celebração da missa crismal manifesta união dos presbíteros com o bispo na missão de servidores do Povo de Deus da Diocese. A renovação das Promessas sacerdotais e a Bênção dos Óleos dos Enfermos e dos Catecúmenos e a Consagração do Crisma, tudo isto é indicativo de que a Páscoa é centro e fonte da renovação operada por Deus na vida dos cristãos e das comunidades.

A graça desta renovação acontece sendo necessariamente o protagonismo do Espírito Santo, o mesmo que mobilizou o Profeta Isaías e estava plenamente sobre Jesus na sinagoga de Nazaré, como escutámos no Evangelho.

A Virgem Maria, consagrada por Cristo na cruz como Mãe dos seus discípulos, nos acompanhe a todos.

+ José Traquina

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