Quinta Feira Santa – Missa Crismal

Santarém, 28 de março de 2024

 ​Senhor Bispo emérito, D. Manuel Pelino, caros Presbíteros, Diáconos, Irmãs de vida consagrada, seminaristas, acólitos, irmãos e irmãs em Cristo.

 ​A concluir o Tempo da Quaresma, motivados pelo dom da fé e em comunhão com toda a Igreja, aqui estamos nesta celebração da Missa Crismal. Celebração especialmente marcada pela renovação dos compromissos por parte dos Presbíteros, os sacerdotes ao serviço do Povo de Deus na nossa Diocese, e também pelos sinais da Bênção e Consagração dos santos Óleos, a serem levados para as igrejas paroquiais.

 ​Conforme consta na rubrica litúrgica, “Esta Missa, que o bispo concelebra com o seu presbitério, deve manifestar a comunhão dos presbíteros com o seu bispo. Convém, por isso, que, na medida do possível, todos os presbíteros nela tomem parte e comunguem sob as duas espécies. Para melhor significar esta unidade do presbitério da diocese, os presbíteros que concelebrem devem ser das várias regiões da diocese”.

​Estamos, portanto, numa celebração com especiais referências e significado que ajudam a valorizar a vocação presbiteral e a nossa identidade e missão como Igreja Diocesana. A Leitura do Profeta Isaías, tomada pelo Evangelho e com o comentário de Jesus, ajuda-nos a retomar aquele momento em que sobre as nossas cabeças foram impostas as mãos e invocado o Espírito Santo na oração da Ordenação sacerdotal. Retomemos a memória desse momento como ponto de chegada e de partida por força de um chamamento vocacional que foi amadurecendo até chegarmos ao dia de hoje. O nosso ministério só se entende no mesmo Espírito que estava sobre Jesus.

 ​No exercício do ministério, muitos gostariam que o seu percurso acontecesse sem crises, sem dissabores ou então que as nossas paróquias fossem comunidades perfeitas. A vida ensina-nos que não é assim, e é certamente por isso que Deus nos chamou e consagrou: há sempre muito a fazer, a rezar, a acompanhar, a sonhar e a promover. É bom,então, que estejamos dispostos a ajudarmo-nos mutuamente na missão que nos é confiada, também a apoiarmo-nos fraternalmente quando as coisas não correm bem e dispostos a fazer as correções necessárias de modo a servirmos a Cristo, servindo a sua Igreja, de modo a fazer crescer a comunhão e a alegria entre os cristãos e possamos ser para o mundo um testemunho credível.

 ​A correção fraterna é a solução apontada pelo Evangelho para as situações em que não se procedeu corretamente. A sua prática entre nós clérigos, dá-nos autoridade para a pedir aos cristãos leigos. Pedir o perdão de Deus no início de cada eucaristia não pode ser o cumprimento de uma rubrica, deve corresponder a ao desejo de ser perdoado e disposto a corrigir-se. Estamos no ‘ano do perdão’; peço-vos caros padres: promovamos o perdão e a correção fraterna. Não somos perfeitos, mas devemos caminhar para a perfeição e o mundo necessita de pessoas que utilizem a ‘arma’ do perdão.  

  ​Deste modo, celebraremos a Eucaristia com a paz e a reconciliação que o Senhor aconselha no Evangelho quando nos aproximamos do altar. Este ano acontecerá em Braga, de 31 de maio a 2 de junho, o V Congresso Eucarístico Nacional. É uma iniciativa que envolve todas as dioceses na preparação e no acompanhamento da sua realização. Entre nós, o envolvimento já está a acontecer com a promoção da oração no Sagrado Lausperene, em dias seguidos numa das paróquias da Diocese. A informação que tenho, é de bom acolhimento da iniciativa e com bom fruto em alegria espiritual.

 ​Entretanto, será bom que se promova formação cristã de adultos nas comunidades acerca da Eucaristia e da forma correta de participação. O tempo pascal é bom para aprender e valorizar o sacramento da Eucaristia, saber como participar bem e como receber corretamente a sagrada comunhão. Além disso e muito mais, é necessário ensinar os cristãos que nunca se deve fazer perguntas incómodas a um padre quando está a preparar-se para presidir à Eucaristia. Perguntas, só o respeitante à celebração, tudo o mais pode ser falado depois. Um padre tem de estar sereno e em paz para presidir à eucaristia com a melhor concentração e, portanto, sem perturbações.

 ​Caros padres, esta é a Páscoa que celebramos depois da Jornada Mundial da Juventude 2023 que envolveu tantos jovens e adultos da nossa Diocese. Peço que vos interesseis em ajudar os jovens a assumir a sua identidade cristã, a edificarem as suas vidas à luz da fé e a continuarem a dar o seu testemunho como fizeram em junho, julho e agosto do ano passado. O futuro das nossas comunidades cristãs e da sociedade humana na nossa área do Ribatejo também depende da qualidade humana e do testemunho dos jovens cristãos da atualidade. As últimas experiências dos diversos grupos da Missão País, foi a demonstração de como os jovens são capazes de bons testemunhos na Igreja e na sociedade. Sei que há jovens animados nos Agrupamentos de Escuteiros, nas Equipas de Jovens de Nossa Senhora e nos Convívios Fraternos. Estou grato pelo testemunho, mas é necessário um empenho mais reforçado nas comunidades paroquiais a pensar no futuro do mundo.

  ​Como é do conhecimento de todos está a decorrer a consulta às Dioceses respeitantes à última fase do Sínodo sobre a sinodalidade na Igreja que terá a última sessão em Roma, no mês de outubro deste ano. Embora a participação na nossa diocese não tenha sido tão alargada quanto possível, a verdade é que, a partir das participações que chegaram foi elaborado um texto que vale a pena ser conhecido e refletido nas nossas comunidades e movimentos.

 ​Este ano, a 16 de julho, daremos início às celebrações relativas ao Cinquentenário da nossa Diocese. A proposta de programação está em aperfeiçoamento e é desejo da comissão coordenadora que todas as comunidades da Diocese sejam abrangidas, pelo menos em algumas das iniciativas do programa do Cinquentenário. Portanto, o próximo ano pastoral estaremos em celebrações do Cinquentenário da Diocese até ao dia 4 de outubro de 2025, exatamente o dia em que foi Ordenado o primeiro Bispo da Diocese, D. António Francisco Marques, assumindo a missão para que fora nomeado. O Cinquentenário, em grande parte, acontecerá em simultâneo com o Jubileu para toda a Igreja com o Ano Santo de 2025. Para tudo isto, caros padres, peço a vossa oração e toda a boa vontade; o povo de Deus da Diocese necessita do entusiasmo dos seus pastores. Que o Cinquentenário e o Jubileu seja um tempo de graça para a nossa Diocese, exatamente para agradecer e reforçar a qualidade da vida cristã, a vocação e a missão de todos.

 ​Vamos agora continuar com a renovação das promessas sacerdotais e o rito da Bênção dos Óleos e Consagração do Crisma. Pertencemos a Cristo e usaremos os seus sinais para a Bênção e consagração de muitos irmãos. Agindo convictamente, seremos mediadores do bem que Deus quer realizar na vida de muitas pessoas. Nossa Senhora nos acompanha como Mãe e intercederá por todos.

+ José Traquina

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