Igreja Matriz da Golegã – 12 de julho de 2026
Domingo XV do Tempo Comum – Ano A
Irmãos e irmãs
Nesta celebração em que o Padre André Henriques assume a missão de Pároco das três Paróquias: Golegã, Azinhaga e Pombalinho, a Palavra de Deus deste Domingo sugere que façamos revisão sobre a nossa escuta e atenção à Palavra de modo aque a consigamos pôr em prática. Essa é também a missão do Padre, Pastor paroquial: anunciar e refletir de modo que a Palavra produza o seu efeito de mais luz na vida dos cristãos.
De certo concordamos que o bom ambiente de uma casa de família ou de um local de trabalho, depende das palavras que são pronunciadas e do modo como são pronunciadas. Cada pessoa é conhecida pelas palavras que diz e pelo modocomo as pronuncia.
Neste Domingo, e também no próximo, a Palavra de Deus fala-nos de sementes, semeadores, sementeiras, terrenos e água da chuva.
Na 1ª Leitura do profeta Isaías (Is 55,10-11), a Palavra de Deus é comparada à água da chuva, água que cai e evapora (com o sol) mas entretanto já regou a terra para que dê fruto.
Cristo é assim comparado à Palavra que desce do Céu e não voltou para o Céu sem ter regado a Terra e a ter feito produzir.
No Evangelho: (Mt 13,1-9) Jesus, usando linguagem simples para falar do Reino de Deus, oferece-nos a parábola do semeador. Jesus identifica-se com o semeador da Palavra de Deus, mas demora-se a falar das condições do terreno onde a semente cai: terreno duro, terreno pedregoso, terreno com espinhos, e também terreno bom. O terreno é o coração de cada pessoa. A parábola diz-nos respeito, não é uma instrução para agricultores, é ensinamento para todos cuidarmos do terreno que é cada um de nós.
Cada pessoa será o que for o terreno do seu ‘coração’. Pode ter espinhos, pedras, estar endurecido, estar cheio de revoltas interiores,algum pessimismo, autoritarismo, alguma preguiça, paixão desordenada ou desejo de vingança.
Para que o terreno do coração de uma pessoa possa receber a semente da Palavra, é necessário estar limpo de perturbações. São João Batista deixou-nos o testemunho do cuidado na preparação daspessoas para que o Messias anunciado encontrasseum povo de coração disponível e bem preparado para o acolher.
Também São Paulo lembra aos cristãos romanos, na 2ª Leitura (Rom 8,18-23) que a corrupção escraviza mas a libertação é possível: encontra-se na ação do Espírito Santo. Ensina o Apóstolo quea nossa vocação é a “gloriosa liberdade dos Filhos de Deus”.
Em síntese: Deus chama-nos ao cuidado sobre nós mesmos comos pessoas: cristãos e cristãs. Temos vocação e missão e podemos contar com a graça de Deus. É necessário humildade para receber as sementes e a chuva necessárias. Sem sementes e sem chuva (água), mesmo que seja bom, o terreno não produz senão ervas daninhas.
Estou certo que a missão desta Paróquia e de toda a Diocese depende do cuidado e da qualidade do terreno que somos. Mas os melhores propósitos de um cristão não estão garantidos porque disse que sim uma vez. É necessário continuamente cuidar do terreno que somos. Ninguém está dispensado da prudência, da vigilância e da avaliação. Jesus Cristo alerta-nos para o perigo do Maligno que tem poder para arrebatar em nós a semente da boa Palavra. Também é necessário saber esperar. Num tempo em que tudo se resolve com a velocidade de um clik, importa saber esperar porque as sementes para darem fruto necessitam de tempo.
Irmãos e irmãs, a tomada de posse do novo Pároco, Padre André Henriques, é uma oportunidade para acolhermos o dom de Deus. Estas três Paróquias acolhem o Padre mais novo da Diocese, é padre porque acreditou na Palavra de Deus e no chamamento de Cristo confirmado pelos responsáveis da Igreja. A sua missão e responsabilidade como pároco estão expressas na longa carta de nomeação. Quero acrescentar apenas um pormenor espiritual: o Padre é o Pai, é aquele que nos deve amar e perdoar como um Pai, identificado com Cristo Bom Pastor, e cultivandoa força do seu Amor, tornará presente a bondade de Deus no exercício dos seu ministério.
Como pastor diocesano, promovi esta nomeação confiando na Fé e na generosidade do Padre André, apesar da sua juventude, e estou tambémconfiante considerando a Fé e a bondade dos cristãos destas Paróquias.
Irmãos e irmãs, a Virgem Maria, Senhor da Conceição, é o grande exemplo do coração limpo para acolher a semente da Palavra. A ela confiamos o Padre André Henriques e a sua missão junto de todos os paroquianos da Golegã, Azinhaga e Pombalinho.
+ José Traquina