Sé de Santarém,19-03-2026

Dia do Pai Feriado municipal em Santarém

Irmãos e irmãs

Uma palavra sobre a preocupante realidade atual do mundo.

Vivemos em tempos complicados com uma crise de relacionamentos entre nações, traduzida em guerras einstabilidades que deixa a população mundial em preocupação quanto ao seu futuro.

Os homens que provocam a guerra não querem os limites da lei, não aceitam tratados e regras estabelecidas, não querem acordos que não correspondam aos seus objetivos insaciáveis de maispoder. Enfim, uma situação onde a inteligência humana aplicada na mais alta tecnologia de meios de destruição de pessoas e bens.

Irmãos e irmãs, nunca o género humano teve ao seu dispor tão grande abundância de riquezas, possibilidades e poderio económico; e, no entanto, uma imensa parte dos habitantes da terra é atormentada pela fome, pela miséria (GS 4) e agora, acrescento, é atormentada pela globalização da insegurança. Entretanto, experimentamos o que já sabíamos: vivemos em interdependência mútua. Por isso, uma guerra no Irão teve efeitos imediatos na economia dos portugueses.

A Igreja no seu ensino reconhece e defende que os governantes das nações têm a responsabilidade e o dever de assegurar a defesa das populações que lhes estão confiadas (…). Mas uma coisa é utilizar a força militar para defender justamente as populações, outra coisa é querer subjugar as outras nações. O poderio bélico não legitima qualquer uso militar ou político que dele se faça. Nem, finalmente, uma vez começada lamentavelmente a guerra, já tudo se torna lícito entre as partes beligerantes (GS 79).

Uma sociedade que despreze o valor da honestidade, a verdade, o sentido de justiça e o princípio do respeito pela pessoa humana, tem o futuro comprometido.

Estamos em Santarém, dia de feriado municipal, acelebramos a grande Festa, a Solenidade de São José, Esposo da Virgem Maria, Patrono universal da Igreja e eleito como Patrono de Santarém.

São José não se valeu do título que lhe confere a Leitura (2 Sam 7) lembrando-o como descendente de David, Rei de Israel, muitos anos antes. São José assumiu-se como um trabalhador, um carpinteiro, éreferência do homem que assume a responsabilidadede proteção de uma família com o trabalho que realiza. O trabalho é estruturante na edificação de uma família, justifica um rendimento e possibilita o bem estar de uma família.

O trabalho é necessário como realização da vida, mas é também participação no desenvolvimento da sociedade em que vivemos. O trabalho é uma dimensão fundamental da existência humana e deve ser entendido como colaboração no aperfeiçoamento do mundo que habitamos; com o trabalhocontribuímos para deixar o mundo melhor do que o encontrámos.

Nos últimos dias tem havido reuniões de responsáveis do Ministério do Trabalho com representantes dos sindicatos e do mundo empresarial. Compete aoGoverno fazer de juiz no sentido de os portugueses terem a remuneração justa e regras justas no mundo do trabalho. Preocupações: há notáveis diferenças de rendimentos entre pessoas que trabalham em Portugal e pessoas que, em profissão semelhante, trabalham noutro país da União Europeia; há pessoas que trabalham a vida inteira e não conseguem ter casa própria e ficam escandalizadas com a publicação dos lucros anuais dos Bancos e das grandes empresas. Preocupação também com as condições em que são admitidos os migrantes ao trabalho para que são contratados: é necessária fiscalização. No pensamento da Doutrina Social da Igreja o princípio e o primado que justifica a atividade laboral é a pessoa humana.

Na 2ª Leitura, Carta de São Paulo aos Romanos (4,13.16-18.22), o Apóstolo refere o testemunho de Fé de Abrão, o primeiro dos patriarcas bíblicosconhecido como o pai da Fé, e a promessa de que a sua descendência havia de manter o dom da Fé em Deus. Também o Evangelho de São Mateus faz referência a Abraão, Isac e Jacob para identificar a origem e a Fé de São José. Portanto, às virtudes humanas de São José é salientada a virtude da Fé na sequência da promessa feita ao Patriarca Abraão. Isto é, São José, é o último dos Patriarcas da Fé antes de Jesus nascer. Aproveitemos o testemunho de São José para referir: ser católico, ser membro da Igreja católica, é a pessoa que pode ter a mesma Luz interior que teve São José: a Luz da Fé. Por isso ele acreditou, confiou e no seu silêncio tornou-se um homem corajoso e decidido.

A Fé cristã que a Igreja professa é histórica, é a luz que atravessa os séculos no meio de tantas dificuldades e perturbações, como também aconteceu com São José. A Fé cristã é saudável, expressa-se emliberdade e fraternidade, leva-nos ao respeito por toda a pessoa humana, convive em pessoas de línguas e culturas diferentes. A Fé cristã, é católica, quer dizer, é universal porque pode chegar a pessoas de todas as cores e culturas, e é universal no sentido de ser abrangente a todas dimensões da vida humana.

São José foi um bom esposo e um bom Pai. Hoje é o dia do Pai. E o bom Pai é o que ama e acompanha. Ser pai, verdadeiramente, é mais do que gerar um filho, é amar e acompanhar.

São José, trabalhador, homem de Fé e de esperança, assumiu a responsabilidade a que Deus o chamou,tornando-se um bom Pai para Jesus e um grande defensor da Família, com ternura e esperança.

São José é o pai que guarda consigo o mistério de uma criança cujo futuro não sabe como será. É assim com todos os pais. Mas também é verdade que a sua presença e acompanhamento é decisivo para o futuro da criança.

A um pai não se pede que seja homem de poder ou de grande fortuna. Pede-se que tenha coração e maturidade, acompanhe os filhos com amor, esperança e paciência, considere um filho não como um problema económico mas como o valor maior que vale a pena todos os sacrifícios.

Não é bom uma exagerada proteção cega incapaz de corrigir um filho. Na atualidade, há influências perigosas que chegam às crianças, sobretudo aosadolescentes, que exigem dos pais uma atenção redobrada. É também importante que um pai, sem complexos, se assuma como referência para os seus filhos. Ser referência não porque tem dinheiro para tudo, mas porque tem critério e disciplina para ensinar a viver. Um filho necessita do bom testemunho do pai. Conhecemos pais que foram pobres mas assumiram com amor paterno o cuidado educativo dos seus filhos; sabiam que não podiam ter filhos ricos mas podiam ter filhos bem educados.

São José descobriu que era um homem amado por Deus. Igualmente, todos os pais que amam e acompanham os seus filhos devem sentir-se amados por Deus.

Deus abençoe todos os pais e fortaleça aqueles que vivem especiais preocupações com os seus filhos doentes ou com deficiência.

Para todos os pais, famílias, instituições, empresas e Autarquias do Conselho do Santarém, rogo a Bênção de Deus com a interceção de Nossa Senhora e do Padroeiro São José.

+ José Traquina

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