Santarém, Santuário do SS Milagre, 12-04-2026 (15.00H)
Irmãos e irmãs
Este 2º Domingo da Páscoa completa a Oitava Pascal.
Por desígnio do Papa João Paulo II, este Domingo ganhou o nome de Domingo da Divina Misericórdia. Divina Misericórdia é a compaixão amorosa de Deus pela humanidadeafastada. «Deus amou tanto o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16)E, uma vez ressuscitado, constituiu-O em fonte de salvação para todos os que n’Ele creem. Pela fé e pela conversão, acolhemos o tesouro da Divina Misericórdia.
-Papa São João Paulo II canonizara a religiosa Irmã Santa Faustina Kowalska. Consta que, em visão mística, teve visões do Coração de Jesus como um Coração de misericórdia, como fonte da Igreja.
–Do Coração de Jesus jorrou sangue água e assim se reconhece misticamente o sentido da celebração do Batismo e da Eucaristia.
A motivação de estarmos aqui nesta Igreja Santuário Diocesano do SS Milagre eucarístico de Santarém é a força da memória do sinal do que aqui aconteceu no séc. XIII.
1-O testemunho do Apóstolo e evangelista São João (Jo 20, 19-31)
–“Na tarde daquele dia, o primeiro da semana”. O Dia do Senhor! Dia da Comunidade; dia da reunião. Os discípulos estavam reunidos de portas fechadas com medo dos judeus.
–Jesus Ressuscitado aparece-lhes e saúda-os: “A Paz esteja convosco”. A paz é a plenitude da vida. É a saudação que é dada em todas as Missas de Domingo.
-Jesus mostrou-lhes as mãos e o lado: as chagas são sinal do Amor de Cristo pela comunidade. E eles ficaram cheios de alegria. Passaram do medo à alegria!
–“Recebei o Espírito Santo…”. O sopro de Jesus para instituir o Sacramento do Perdão: “àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados”. Jesus deixou à Igreja o poder espiritual de perdoar em nome de Deus!
–A ausência do Apóstolo S. Tomé e a exigência que ele faz para poder acreditar, revela a importância e a força da comunidade reunida.
-Jesus não elogiou a exigência de Tomé. Portou-se como um não crente!
–“Bem-aventurados os que acreditam ser terem visto”!
–Tomé rende-se com uma profissão de Fé: “Meu Senhor e Meu Deus”
-Diante de tantas propostas de seguidismo, é bom voltarmo-nos para Cristo e dizer: “Meu Senhor e Meu Deus”!
2 – O testemunho de São Lucas (1ª Leitura, dos Atos 2,42-47)
-Neste 2º Domingo da Páscoa é valorizada a reunião da comunidade dos cristãos, a eclésia, que tem como seu centro o Senhor Jesus, Cristo Ressuscitado, que a ilumina e consagra! A comunidade (a Igreja) é o seu corpo social ou a sua esposa (para expressar o matrimónio)!
-São Lucas deixou-nos o testemunho que escutámos na 1ª Leitura, dos Atos dos Apóstolos: “Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. Uma síntese de São Lucas para indicar como é que a comunidade expressava e vivia à luz da Fé. Eram assíduos, disciplinados e organizados para não faltarem à reunião. Assíduos para escutar o Ensino dos Apóstolos, portanto, assíduos para escutar, aprender e fortalecer a sua Fé. assíduos para a ‘comunhão fraterna´, isto é, partilhavam os seus bens fraternalmente. Assíduos à fração do pão e às orações, é uma alusão à celebração da Eucaristia. Com este procedimento, a Comunidade de Fé, de paz, de alegria e fraternidade constitui-se como um sinal vivo de Cristo Ressuscitado!
A Diocese de Santarém é das mais pequenas de Portugal. Mas o primeiro desafio que tem é o mesmo das grandes: é a fidelidade ao Evangelho.
3 – O testemunho do Apóstolo São Pedro 2ª Leitura: (1ªPedro 1,3-9): na pregação aos recém-batizados: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos”
Irmãos e irmãs
O Tempo Pascal é desafiante para os cristãos no sentido do testemunho pessoal e comunitário. Se na Quaresma o desafio era mais individual no propósito de preparação da Páscoa. Agora o desafio é testemunhar o que celebramos, individual e comunitariamente.
-Valorizar a assiduidade! Testemunhar a dimensão da Fé com alegria e esperança. A dimensão da comunidade, a experiência da Vida vivida à luz da Fé.
-Valorizar na comunidade os mais idosos e os jovens.
-Promover o desapego de tudo o que não permite a presença de Deus!
-Cultivar a liberdade em relação aos bens materiais!
Em Santarém – Fazemos memória do Santíssimo Milagre
-Um sinal que Deus deu a esta cidade. Séc. XIII (1266: há 760 anos)
–Uma manifestação de exigência de respeito pelos sinais sagrados, os Sacramentos que Cristo confiou à sua Igreja. São expressão do Amor misericordioso de Deus; não podem ser confundidos com opções estranhas à verdade da Fé.
–O Santíssimo Milagre de Santarém lembra-nos que a Eucaristia é o Sacramento da Páscoa de Cristo, o mais importante e elevado dos Sacramentos e expressão do Amor de Cristo.
-O Santíssimo Milagre de Santarém revela-nos que Cristo não é manipulável e que nos enganamos quando não sabemos ouvir e respeitar o que é para respeitar.
–É fazer memória e considerar e o testemunho daqueles que antes de nós rezaram nesta Igreja: Rainha Santa Isabel; São Gil de Santarém, São Gonçalo de Lagos, a Venerável Luiza Andaluz. São Carlos Acutis.
–Cristo da Eucaristia manifestou-se para dizer que não queria ser desviado da sua missão de ser o Pão da Vida e estar presente para iluminar a Fé, alimentar a nossa intimidade com Deus e a nossa esperança de cristãos empenhados no bem comum da nossa cidade e sociedade.
-Que esta celebração corresponda a este reconhecimento do Amor misericordioso e nos ajude a ser melhores cristãos, homens e mulheres de paz, pessoas de bem, interessadas na salvação do mundo.
+ José Traquina
📷 Município de Santarém