Entidades autárquicas e outras

Padres e Diáconos, Irmãs de Vida Consagrada, asIrmãs de São José de Cluny que nos acolhem no seu espaço, celebram o jubileu dos 75 anos de Beatificação da sua Fundadora, Madre Ana Maria Javoouhey; Irmandades do Santíssimo Sacramento e outras, representantes das Paróquias e Lugares de culto com as suas bandeira e estandartes;

-Irmãos e irmãs em Cristo.

Como nos lembra o ensino da Igreja, “a Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã (LG 11), dos outros sacramentos, dos ministérios e serviços, obras de apostolado, fonte e centro da missão evangelizadora, das diversas pastorais e de todos os movimentos da Igreja.

Aqui estamos hoje, de várias comunidades da Diocese para celebrarmos juntos a Eucaristia, reconhecermos a sua centralidade e manifestarmos na Procissão a nossa adoração ao Senhor e a nossa alegria por sabermos que continua connosco como prometera: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Não há eucaristia sem a proclamação e a escuta da Palavra de Deus. É o ritmo normal de quem se deixa atrair. Primeiro escuta-se a palavra e de seguida a meditação para que a palavra ilumine e fortaleça a nossa vocação de cristãos.

Na primeira Leitura do Livro do Deuteronómio (Dt 8) Moisés exorta o povo hebreu a ser fiel à vontade de Deus reconhecendo todos os sinais e graças que Deus lhes tinha concedido, na libertação do Egito e ao longo da caminhada pelo deserto. Recorda-te” e “Não esqueças: é o apelo que é feito por Moisés.

Podemos acolher esta exortação e atualizá-la: recordar e não esquecer tantas ajudas que o Senhor nos fez chegar através da palavra e do testemunho de outras pessoas que nos ajudaram a crescer com o dom da Fé e valorizássemos a fidelidade à celebração da Eucaristia, especialmente a missa dominical. Recorda-te” e “Não esqueças”.Estamos aqui porque confiámos em pessoasconhecidas que, com a palavra e com a vida,testemunharam a sua pertença a Deus, a alegria da Fé e o entusiasmo por tornar um mundo melhor.

Recorda-te” e “Não esqueças os catequistas e animadores juvenis que te ajudaram a crescer na Fé, os padres, novos ou velhinhos, que assumiam o ministério sacerdotal e estiveram presentes em etapas felizes das nossas vidas. Como não ser grato e reconhecer quanto o Senhor esteve presente nas nossas vidas através dessas pessoas!

Escutámos no Evangelho de São João (6,51-58) Jesus a afirmar: “Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha Carne pela vida do mundo”.

Jesus assume a renovação da natureza humana de forma surpreendente. No rio Jordão, pede a João Batista que o batizasse identificando-se com os pecadores e tem a confirmação para a sua missão: é o Filho bem amado em quem está toda a vontade e bondade do Pai. Tornou-se próximo dos que viviam nas periferias de onde escolheu os seus discípulos, fez tudo para tornar o mundo mais próximo do Céu, enquanto outros o tornam mais próximo do inferno.

A sua entrega na mãos do Pai corresponde à sua entrega a nós como alimento, na palavra e no pão consagrado, o pão vivo. É a Páscoa celebrada na Eucaristia e traduzida em alimento pela vida do mundo. Jesus resolveu de forma digna mas simples e pobre a possibilidade de continuar connosco, com um pouco de pão e de vinho em contexto de ceia pascal. A Eucaristia torna presente aquele Amor sem medida que Jesus veio implementar no mundo e não desistiu. A Eucaristia é a celebração desse Amor sem medida, é a medida de Deus, e é por isso que o cristianismo é muito desafiante, a sua medida está sempre à nossa frente como proposta: “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai do Céu” (Mt 5,48). Jesus convida-nos a comungar e a viver o seu Amor semmedida, a amar os nossos inimigos e outras pessoas com opções de vida não aceitáveis e não esquecermos os pobres com quem se identifica. Será isto possível? É possível se o Amor de Cristo nos tiver alcançado.

A Igreja é o corpo social de Cristo, como Igreja somos chamados à unidade com Cristo, tendo o Papa como referência, por ser o sucessor do apóstolo São Pedro. Jesus rezou ao Pai pela unidade dos seus discípulos (cf. Jo 17). É uma preocupação que continua, como escutámos na Leitura de São Paulo aos Coríntios onde faz apelo à união da comunidade cristã.

O Santo Padre, Papa Leão XIV, na sua primeira Encíclica Magnifica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial, faz referências à Eucaristia. Cito breve passagem:

“A Eucaristia, sacramento da unidade, alimenta a nossa pertença ao corpo de Cristo e educa-nos para a partilha. As diversas sensibilidades presentes na Igreja, as convicções fortes que animam cada um, são uma riqueza se permanecerem ancoradas na certeza da unidade, enquanto dom recebido e tarefa a assumir. (MH 88)

O “Amém” que dizemos na liturgia, o Corpo que comungamos e o Sangue que bebemos dão forma a toda a nossa vida. A Eucaristia «é o encontro pessoalíssimo com o Senhor, e no entanto não é jamais apenas um ato de devoção individual».215 Nela manifesta-se que «somos a Igreja de Cristo, somos os membros do seu corpo. N’Ele, somos irmãos e irmãs. E, em Cristo, apesar de muitos e diferentes, somos uma só coisa: In Illo uno unum».216 A Eucaristia abre-nos à justiça e à partilha, com uma atenção preferencial para com quem carrega o fardo da pobreza e da marginalização. (in Magnifica Humanitas 235).”

Irmãos e irmãs, hoje é dia de manifestarmos juntosa alegria da Fé, alegrarmo-nos e testemunharmos o Amor fiel de Cristo que nos purifica e fortalece no sentido do bem comum e da paz.

A celebração da Missa é a Eucaristia celebrada pela salvação dos homens. A Eucaristia embora celebrada por aqueles que nela participam, tem um valor universal: foi por todas as pessoas que Cristo sofreu na Cruz, foi por todos que Cristo quis instituir este grande Sacramento da sua presença.

Celebremos com alegria e esperança, assumindo o que somos e o desafio da missão de tornar presente no mundo o Amor de Cristo.

+ José Traquina

 

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