Igreja Catedral

 

Nota Histórica

 

A Sé de Santarém, monumento nacional desde 1917, está integrada num magnífico e vasto edifício, de traça do arquiteto régio Mateus do Couto (tio). A vontade da sua edificação remonta ao ano de 1575, manifestada pelo arcebispo D. Jorge de Almeida; consolidou-se por volta de 1609, quando D. Duarte da Costa lhe destinou todos os seus bens, e iniciou-se, finalmente, após a efetiva doação das ruínas do Paço Real, por D. João IV, sobre as quais o colégio e igreja são construídos. A data inscrita na fachada, 1711, testemunha momento de finalização da obra da igreja, dedicada à Imaculada Conceição.

 

No seu interior, ao gosto barroco, destacam-se dois belíssimos tetos pintados: um na abóbada de berço da capela-mor, representando a Assunção da Virgem Santa Maria, executado por Luís Gonçalves de Sena, em 1754, segundo modelo de Andrea Pozzo; e outro, o teto plano que ocupa toda a nave, é uma pintura a óleo sobre madeira repleta de simbologia e iconografia relativa à Companhia de Jesus e à Imaculada Conceição, executado por volta de 1715 e cuja autoria ainda não foi possível apurar.

 

Também na nave se encontra um conjunto de oito capelas-laterais, sendo quatro delas em talha dourada, com as invocações atuais: Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora da Glória, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora da Conceição. Neste conjunto, especial destaque para a capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte, instalada em 1740, e executada por João António Bellini de Pádua, com riquíssimos mármores italianos. Para além destas, encontram-se ainda as capelas dedicadas a São Luís Gonzaga, padroeiro dos estudantes, e as de Santa Ana e São Francisco de Borja, executadas em estuque, no ano de 1755.

 

Enquadra o conjunto retabular o monumental retábulo da capela-mor, em pedraria polícroma, embutida, cujo projeto se atribui ao genovês Carlos Batista Garvo.

 

 

Com a expulsão dos jesuítas de Portugal, o edifício fica abandonado, até que, em 1780, a rainha D. Maria I, em resposta à necessidade de instalação definitiva do Seminário Patriarcal, o entrega ao Cardeal Patriarca, D. Fernando de Sousa e Silva, fim para o qual o edifício sofreu adaptações.

 

Neste ciclo se adaptaram estruturas e concluíram outras que servissem às necessidades da formação dos novos padres. Apesar de tudo, as vicissitudes da história - desde as Invasões Francesas, passando pela Revolta Liberal, e mais tarde pela Implantação da República - atribuíram ao espaço, nos hiatos da presença dos seminaristas, muitas outras funções.

 

Nos finais do século XIX e princípios do século XX, o edifício sofreu novas ocupações e desempenhou funções desde hospital a aquartelamento, coabitando ainda o Seminário com a estrutura de Liceu Nacional. Até que, em 16 de julho de 1975, no âmbito do processo de reestruturação do território do Patriarcado de Lisboa, o Papa Paulo VI, pela Bula “Apostolicae Sedis Consuetudinem” criou a Diocese de Santarém, sendo eleita como Catedral a antiga Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Colégio dos Jesuítas, então comummente conhecida por Igreja do Seminário.

Eva Neves (texto)