Profissão Perpétua da Irmã Lúcia Nunes Lucas

Torres Novas, Colégio das Irmãs de São José de Cluny, 01–11-2026

 Irmãs e irmãos

A minha saudação ao Pároco e Assistente espiritual, Padre António Vicente, à Irmã Provincial da Congregação de São José de Cluny, Irmã Maria de Fátima e extensivamente a todas as Irmãs da Congregação.

Saúdo a Irmã Lúcia Nunes e todas as Irmãs Religiosas e todos os irmãos e irmãs em Cristo.

Em dia da Solenidade de Todos os Santos aqui nos reunimos para celebrar a Eucaristia e participarmos com gratidão na Profissão Perpétuos que a Irmã Lúcia Nunes vai assumir como membro desta Congregação de Vida Consagrada.

A Congregação de São José de Cluny foi fundada em 12 de maio de 1807, em França, pela Beata Ana Maria Javouhey, fará no próximo ano 2020 anos. Dedicadas à pastoral do Ensino e à pastoral Social, quanto bem realizado no mundo pelas Irmãs de São José de Cluny!

A decisão da Irmã Lúcia Nunes confirmada pela Congregação de fazer a sua Profissão Perpétua enche-nos de alegria por reconhecermos que tal decisão supõe uma disponibilidade pessoal ao chamamento de Deus. É uma grande afirmação de Fé de resposta à vontade de Deus.  

 Irmãs e irmãos, por coincidir com o dia 1 de novembro, a Liturgia deste Domingo é própria do Dia de todos os Santos. É uma celebração que reforça o chamamento de Deus à perfeição e reforça a convicção de que muitos dos nossos irmãos que já partiram vivem na Felicidade dos Santos, mesmo sem ter havido declaração de canonização e não constarem no calendário dos Santos.

 ​O sentido de uma grande Festa litúrgica em louvor de Deus por todos os Santos, é indicativa de que só Deus sabe quem são e quantos são. ​Como escutámos na 1ªLeitura (Livro do Apocalipse 7,2-4,9-14), somos convidados a imaginar uma grande multidão, os que lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro. Quem são eles? São os cristãos batizados na morte e ressurreição de Cristo, permaneceram fieis à graça recebida, muitos foram martirizados mas estão junto de Deus.

  ​No Evangelho: (Mt 5,1-12ª) temos um cenário maravilhoso. Como novo Moisés e com novo ensinamento, Jesus sobe o Monte das Bem-aventuranças com os seus discípulos e muitas outras pessoas. Um monte com bela paisagem para o mar da Galileia. O momento é solene: Jesus proclama ali não uma lei mas o segredo da felicidade. Bem-aventurados, isto é, felizes os que têm atitudes de pobres, têm disponibilidade, espaço interior para que Deus esteja presente.

 ​Um cenário maravilhoso e uma proclamação maravilhosa. A proposta de Jesus é de felicidade, de grande sentido de realização: indica caminhos de felicidade algo estranhos para o mundo. São os critérios da felicidade que Jesus vive. É feliz aquele que é livre como Ele! É feliz a Igreja se tiver disponibilidade para atender os mais pobres. São felizes todos aqueles que fazem da sua vida um dom a partilhar para edificar um bom ambiente de vida e um mundo mais justo.

​Serão Felizes os de coração manso e puro que não se deixam levar pelo desejo de vingança. Felizes serão os que choram por falta de justiça; Deus está com eles na busca de um mundo mais justo e melhor.

 ​Nas Bem-aventuranças que proclama, Jesus partilha com os seus discípulos, e agora connosco, o seu projeto de Reino de felicidade. São felizes não os que têm muitas coisas mas os que têm um coração disponível para acolher e viver a bondade de Deus.

​Jesus é o primeiro pobre bem aventurado. A partir da sua vinda, a morada de Deus é ou pode ser a pessoa humana e onde assim acontece a realidade humana transforma-se para melhor. O Amor transforma; quando deixamos que o amor e a bondade nos habite, estaremos mais habilitados para renovar o mundo onde vivemos e construir a paz. Embora para muitos esta mensagem parece ingénua, a verdade é que é profética. Profética nosentido de ser solução para um mundo em guerra por causa das riquezas materiais.

​Apesar do dinamismo do mal espalhado no mundo, sabemos que Deus não desistiu da humanidade. Coloquemo-nos do seu lado e fixemo-nos no testemunho dos Santos. Os Santos escutaram o Evangelho, acreditaram, confiaram, celebraram e alimentaram-se da Palavra e da Eucaristia e deram testemunho de vida como cristãos, tornando presente no mundo o Amor de Deus. Os santos não nasceram santos, foram santificados pela graça de Deus e pelas decisões que tomaram.

​Como ensina São João na 2ª Leitura (1 Jo3,1-3), os Santos no céu fazem parte da Igreja e são para nós uma intercessão e exemplo de fé e de vidas purificadas e entregues em grandes causas, na alegria do Amor de Cristo. Contamos com a intercessão de todos, mas hoje especialmente por Ana Maria Javouhey, Santa Maria nossa Mãe e São José, o grande trabalhador, fiel ao projeto de Deus e padroeiro desta Congregação.

 ​Irmão Lúcia, o nosso agradecimento pelo seu testemunho. É para muitos e também para o Bispo um momento especial de alegria, de bem-aventurança. Deus lhe conceda a graça de ser uma Religiosa fiel e alegre.

+ José Traquina

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