A Assembleia Diocesana de Santarém reuniu este sábado, 3 de outubro, no espaço do antigo Convento de São Francisco, em Santarém, dando início ao novo ano pastoral 2026-2027. O encontro contou com a presença de representantes do clero, de leigos das diferentes vigararias, de congregações religiosas, secretariados, movimentos e outras realidades presentes na Diocese.
Depois da oração da manhã e da saudação de acolhimento do Padre Francisco Ruivo, Vigário Episcopal da Pastoral, tomou a palavra D. José Traquina, que apresentou uma reflexão a partir do tema pastoral deste ano: “Fiéis a Jesus Cristo”.
O tema nasce da mensagem dirigida pelo Papa Leão XIV à Diocese de Santarém por ocasião do jubileu dos seus 50 anos, celebrado em 2025, e constituiu o ponto de partida para uma reflexão sobre a fidelidade como luz e testemunho cristão num mundo que dela necessita.
O Bispo de Santarém sublinhou que aqueles que permanecem fiéis ao seu Batismo, ao Crisma, ao Matrimónio, ao Sacramento da Ordem ou à vida consagrada são, no meio do mundo, “sementes da presença de Deus”. Ao mesmo tempo, reconheceu que a infidelidade dos membros da Igreja tem contribuído para a perda de credibilidade da própria Igreja, tornando ainda mais urgente um testemunho coerente de vida cristã.
À luz da Sagrada Escritura, D. José recordou a constante iniciativa de Deus numa história marcada por alianças, nas quais o Senhor se revela fiel às suas promessas. Em Jesus Cristo, esposo fiel da Igreja, encontra-se o fundamento da esperança e a força para uma resposta fiel. “Quem permanece em mim dará muito fruto. Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5) foi uma das passagens bíblicas evocadas, apontando a permanência em Cristo como condição para que a Igreja dê fruto.
Neste caminho, a Eucaristia foi apresentada como expressão maior da fidelidade de Cristo. É nela que os cristãos encontram a fonte para permanecer fiéis à sua vocação. O Bispo apontou particularmente para a vida matrimonial, questionando onde podem os esposos encontrar força para perseverar na fidelidade: na própria fidelidade de Cristo, presente e oferecida na Eucaristia. Também aos sacerdotes foi deixado o desafio de celebrar a Missa com verdade, dignidade e fidelidade àquilo que receberam.
Os santos e os mártires, entre os quais São Francisco, foram apresentados como referências concretas de uma vida fiel. A reflexão conduziu, assim, à pergunta sobre a vida espiritual necessária para permanecer em Cristo, destacando a importância da oração pessoal e comunitária.
“Ser fiel a Jesus é cuidar da Igreja”, afirmou D. José Traquina, apresentando a Igreja como espaço privilegiado do encontro com Deus e como lugar onde cada pessoa pode fazer a experiência do maior anúncio que lhe pode ser dirigido: o próprio Jesus Cristo.
A fidelidade a Cristo foi também relacionada com a forma como a Igreja olha e serve o mundo. A opção pelos pobres, recordou o Bispo, nasce da própria opção de Jesus por aqueles que tantas vezes não são tratados com dignidade e que vivem situações de fragilidade. Da mesma forma, a preocupação pela justiça, pelo bem comum e pela casa comum não pode ser desvalorizada pelos cristãos.
A reflexão integrou ainda referências à Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV, nomeadamente à construção de uma “civilização do amor” e ao convite a sermos “tecelões da esperança”, tendo Maria como referência para este caminho.
Formação e corresponsabilidade
Após um intervalo, o Padre Francisco Ruivo retomou a palavra para fazer eco da reflexão do Bispo e apresentar alguns dos caminhos concretos para este ano pastoral.
Entre as prioridades está a formação, uma necessidade que tem sido repetidamente manifestada por sacerdotes e leigos ao longo dos últimos anos. Apesar da existência de ofertas de formação na Diocese, foi reconhecido o desafio de promover uma maior participação e adesão.
O objetivo é que cada comunidade possa encontrar respostas para fortalecer e aprofundar a fé dos seus cristãos, estando prevista a elaboração de programas de formação em cada vigararia, de acordo com as suas necessidades. Entre as áreas a privilegiar encontram-se a formação dos catequistas e a formação litúrgica, bem como o convite à leitura e aprofundamento da encíclica do Papa Leão XIV.
Outro dos desafios reforçados prende-se com a criação e implementação dos Conselhos Pastorais Paroquiais, reconhecendo a sua importância para a vida das comunidades. Estes conselhos deverão ser espaços de diálogo, escuta e discernimento, vividos num verdadeiro ritmo sinodal, onde sacerdotes e leigos possam participar e assumir, de forma corresponsável, a missão da Igreja.
Mais do que uma estrutura formal, o Conselho Pastoral Paroquial deverá ajudar cada comunidade a olhar para a sua realidade, a discernir os caminhos a seguir e a promover uma vivência mais comunitária da fé e da vida espiritual. A sua ação poderá igualmente contribuir para o acompanhamento das diferentes dimensões da vida paroquial, nomeadamente no âmbito pastoral, económico e social.
A manhã de trabalho deixou, assim, um desafio que atravessa as diferentes propostas para o novo ano pastoral: permanecer em Cristo para dar fruto. A fidelidade não é apresentada apenas como uma atitude individual, mas como um caminho que se concretiza na oração, na Eucaristia, na formação, no cuidado dos mais frágeis, na participação na vida da Igreja e na corresponsabilidade das comunidades.
Sob o olhar de Maria, chamada a ser “tecelã da esperança”, a Diocese de Santarém inicia assim um novo ano pastoral procurando responder ao convite: “Fiéis a Jesus Cristo”.