Entrevista ao EDUCRIS – Diác. Paulo Campino

Responsável diocesano faz um balanço positivo do seu trabalho no Secretariado Diocesano, marcado pela renovação catequética e pelo trabalho colaborativo.
Novo ecónomo diocesano acredita que a catequese está “em caminho” para pode “responder aos desafios da Igreja e da sociedade”.

28 anos não são 28 dias. Podia começar assim a conversa/entrevista que o diácono Paulo Campino concedeu ao EDUCRIS numa altura em que deixa de ser diretor do Secretariado Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência de Santarém.

No final de quase três décadas dedicadas à Catequese, marcadas pela “formação de catequistas”, pela “renovação dos materiais catequéticos” e pelo “trabalho desenvolvido em estreita colaboração” com o Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), o diácono de Santarém mostra-se “bem-disposto e feliz”, pelo trabalho realizado, e diz-se agradecido por “ter procurado dar o meu melhor ao serviço da evangelização”.

“Foram 28 anos de muita entrega, de muita disponibilidade, mas também foram 28 anos de muito enriquecimento”, afirma, recordando o apoio recebido ao longo do percurso, desde os “primeiros anos de formação com as Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima” até ao “trabalho conjunto desenvolvido com outras dioceses da Zona Centro”.

Ao longo deste percurso o diácono Paulo Campino acompanhou “profundas mudanças na catequese” em Portugal, desde a revisão dos catecismos até à publicação de novos documentos orientadores, a Carta dos bispos «Para que acreditem e tenham Vida», veio Catecismo da Igreja Católica, apareceu o novo Diretório, o «Catequese, a  Alegria do Encontro com Jesus Cristo.

“Houve, nestes anos, um manancial de material e, sobretudo, de renovação catequética que, naturalmente, enquanto responsável do Secretariado de Santarém procurei participar, procurei intervir, procurei dar em cada momento o meu melhor, sabendo que com lacunas mas sempre ao serviço do Reino”.

“Mais do que transmitir conteúdos, importa promover o encontro com Jesus”

Para o diácono Paulo Campino, a maior transformação registada nas últimas décadas foi a mudança de paradigma da própria Catequese.

“Hoje, mais do que dar conteúdos, é promover a intimidade, é levar ao encontro com Jesus Cristo”, sustenta, considerando que esta evolução representa um passo muito positivo para a Igreja.

Segundo o responsável, a preocupação fundamental manteve-se inalterada ao longo dos anos: anunciar o Reino de Deus e ajudar crianças e adolescentes a construir uma relação pessoal com Cristo.

“Há sempre a mesma preocupação: anunciar o Reino e ajudar a despertar estes valores do Evangelho, esta proximidade, esta intimidade com Jesus Cristo”, explicou.

Na sua perspetiva, a renovação catequética exigiu também uma profunda mudança no papel do catequista.

“O catequizando torna-se protagonista da sua própria adesão a Jesus Cristo”, afirmou, reconhecendo que esta mudança “desinstala” muitos catequistas, mas constitui o caminho que a Igreja deve continuar a percorrer.

Ao EDUCRIS o diácono Paulo Campino recorda igualmente a experiência de integrar uma equipa nacional de elaboração de materiais catequéticos, confessando que essa participação alterou a sua forma de olhar para os catecismos.

“Prometi a mim mesmo: eu não vou mais dizer mal dos catecismos”, contou, entre sorrisos, explicando que passou a compreender melhor a exigência, o rigor e a responsabilidade que estão por detrás da elaboração destes materiais, destinados a responder às diferentes realidades das dioceses e das comunidades cristãs.

Trabalho em comunhão e gratidão pelo SNEC

Ao fazer o balanço dos 28 anos de serviço o novo ecónomo da Diocese de Santarém destaca a relação de proximidade construída entre as dioceses e o Secretariado Nacional da Educação Cristã.

“Foi sempre um trabalho colaborativo, ou, como agora se diz, um trabalho sinodal”, revela.

O responsável manifesta ainda uma palavra de reconhecimento pelo apoio recebido do SNEC ao longo dos anos.

“Tenho uma grande gratidão pelo SNEC”, afirma, recordando que muitas ações de formação e iniciativas promovidas pela Diocese de Santarém só foram possíveis “graças ao apoio humano, material e financeiro do organismo nacional”.

“Pedi e dar-se-vos-á. Muitas das atividades que fizemos aconteceram fruto da generosidade do SNEC.”

Estamos sempre em caminho

Questionado sobre os desafios que hoje se colocam à catequese, o diácono Paulo Campino considera que a Igreja não pode dar-se por instalada.

“Nós estamos sempre em caminho e nunca devemos estar plenamente preparados”, afirmou.

Reconhecendo a diminuição do número de catequistas e a dificuldade em encontrar agentes preparados para o novo modelo catequético, acredita, contudo, que as comunidades continuam empenhadas em encontrar novas respostas.

“O protagonista da Catequese é o Espírito Santo”, sublinhou, defendendo que cada comunidade deve continuar a procurar formas criativas de anunciar o Evangelho.

Na sua perspetiva, o objetivo permanece inalterado: ajudar crianças e jovens a descobrir Cristo.

“Queremos que as crianças e os jovens continuem a reconhecer Jesus Cristo como o amigo que torna a nossa vida mais feliz”, afirmou.

Confiança em quem “chega” a esta missão

Na parte final da entrevista o antigo diretor do secretariado diocesano deixa uma palavra de confiança ao diácono João António Mendes Neves, escolhido por D. José Traquina para assumir a direção do Secretariado Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência de Santarém.

“Creio mesmo que é a pessoa certa para o lugar certo”, reitera.

Segundo o responsável cessante, o novo diretor reúne “as qualidades necessárias para dar continuidade ao trabalho desenvolvido,” destacando-se pela “sua disponibilidade, humildade, formação” e o reconhecimento de que goza entre os catequistas da diocese.

“Acho que o João continuará a fazer um bom trabalho na Catequese em Santarém e dará certamente o melhor de si nesta missão”, concluiu.

Entrevista e fotografia: PQ / EDUCRIS

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