O Papa alertou na sua mensagem, publicada em janeiro passado, para os riscos de uma tecnologia digital que “simula” a realidade humana, pedindo a proteção dos “rostos e vozes” contra a manipulação da inteligência artificial (IA).
“O desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico. Proteger os rostos e as vozes significa, em última análise, proteger-nos a nós mesmos”, escreve Leão XIV, na mensagem para o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebra neste domingo, 17 de maio.
No documento, divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé e enviado aos jornalistas, o Papa adverte que os sistemas de IA, ao simularem “sabedoria, conhecimento, consciência e responsabilidade”, invadem o nível mais profundo da relação entre pessoas.
“A tecnologia digital, se falharmos nessa proteção, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana que, muitas vezes, temos como assegurados”, sustenta.
Leão XIV denuncia a “confiança ingenuamente acrítica” na IA como um “oráculo”, sublinhando que o recurso sistemático a uma compilação estatística artificial, corre o risco, a longo prazo, de corroer “as capacidades cognitivas”.
A mensagem identifica ainda os perigos dos “deepfakes” e da desinformação, num cenário onde a IA pode fabricar “realidades paralelas” e apropriar-se da identidade das pessoas.
“Estamos imersos numa multidimensionalidade, onde se torna cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção”, observa.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais é a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se, em cada ano, no domingo antes do Pentecostes – 17 de maio, em 2026. Neste domingo, o ofertório em todas as celebrações, reverte na sua totalidade para os meios de comunicação da Igreja.
A mensagem para a celebração é tradicionalmente publicada a 24 de janeiro, dia da memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.
Fotografia: EPA/Lusa, Audiência do Papa Leão XIV aos jornalistas