Papa chega com voz forte à Argélia

O Papa rejeitou nesta segunda-feira que o seu magistério tenha finalidades político-partidárias e exigiu o fim das guerras, em resposta às acusações proferidas este domingo pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

“Não tenho medo da administração de Trump. Continuarei a proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, aquilo por que a Igreja trabalha. Nós não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspetiva, mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores da paz”, disse Leão XIV, no voo entre Roma e Argel, esta manhã, ao ser questionado por uma repórter norte-americana sobre as declarações do presidente dos EUA.

A conversa com os jornalistas decorreu na viagem para a Argélia, a primeira etapa do périplo africano que decorre até 23 de abril.

“Não encaro o meu papel como o de um político, não sou um político, não quero entrar num debate com ele [Donald Trumo]. Não creio que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão a fazer”, apontou o Papa.

Leão XIV revelou o desejo antigo de visitar o continente africano, destacando a ligação pessoal e histórica à Argélia, por ter sido responsável mundial da Ordem de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja que nasceu e morreu no atual território argelino, no século IV, então sob ocupação do Império Romano.

“Já no ano passado, no mês de maio, tinha dito que gostaria de fazer a minha primeira viagem a África. Outros sugeriram imediatamente a Argélia por causa de Santo Agostinho. [Estou] muito contente por visitar novamente a terra de Santo Agostinho, que oferece uma ponte muito importante no diálogo inter-religioso”, adiantou o pontífice, em declarações divulgadas pelo portal de notícias do Vaticano.

É a primeira visita de um Papa à Argélia, e Leão XIV chega com uma mensagem em favor da paz e do perdão, evocando a história “dolorosa” do país africano, “marcada por períodos de violência”.

“Recordamos que Deus deseja a paz para todas as nações: uma paz que não é apenas ausência de conflito, mas expressão de justiça e dignidade. E esta paz, que permite enfrentar o futuro com o coração reconciliado, só é possível através do perdão”, disse o pontífice, no ‘Monumento aos Mártires’ (Maqam Echahid), que evoca a luta contra a ocupação colonial francesa.

“Visitar este monumento é uma homenagem a esta história, e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação”, declarou.

Leão XIV, que recordou as suas visitas anteriores ao país como religioso agostiniano, elogiou a hospitalidade argelina e a capacidade da nação em superar períodos de violência com “nobreza de espírito”.

“É sobretudo um irmão que se apresenta diante de vós, feliz por poder renovar, neste encontro, os laços de afeto que aproximam os nossos corações”, referiu, numa intervenção em inglês, traduzida para árabe por um intérprete.

O Papa insistiu que “a verdadeira luta pela libertação só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações”.

adaptado de Agência Ecclesia

Foto: Lusa/EPA

Contacte-nos

Geral

Siga-nos

©2021 Diocese de Santarém — Todos os direitos reservados.