O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) terminou hoje o seu mandato de seis anos com um apelo à renovação pastoral contínua, apontando o período da pandemia e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) como marcos de transformação.
“Nestes últimos seis anos em que presidi a este Colégio episcopal, vivemos períodos particularmente exigentes para a Igreja e para o país. Foram anos de aprendizagem e de purificação, mas também de alento e de esperança”, disse D. José Ornelas na abertura da 214.ª Assembleia Plenária da CEP, em Fátima, encontro que fica marcado pela eleição dos novos órgãos diretivos para o triénio 2026-2029.
O bispo de Leiria-Fátima avaliou o impacto da JMJ Lisboa 2023 na estrutura eclesial e exigiu a integração permanente dos jovens nas dinâmicas católicas.
“O dinamismo e as redes de comunhão e ação que a JMJ gerou não podem perder-se. A JMJ recordou-nos que a Igreja não pode viver fechada sobre os seus ritmos habituais, como se bastasse repetir formas conhecidas”, indicou o presidente da CEP.
O responsável católico recordou as respostas solidárias desenvolvidas durante a pandemia e face a catástrofes naturais, enquadrando as recentes alterações na orgânica da Conferência Episcopal no caminho sinodal em curso.
“A reorganização das Comissões Episcopais decidida na Assembleia Plenária de novembro passado não é uma mera alteração administrativa, mas o sinal de que as estruturas só têm verdadeiro sentido quando ajudam a Igreja a responder melhor aos desafios reais do seu tempo e da sua missão”, precisou.
Sobre as eleições que marcam os trabalhos dos bispos nos próximos dias, D. José Ornelas pediu uma atitude de discernimento que ultrapasse a simples distribuição de cargos.
“Trata-se, antes de mais, de um serviço de escuta, discernimento espiritual e eclesial, que deve ser vivido em liberdade interior e em sentido de comunhão para o caminho e o serviço da nossa Igreja”, recomendou.
A CEP foi formalmente reconhecida a seguir ao Concílio Vaticano II, em 1967, com a ratificação pela Santa Sé dos primeiros Estatutos aprovados na Assembleia Plenária de 16 de maio, revistos posteriormente em 1977, 1984, 1999 e 2005; é o conjunto dos bispos das dioceses que, para melhor exercerem as suas funções pastorais, põem em comum preocupações e experiências, acertam critérios de ação e coordenam esforços.
Foto: Agência ECCLESIA/MC