Somos o que somos por uma opção livre na resposta a um desígnio vocacional: “Não fostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,1). Num ano pastoral de maior exigência de trabalho por redução do número de padres, importa refletirmos sinodalmente, escutando-nos uns aos outros e escutando também o povo de Deus das nossas comunidades, como proceder de forma correta para não cair no esgotamento, cansaço e falta de motivação para exercer o ministério. Temos a responsabilidade de avaliar a nossa dedicação pastoral e analisar se a ocupação está em excesso de tal modo que retira ao padre a alegria e a vontade de reunir e progredir em comunhão diocesana.

Porque somos discípulos de Cristo e por Ele enviados, é o exercício do ministério em comunhão de presbitério diocesano que dá sentido de Igreja à nossa vida e missão. Peço a todos a generosidade mas também a coragem para pôr limites à generosidade perigosa que faz secar a alegria da missão. Um padre sem tempo para rezar e preparar as reuniões e celebrações comunitárias, necessita de rever a sua ocupação.

Vamos trabalhar uma proposta de Estatutos para os Conselhos Pastorais Paroquiais ou Interparoquiais. Não pode ser visto como mais uma ocupação mas o modo de promover a responsabilidade dos cristãos na missão da Igreja, podermos partilhar tarefas e ganharmos tempo para assegurar a qualidade e a vida espiritual do pastor.

Por outro lado, acontece que um pastor que se afasta dos outros pastores também se afasta das suas ovelhas e há ovelhas que se queixam desse afastamento. Devemos ser prudentes mas sabendo que a razão de ser da nossa vocação é o povo de Deus nas comunidades a que presidimos e também àqueles a que não presidimos porque não aparecem mas foram consagrados filhos de Deus pelo Batismo.

A concluir cito a mensagem que o Papa Leão dirigiu a novos sacerdotes por ele ordenado: “concebei-vos, pois, a vós mesmos à maneira de Jesus! Ser de Deus – servos de Deus, povo de Deus – liga-nos à terra: não a um mundo ideal, mas ao real. Como Jesus, são pessoas de carne e osso que o Pai coloca no vosso caminho. Consagrai-vos a elas, sem vos separar delas, sem vos isolardes, sem fazer do dom recebido uma espécie de privilégio. (…) «O Espírito Santo constituiu-vos guardiães» (At 20, 28). Não senhores, mas guardiães! A missão é de Jesus! Ele ressuscitou, portanto está vivo e precede-nos. Nenhum de nós é chamado a substituí-lo. (…) Juntos, pois, reconstruiremos a credibilidade de uma Igreja ferida, enviada a uma humanidade ferida, no seio de uma criação ferida. Ainda não somos perfeitos, mas é preciso ser credível!”

+ José Traquina

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