A Paróquia de S. Nicolau propôs à comunidade a realização de alguns encontros bíblicos dando-lhe título de “Bíblia às sextas”, versando estes encontros sobre o evangelho de Mateus, evangelista que iremos escutar ao longo deste ano litúrgico.
Realizou-se na sexta feira, 16 de Janeiro o primeiro encontro no Salão de S. Nicolau com o tema “O Programa de Jesus para todos (Mt 5-7)”.
Foi importante neste primeiro encontro traçar algumas características do evangelho de Mateus para se perceber melhor o conteúdo dos vários discursos de Jesus.
Começou-se por referir que o evangelho de Mateus se dirige a uma comunidade judaico-cristã. Era uma comunidade conhecedora das Escrituras, das práticas judaicas, ao contrário do que se verifica no evangelho de Marcos (cf. Mc 7).
O projeto de Mateus inicia-se com um elemento simbólico: o monte. Peguemos apenas em dois exemplos (embora tenhamos outros): o início do discurso da montanha (ou discurso programático) mostra-nos Jesus subir ao monte “Ao ver as multidões, subiu ao monte…” (5,1) e no final do evangelho “Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte queJesus lhes tinha designado” (Mt 28,16), o que liga Jesus às tradições do Antigo Testamento, ao monte Sinai e assim evidencia Jesus como o “novo Moisés”. Jesus é Aquele que “dá cumprimento”, isto é “pleno significado” a todas as tradições do Antigo Testamento “Não penseis que vim abolir a Leimou os profetas. Não vim abolir, mas cumprir”. (Mt 5,17).
Uma outra ideia relevante deste evangelho é que não se trata de um evangelho querigmático ( isto é, anúncio inicial da fé), mas antes um evangelho catequético estruturado em cinco disursos ou catequeses:
O discurso programático ou da montanha (Mt 5-7); o discurso missionário (Mt 10); o discurso em parábolas (Mt 13); o discurso eclesial (Mt 18) e o discurso escatológico (Mt 24-25).
O primeiro discurso que foi objeto de reflexão neste nosso primeiro encontro começa por referir de forma solene que “Jesus subiu ao monte”, aparentemente parece que Jesus se quer afastar das multidões, mas a resposta vamos encontrá-la no final deste discurso, concretamente em 7,28 “aconteceu então que, quando Jesus acabou de dizer estas palavras, as multidões estavam perplexas com o seu ensinamento”. Portanto não é um discurso apenas dirigido aos discípulos mas também às multidões.
Depois do enquadramento do discuro Jesus apresenta as Bem-Aventuranças. Estamos diante de um anúncio e proposta de felicidade, central em toda a Bíblia. As bem-aventuranças naõ são imperativos, mas declarações que revelam o retrato do homem ideal. É o “cartão ideal do homem do Reino”.
As bem-aventuranças não são leis, mas antes indicações de comportamento, uma escolha de vida, uma opção de caminho de pertença ao Reino dos Céus.
Em Mt 6 Jesus confronta os seus ouvintes com três obras de piedade típicas da sabedoria de Israel (jejum, oração e esmola). Jesus alerta os seus ouvintes para o perigo da hipocrisia, mas que estas obras sejam caminho para a perfeição:” Portanto, sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).
Na última parte deste discurso Jesus saleinta um conjunto de preceitos, tocando os mais variados aspetos da vida quotidiana. Aponta-nos aspetos da nossa relação com Deus, da nossa realção com o próximo e da realção connosco mesmos.
A riqueza deste discurso de Jesus conduz-nos a um outro de grande intensidade. O dicurso missionário (Mt 10).
Vai ser objeto de estudo de reflexão na próxima sexta feira, dia 23 de Janeiro.
Convido-vos a aparecerem para um momento de encontro com a Palavra de Deus.
Pe. Francisco Ruivo