Na sequência do temporal das últimas semanas, que afetou em particular a região Centro, nós fomos ouvindo queixas de sentimento de abandono e há mesmo quem garanta que na sequência do que se está a passar já há empresas na região de Leiria, por exemplo, a avançar com despedimentos. Temos ouvido de forma insistente a Igreja fazer apelos a que ninguém fique para trás, mas a realidade vai-nos dizendo que há mesmo o risco do aumento das injustiças por força dos temporais?
Pode acontecer de tudo, mas eu tenho esperança de que na medida em que o tempo ganha estabilidade, vai também ajudar as pessoas a criar esperança. Repare que estivemos muitos dias com chuva e com vento e que não dava espaço para nos animarmos a reerguer, e arranjar o que ficou danificado. E com a agravante de haver pessoas a morrer por estarem a tentar arranjar os seus telhados. Esse tempo está agora a mudar para melhor, estamos com um pouco mais de estabilidade porque o sol ainda não apareceu com aquela força que gostamos e desejamos, mas isso vai por certo animar.
Nós para termos mais ânimo, mais esperança, precisamos também ter este apoio da natureza, sem mais chuva, sem tanto vento. Depois disto também esperamos e contamos, de facto, com a atenção dos respetivos ministérios para erguer aquilo que caiu. E isso passa pelo património das empresas, porque as empresas fazem falta, não só para quem trabalha porque é mesmo necessário, mas também para o país.
Portanto, não é uma esmola, é mesmo a necessidade de resolver um assunto de futuro.
É mesmo uma questão de justiça?
É uma questão de justiça, é mesmo necessário. Eu tenho esperança que os industriais e os empresários não desistam e coloquem a esperança nas portas certas para erguer o seu estabelecimento, a sua empresa. As informações que são dadas é que haja justiça, isto é, não estejam a pedir coisas por oportunismo. Isto não faz sentido, devemos ser justos. Quem vai justificar que a empresa deixou de ter condições para fazer o que fazia, e que isso é importante para a população e para a economia do país, com certeza que há de ter uma resposta da parte de quem governa.
Mas também não cria a esperança, o facto de se sentir quem está quase sem nada, ouvir agora esta ameaça de perder o emprego, não é?
Pode-se perder o emprego por meses, ou pelo tempo que for necessário para se erguer uma estrutura; isso pode acontecer. A pessoa recebe menos, mas tem de receber o suficiente para subsistir. Esta é uma medida que já foi aconteceu no passado recente, e existe para que as pessoas não desistam do seu local de trabalho.
Entrevista completa conduzida por Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
Foto: Ricardo Perna