O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana assumiu ser favorável à regionalização para resolver estruturalmente os problemas do país, tendo como pano de fundo o impacto das recentes tempestades.
“Para resolver grandes problemas, para resolver estruturalmente as regiões, é preciso uma governação intermédia”, explicou D. José Traquina, em entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e à Renascença, emitida e publicada este domingo.
O bispo de Santarém deu como exemplo o trabalho desenvolvido a nível local, face às consequências do mau tempo na região Centro.
“Sobre essa matéria, quero dizer de caras que sou favorável à regionalização. Eu penso que as câmaras municipais fazem um bom trabalho”, declarou o responsável católico.
O prelado justificou esta necessidade com a urgência de criar respostas de proximidade mais eficazes.
Sobre a possibilidade de um novo referendo para decidir a matéria, o entrevistado validou essa via de consulta pública.
“Porventura. Se isso é preciso para tomar uma decisão, que se faça, sim senhor”, acrescentou.
O combate à pobreza em Portugal constituiu outro dos temas centrais da conversa, perante os dados que indicam a exigência de cinco gerações para quebrar o ciclo de exclusão.
“Bem, falha a dedicação suficiente. Não basta só que o estudo da realidade seja feito, mas requer-se uma vontade expressa de quem governa o país”, sustentou D. José Traquina.
A aposta no desenvolvimento das novas gerações apresenta-se como a principal solução para inverter este cenário social.
“Penso que é necessário começar pelo princípio e cuidar muito das crianças, dos adolescentes e dos jovens, para termos um futuro que dê resultados diferentes no que diz respeito à pobreza”, sublinhou.
A reconstrução das zonas afetadas pela depressão meteorológica levanta a urgência de mão de obra, um fator determinante no debate sobre o acolhimento de cidadãos estrangeiros.
“Os migrantes fazem falta a Portugal, isto está provado, é óbvio que fazem”, garantiu o bispo de Santarém.
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana vincou a evidência desta realidade no atual contexto económico.
“Nós estamos num momento da história de Portugal em que são precisas pessoas aqui a trabalhar”, observou.
A organização destes fluxos migratórios exige a ação e o acompanhamento das autoridades competentes.
“Temos de exigir a legalidade das pessoas e o controlo”, alertou.
Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
Foto Agência ECCLESIA/PR