O Papa presidiu no passado dia 18 de fevereiro, em Roma, à Missa de Quarta-feira de Cinzas, falando de uma “pedagogia penitencial” da Quaresma que se aplica ao contexto atual de conflitos globais e crises ambientais.
“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas”, alertou, evocando o 60.º aniversário do Rito das Cinzas celebrado por São Paulo VI, após o Concílio Vaticano II.
Na homilia da celebração a que presidiu na Basílica de Santa Sabina, na capital italiana, o Leão XIV defendeu que o mal deve ser enfrentado com um “corajoso assumir de responsabilidades” pessoal e coletivo.
“Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar”, advertiu o pontífice.
O Papa falou da Igreja como “como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados”.
”É claro que o pecado é sempre pessoal, mas ele ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que nos condicionamos mutuamente, muitas vezes dentro de autênticas ‘estruturas de pecado’ de ordem económica, cultural, política e até religiosa.”
Leão XIV aludiu a uma atitude “contracorrente” de quem reconhece os próprios pecados, ou seja, “reconhece que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas que tocou os corações, que está dentro da própria vida e que deve ser enfrentado com um corajoso assumir de responsabilidades”.
A homilia sublinhou que reconhecer os erros é uma opção “honesta e atraente”, contrastando com a tendência de se declarar “impotente diante de um mundo em chamas”.
“É já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos”, afirmou perante cardeais, bispos, monges e fiéis que o acompanharam desde a igreja de Santo Anselmo, em procissão penitencial.
Leão XIV destacou a sensibilidade das novas gerações para este tempo litúrgico, referindo que muitos jovens percebem que “é possível um modo de vida mais justo” e que existem responsabilidades pelo que não funciona no mundo.
“Compreendamos, pois, o alcance missionário da Quaresma, não para nos distrairmos do trabalho em nós mesmos, mas para o abrirmos a tantas pessoas inquietas e de boa vontade, que procuram caminhos para uma autêntica renovação de vida, no horizonte do Reino de Deus e da sua justiça”, recomendou, antes do rito de imposição das cinzas.
A Quaresma é o período de quarenta dias de preparação para a Páscoa, centrado na oração, no jejum e na caridade, que em 2026 culmina com a celebração da ressurreição a 5 de abril.
📷 Lusa/EPA
adaptado de Agência Ecclesia