Formação Permanente do Clero em Santarém

A Formação Permanente do Clero de Santarém, marcada para esta terça e quarta-feira, no Centro Pastoral Diocesano, foi marcada pela conferência sobre “A Igreja no mundo de hoje, 60 anos depois do Concílio Vaticano II”.

O padre José Frazão Correia, jesuíta, conduziu a sessão, depois da oração de hora intermédia e da palavra de acolhimento realizadas pelo nosso Bispo D. José Traquina, e pelo vigário episcopal para a pastoral, Pe. Francisco Ruivo.

O conferencista refletiu sobre as formas e a força do Evangelho que no tempo em que vivemos, sofrem o desafio da comunicação para o mundo contemporâneo. “Não há Evangelho sem formas, mas não há nenhuma forma que reivindique ser mais forte que a fonte que o Evangelho é”, afirmou. “Não é uma época de mudança mas uma mudança de época”, lembrou, citando o Papa Francisco num encontro em Florença, no ano de 2015.

“O mundo em que vivemos, em constante mutação, exige que o enfrentemos, juntos, como um desafio, não com muros e resistências porque seria pouco produtivo. O vinho novo pede odres novos. Não se trata de esquecer a herança, mas reconhecer que o passado não tem todas as respostas para o nosso presente”, afirmou.

“O passado responde a todas as questões do presente? Não podemos pensar assim. Não basta viver a mudança, e depois permanecer como se era antes. Não podemos apagar ou simplesmente ultrapassar as mudanças que vão surgindo. Podemos cair nos lamentos do que vamos perdendo, que está tudo perdido, mas isto provavelmente não nos vai levar muito longe. O cultivo da Tradição, sem discernimento e apenas de uma forma exterior, leva-nos ao imobilismo, à estagnação da vivência da fé e à autorreferencialidade”, afirmou o padre José Frazão Correia. 

O orador fez ainda uma leitura, breve mas esclarecedora, dos quatro principais documentos do Concílio Vaticano II, afirmando algumas das resistências na adesão total que, o clero e os fiéis deveriam acolher de riqueza deste momento grande da vida da Igreja, ainda tão pouco aprofundado.

“Precisamos de ler o Evangelho como se fosse a primeira vez. Não o podemos ler sem a Tradição. A doutrina “tem carne macia” (Papa Francisco), porque Jesus é a doutrina. E a Jesus nós chegamos pelo Evangelho. Deus não se esgota em palavras, ritos, leis, formas de arte ou arquitectura, que possamos utilizar ou dizer. Claro que precisamos de O dizer na linguagem humana, mas Ele excede tudo isso. Precisamos de um contacto novo com o Evangelho, como se fosse a primeira vez, com o que isso implica, e olhar a experiência humana para acolher nela a realidade sempre dinâmica, no que é parcial e contraditório em nós. Acolher sempre, porque foi o que Jesus fez e pediu aos seus discípulos, a nós hoje também, e propôr caminho novo. É na carne que Deus se continua a revelar. Precisamos de uma nova abordagem, para ler a “realidade real” e não cair no abstracto junto daqueles que encontramos”, pediu.

“Encorajamos os cristãos a ler o Evangelho? Como é possível tanto desconhecimento? O que nos diz hoje o Senhor para as questões actuais dos migrantes? Precisamos de adultos que consigam ler o Evangelho e com palavras que reflitam, sem abstrações, na vida concreta. Sabemos os métodos mas as reflexões, sínodos, assembleias, só têm consequência se há uma escolha. Os processos eclesiais honestos que não geram uma eleição/escolha, não cumprem o seu papel.”

O sacerdote jesuíta, esteve disponível ainda para o diálogo com o clero da nossa Diocese, convidando os presentes a colocar a lente do mundo de hoje, numa sociedade pluralista, e em constante mudança. “Não condenando o mundo, mas conversando com ele”, concluiu.

Depois do almoço, o programa prossegue com o lançamento de trabalho de grupos, às 14h30, seguindo-se um plenário (15h45) e a oração de vésperas, com que se concluirá o dia.

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