O Papa encerrou na manhã do dia 6 de janeiro o Jubileu da Esperança, no Vaticano, desafiando os católicos a uma atitude de acolhimento de quem procura respostas de espiritualidade, para evitar que as suas comunidades se reduzam a “monumentos”.
“É bom sermos peregrinos de esperança. E é bom continuar a sê-lo, juntos! A fidelidade de Deus continuará a surpreender-nos. Se não reduzirmos as nossas igrejas a monumentos, se as nossas comunidades forem casas, se resistirmos unidos às seduções dos poderosos, então seremos a geração da aurora. “, declarou, na homilia da Missa da solenidade da Epifania.
“Há vida na nossa Igreja? Há espaço para o que está a nascer? Amamos e anunciamos um Deus que nos põe novamente a caminho?”, acrescentou.
A celebração começou no átrio da Basílica, onde o Papa cumpriu o rito de fechar os batentes de bronze da Porta Santa, a última ainda aberta em todo o mundo, num gesto simbólico.
Antes de fechar pessoalmente as duas grandes portas, Leão XIV rezou de joelhos, em silêncio, e proferiu a fórmula de agradecimento pelo Ano Santo: “Fecha-se esta Porta Santa, mas não se fecha a porta da tua misericórdia”.
Já no interior da Basílica, perante milhares de fiéis, a homilia do Papa centrou-se na figura dos “peregrinos de esperança”, recordando os mais de 33 milhões de pessoas que, segundo dados do Vaticano, acorreram a Roma ao longo do último ano.
“Milhões deles atravessaram a soleira da Igreja. E o que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhimento?”, questionou Leão XIV.
O pontífice sublinhou que o “homo viator” (homem a caminho) desafia a Igreja a acolher esse “dinamismo” de novidade, contrapondo a atitude dos Magos à do rei Herodes, cujo medo de perder o poder o “cega”.
“Amar a paz e procurá-la significa proteger o que é santo e, por isso mesmo, nascente: pequeno, delicado, frágil como uma criança. À nossa volta, uma economia distorcida tenta tirar proveito de tudo. Vemo-lo: o mercado transforma em negócios até mesmo a sede humana de procurar, viajar e recomeçar”, advertiu o Papa.
A intervenção realçou que, tal como as figuras do Oriente que vieram adorar o Menino Jesus, segundo o relato do Evangelho, hoje há pessoas que aceitam “o desafio de arriscar cada um a própria viagem, que num mundo conturbado como o nosso, sob muitos aspetos repulsivo e perigoso, sentem a necessidade de partir, de procurar.”
Leão XIV desafiou os católicos a fugir da “eficiência que reduz tudo a um produto e o ser humano a um consumidor”.
“Como é importante que quem atravessa a porta da Igreja sinta que o Messias acaba de nascer ali e que ali se reúne uma comunidade na qual surgiu a esperança e que ali está a acontecer uma história de vida”, indicou.
O 30.º Ano Santo da Igreja foi aberto por Francisco (24 de dezembro de 2024), e encerrado pelo seu sucessor, Leão XIV, algo que não acontecia há 250 anos.
O encerramento das celebrações decorreu de forma faseada: as Portas Santas das outras basílicas papais (Santa Maria Maior, São João de Latrão e São Paulo fora de Muros) foram fechadas nos últimos dias de dezembro.
Nos próximos dias, técnicos da Fábrica de São Pedro vão construir uma parede de tijolos no interior da Basílica para selar a Porta Santa.
Nesta alvenaria será inserida a tradicional cápsula metálica (capsis), contendo o relatório de encerramento, as moedas cunhadas durante o Ano Santo e as chaves da porta, que só voltará a ser aberta no próximo Jubileu.
adaptado de Agência Ecclesia
📷 Lusa/EPA