“Que ninguém se perca! Que todos sejam salvos!“ – Papa Leão XIV

Leão XIV alertou neste domingo 14 de dezembro, para o drama da “sobrelotação” prisional e pediu que o cumprimento da pena garanta sempre uma oportunidade de “reabilitação” e esperança.

“Os problemas a enfrentar são muitos. Pensemos na sobrelotação das prisões e no compromisso, ainda insuficiente, para garantir programas educativos estáveis para a reabilitação e oportunidades de trabalho”, afirmou, na Missa do Jubileu dos Reclusos, que reuniu milhares de pessoas na Basílica de São Pedro.

Citando a bula de proclamação do 27.º jubileu ordinário da história da Igreja Católica, intitulada ‘Spes non confundit’ (A esperança não desilude), assinada por Francisco, Leão XIV uniu-se ao apelo do seu antecessor por “formas de amnistia ou de perdão da pena, que ajudem as pessoas a recuperar a confiança em si mesmas e na sociedade e oferecer a todos oportunidades concretas de reinserção”.

“Estou confiante de que, em muitos países, se dará seguimento ao seu desejo”, acrescentou

O Papa dirigiu-se aos detidos e aos responsáveis pelo sistema prisional, que convidou a ser “agentes de justiça e caridade”, reconhecendo que esta missão “não é fácil”.

“A misericórdia não é fechar os olhos ao mal, mas dar a força para mudar. Ninguém deve ficar refém do seu passado”, sustentou.

A celebração na Basílica de São Pedro reuniu reclusos, familiares, funcionários prisionais, voluntários, forças de segurança e administração penitenciária, com o Papa a insistir que a esperança deve atravessar os muros das prisões.

Uma delegação da Pastoral Penitenciária em Portugal participa em Roma, desde sexta-feira, no Jubileu dos Reclusos, integrando um grupo de 6000 peregrinos de 90 países, que levaram consigo as “dores e esperanças” das prisões.

A iniciativa constitui o último grande evento do Ano Santo, antes do seu encerramento (6 de janeiro de 2026).

Sobre o aproximar do final do ano jubilar, o Papa Leão XIV, declarou na homilia: “Ao aproximar-se o encerramento do Ano Jubilar, devemos reconhecer que, apesar do empenho de muitos, ainda há muito a fazer neste sentido, mesmo no mundo carcerário, e as palavras do profeta Isaías que ouvimos – «os que o Senhor libertar […] chegarão a Sião entre cânticos de júbilo» (Is 35, 10) – recordam-nos que Deus é Quem resgata e liberta, e soam como uma importante e exigente missão para todos nós. É certo que o cárcere é um ambiente difícil, onde mesmo os melhores propósitos podem encontrar inúmeros obstáculos. Contudo, precisamente por isso, não devemos cansar-nos nem desanimar ou recuar, mas avançar com tenacidade, coragem e espírito de colaboração. Com efeito, muitos ainda não compreendem que depois de cada queda deve ser possível levantar-se, que nenhum ser humano se reduz ao que fez e que a justiça é sempre um processo de reparação e reconciliação.”

E ainda: “Por isso, acima de tudo, é importante olhar para Jesus, para a sua humanidade e para o seu Reino, no qual «os cegos veem e os coxos andam, […] e a Boa-Nova é anunciada aos pobres» (Mt 11, 5), recordando que, se às vezes estes milagres acontecem por intervenções extraordinárias de Deus, com mais frequência se encontram confiados a cada um de nós, à nossa compaixão, à atenção, sabedoria e responsabilidade das nossas comunidades e instituições.”

Leia a homilia na íntegra, aqui.

📷 Vatican News

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