Com a Catedral fechada, o Bispo diocesano celebrou a Páscoa de 2020
Sé de Santarém
Homilia (sem assembleia de fiéis)
Irmãos
A Vigília Pascal é o coração do Tríduo Pascal e o ponto alto de todo o Ano Litúrgico da Igreja. Por isso, não é suposto que seja celebrada sem a participação dos fiéis reunidos em assembleia. Mesmo assim, a Vigília Pascal tem a força sacramental da graça que não podemos desperdiçar e que é extensiva a quem acompanha com fé em suas casas.
Com as Leituras da Palavra de Deus contemplamos nesta Vigília os marcos importantes da História da Salvação, momentos especiais da intervenção de Deus na História do seu povo.
Com a Luz de Cristo, retomamos e interpretamos a criação do mundo. Foi o que ouvimos no Livro do Génesis, sabendo que, com CristoRessuscitado, tudo é renovado: é a nova criação.
Escutámos no Livro do Êxodo como Deus exerceu o seu poder libertador em relação ao seu povo escravizado no Egito. Hoje, afirmamos CristoRessuscitado, e n’Ele a força de Deus libertadora de todo o mal e da própria morte.
No Profeta Isaías encontramos o convite que é feito ao povo para que se converta e tenha vida, escutando Deus que é refúgio e misericórdia. Com o Profeta Ezequiel, vemos a promessa da renovação que Deus vai realizar a partir do coração e do espírito de cada pessoa.
É em Cristo que a História de Salvação atinge a sua plenitude. Não é mais uma promessa profética, mas a realização de todas as promessas antigas.
A Vigília Pascal celebra a Salvação operada por Cristo com a sua paixão, morte e ressurreição; atualiza a Páscoa, a passagem de Cristo deste mundo para o Pai.
Com toda a beleza litúrgica que contém, a celebração da Vigília Pascal atualiza, para nós, a graça espiritual da renovação interior, com maior confiança força interior e sentido para a vida. Por esse motivo, no meio das trevas, afirmamos com Fé: o Senhor Ressuscitou. Aleluia. É uma Luz que se acolhe e expande!
Num tempo complicado como este que o mundo está a viver, as Palavrasdo Evangelho dão alento. Guardemos as últimas do Evangelho desta Vigília, ditas por Cristo Ressuscitado às mulheres que tinham ido ao sepulcro: “Não temais. Ide dizer aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão” (Mt 28,10). Quer dizer que Cristo ressuscita para o Pai, mas também para a comunidade dos seus irmãos. Esta comunidade é claramente a Igreja do Cristo que tem a missão de testemunhar a sua Ressurreição e viver no seu Amor fraterno.
Vamos de seguida fazer memória da primeira Páscoa em que participámos, com o nosso Batismo, renovando as nossas promessas batismais. Fazemos, também, memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo quando celebramos no altar a liturgia eucarística. Depois, temos cinquenta dias para continuar a celebrar esta grande Solenidade: é o Tempo Pascal. Será um tempo para testemunhar a Fé, em fraternidade familiar, em cuidados de uns para com os outros, em atenções a todos, sem esquecer as pessoas mais idosos, agora mais isoladas.
Que este tempo litúrgico da Páscoa que esta Vigília inaugura, seja sinal de boa profecia para o mundo em que vivemos. Haja passagem, progressão de condições para que seja possível trabalhar, conviver, em liberdade responsável, com alegria e paz.
+ José Traquina