Discurso à Cúria
O Papa Francisco disse no passado dia 21 no Vaticano que o Natal se torna presente nos mais pobres, evocando os migrantes que perderam a vida a atravessar o Mediterrâneo.
“Não nos esqueçamos que o Menino deitado no presépio tem o rosto dos nossos irmãos e irmãs mais necessitados, dos pobres que são os privilegiados deste mistério”, referiu, no encontro anual com os responsáveis da Cúria Romana, para a troca de votos natalícios.
Francisco desejou que a troca de votos natalício seja uma oportunidade para acolher o mandamento do amor, a Deus e ao próximo.
“Jesus não nos pede para O amarmos a Ele em resposta ao seu amor por nós; mas, sim, para nos amarmos uns aos outros com o seu próprio amor. Por outras palavras, pede-nos para sermos semelhantes a Ele, porque Ele Se fez semelhante a nós”, precisou.
A intervenção citou ainda o santo cardeal Newman, canonizado em outubro, sobre o Natal: “Este é o tempo da inocência, da pureza, da mansidão, da alegria, da paz”.
A reflexão sobre a reforma da Cúria Romana, que dominou o encontro, abordou o trabalho do novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, observando que não estão em causa “apenas de questões sociais ou migratórias, mas pessoas humanas, irmãos e irmãs que hoje são o símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada”.
A Igreja Católica, referiu o Papa, “está chamada a testemunhar que, para Deus, ninguém é «estrangeiro» nem «excluído»”.
“Está chamada a despertar consciências adormecidas na indiferença perante a realidade do Mar Mediterrâneo que se tornou para muitos, demasiados, um cemitério”, apelou. Francisco sublinhou que a fé em Deus une todos os seres humanos como irmãos.
“O Evangelho não cessa de trazer a Igreja à lógica da encarnação, a Cristo que assumiu a nossa história, a história de cada um de nós. Isto lembra-nos o Natal”, declarou.
Adaptado de Agência Ecclesia