Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria
Homilia da celebração que decorreu este domingo na Sé de Santarém, presidida pelo nosso bispo

Irmãos

 

            Com este título da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, evocamos a Padroeira da nossa Catedral e da nossa Diocese. Este ano, o dia 8 de Dezembro coincide com o Domingo. Por um privilégio litúrgico autorizado por razão de se tratar da Padroeira de Portugal, omitem-se as orações do II Domingo do Advento, para dar lugar às orações da Solenidade da Imaculada Conceição.  Mas, Nossa Senhora não prejudica a vivência do Advento, antes, reforça-o, pois é ela quem melhor vive a esperança cristã que celebramos no Advento.

 

            Com esta Solenidade, unimo-nos a toda a Igreja, dando glória a Deus por ter preservado do pecado a Virgem Maria, desde a sua conceção. Há quem considere excessivo o zelo da Igreja no culto à Virgem Maria, porém, é necessário reconhecer que não se trata de uma vocação comum: faz parte dos desígnios de Deus na missão única de ser a Mãe do Salvador.

 

            As orações desta Missa acentuam o motivo desta solenidade: Deus preservou-a de toda a mancha do pecado original. O que é o pecado original?

            A primeira Leitura do Livro do Génesis, refere que foi Adão e Eva que pecaram. O significado de Adão e Eva é homem e mulher, portanto, trata-se de um pecado cometido nas origens da humanidade que contrariou o projeto de Deus Criador e afetou a natureza humana.

            Por esta razão, todos precisamos da graça divina dada por Cristo no Batismo para que a marca do pecado original seja superada. Isto justificou e continua a justificar o Batismo das crianças: a criança não cometeu nenhum pecado, mas se nela existe essa marca na sua natureza, que seja superada pela graça de Deus.

            Afirmamos, assim, que Nossa Senhora não foi atingida pela mancha do pecado que se transmite na natureza humana, de geração em geração.

 

            Esta solenidade, porém, leva-nos a outra consideração: Deus não desistiu da sua criatura humana, apesar das desobediências e injustiças praticadas. E para vir ao seu encontro, prepara e envolve uma das suas criaturas: a Virgem Maria. Conforme ouvimos no Evangelho, ela disse Sim e é totalmente envolvida no projeto de Deus. Foi há dois mil anos, mas o seu envolvimento continuou; se primeiro foi chamada para ser Mãe de Jesus, depois foi chamada por Jesus, para ser Mãe dos seus discípulos.  

 

            Como escreveu o Santo Padre Papa Paulo VI: “Na Virgem Maria, de facto, tudo é relativo a Cristo e dependente d'Ele: foi em vista d'Ele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos. A genuína piedade cristã, certamente, nunca deixou de pôr em realce essa ligação indissolúvel e a essencial referência da Virgem Maria ao divino Salvador” (Marialis Cultus 25).

 

            No mundo inteiro, milhões de cristãos repetem todos os dias a saudação do Anjo: “Avé (Maria) cheia de graça”. Esta afirmação orante da Igreja, é o perene reconhecimento da eleição que Deus fez da Virgem Maria desde a sua conceção, escolhendo-a e atribuindo-lhe, por antecipação e em plenitude, toda a graça da nova criação que havia de resultar da obra de Cristo com a sua Páscoa.

 

            Com a vinda de Cristo ao mundo, pela ação atuante do Espírito Santo, temos a nova criação. O mundo recomeça de novo e a primeira figura humana, que nos é dada como referência, é a Virgem Santa Maria. É ela a Mulher nova, a nova Eva, cheia da graça e da beleza de Deus.

 

            Neste Ano Pastoral, temos a virtude da humildade como referência para a nossa vida cristã. Reconheçamos esta virtude na Virgem Santa Maria, Senhora Conceição, nossa Padroeira. Ela é a jovem humilde que se coloca sob o olhar de Deus, deixa-se amar por Deus e n’Ele confia a sua vida. Ela é humilde serva do Senhor, exulta de alegria e entrega-se numa atitude de Fé confiante, apesar de desconhecer o caminho que há de trilhar. A humildade permitiu-lhe disponibilidade, tempo e espaço interior para Deus.

 

            Celebramos a Eucaristia, deixemo-nos olhar por Deus. Tocados pela mesma graça da Virgem Mãe Imaculada, digamos o nosso Sim confiante e disponhamo-nos a acolher Aquele que, por amor, persiste em renascer como luz na vida dos cristãos e de toda a Igreja, para bem do mundo.

 

+ José Traquina

Segunda, 9 de Dezembro de 2019