Presidente da Conferência Episcopal alerta para agravamento da crise

Presidente da Conferência Episcopal alerta para agravamento da crise
200ª Assembleia plenária da CEP terminou esta quinta-feira, em Fátima

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse esta quinta-feira em Fátima que as instituições católicas registaram um “acréscimo muito grande” de pedidos de ajuda, para pagar contas domésticos.

D. José Ornelas falava no final da 200ª Assembleia Plenária dos bispos católicos, que decorreu em Fátima desde segunda-feira, prevendo que a situação se venha a agravar com o fim das moratórias.

“Certamente, não vai melhorar para o futuro”, advertiu.

O responsável apelou ao reforço dos apoios às IPSS, por parte do Estado, incluindo o Ministério da Saúde.

O comunicado final da Assembleia Plenária manifestava a preocupação de todos os bispos pela sustentabilidade das instituições de solidariedade social.

“A epidemia tornou evidente que, além do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, devem poder contar com o apoio logístico e financeiro do Ministério da Saúde”, defende a CEP.

Para o presidente do episcopado, esta questão é “muito séria”, que se agrava com as despesas suplementares com o combate à pandemia e os equipamentos de proteção individual.

“O apoio necessário ficou muito aquém” das necessidades acrescidas, indicou.

O bispo de Setúbal referiu-se em particular à situação dos lares, que recebem pessoas “cada vez de maior idade” e com situação de saúde mais degradada, tornando-se “praticamente, casas de cuidados paliativos”.

Segundo o bispo de Setúbal, a evolução destas situações não está refletida no financiamento às instituições, levantando uma “questão crucial” para o futuro dos “cuidados continuados e paliativos” em Portugal.

“Temos de repensar os modelos das pessoas, dos custos”, apontou.

O presidente da CEP realçou que esta não é só uma questão financeira, sendo necessário repensar o modelo de assistência.

D. José Ornelas admitiu o impacto da suspensão das celebrações comunitárias na vida das paróquias e na sua ação de solidariedade, com “muitas situações, pelo país fora”, de dificuldade em cumprir os compromissos assumidos.

“A pandemia atingiu-nos as todos”, assumiu.

O bispo de Setúbal destacou, também, o aumento da solidariedade, que procurar ir ao encontro destas situações de “insolvência”.

JMJ Lisboa 2023

D. José Ornelas assume intenção de « diálogo, abertura, acolhimento», para lá das fronteiras da Igreja Católica

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse em Fátima que a próxima Jornada Mundial da Juventude (ECCLESIA), que Lisboa recebe no verão de 2023, quer ser aberta a “todos os jovens”.

“As jornadas são uma organização da Igreja Católica, por iniciativa do Papa, para os jovens. Quereríamos muito que não fossem só jovens católicos e que fossem outros, porque assim é que a Igreja cumpre a sua missão”, referiu D. José Ornelas aos jornalistas, no final da 200ª Assembleia Plenária do episcopado.

Durante os trabalhos, indica o comunicado final, os bispos foram informados sobre o andamento de preparação da JMJ 2023, com a presença do secretário-executivo da iniciativa, Duarte Ricciardi.

O presidente da CEP admitiu que o evento está “em constante avaliação”, recordando que já foi tomada a decisão de adiar a jornada do verão de 2022 para 2023.

“Foi uma medida realista”, acrescentou.

Para o bispo de Setúbal, fundamental é a “concentração dos jovens”, procurando adaptar o programa “às necessidades e condições” que existirem.

O responsável católico destacou o convite à participação de todos, numa atitude de “diálogo, abertura, acolhimento”.

“É uma tradição das jornadas, de estarem abertas”, precisou.

D. José Ornelas falou de uma “jornada da juventude, para a juventude e de anúncio à juventude”, com atenção às “periferias”.

O presidente da CEP falou, a respeito do impacto da pandemia, da necessidade de garantir que todos são vacinados.

“Precisamos todos de pensar, sentir e agir a nível geral, mundial”, apelou, sublinhando que “se ficar um país para trás, isso vai custar caro, no futuro”.

A escolha de Lisboa como primeira cidade portuguesa a acolher uma edição internacional da JMJ aconteceu há dois anos, no dia 27 de janeiro de 2019, no Panamá.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

As edições internacionais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

Adaptado de Agência Ecclesia

Quinta, 15 de Abril de 2021