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D. José Traquina - Avaliação deste ano pastoral e projecção do próximo

A concluir o Ano Pastoral 2019-2020, lembramos o objetivo principal que definimos para a Diocese: “Uma Igreja que acolhe e faz discernimento dos ‘sinais dos tempos’ e da sua missão”.

Olhando para o programa, verificamos que não foi possível realizar tudo o que estava enunciado. Porém, tendo em conta o discernimento acerca da missão, promoveu-se uma reflexão acerca do Sacramento do Batismo e concluiu-se a necessidade de promover a Pastoral do Batismo nas Paróquias, com vários encontros de acolhimento e preparação assegurados pela colaboração de casais da Pastoral da Família. Neste sentido, está a ser preparada uma publicação de apoio a esta pastoral.

De salientar, também, a publicação do Evangelho de São Mateus e a formação cristã promovida a partir deste texto, o desenvolvimento da Catequese dos adolescentes na nova proposta SaYes, o Convívio Fraterno dos Jovens em Dezembro (Pastoral juvenil), o Encontro Nacional de Leigos que aconteceu em Santarém, os encontros de formação litúrgica. Muitas outras atividades foram asseguradas pelos Secretariados e Movimentos: Equipas de Casais, Professores e alunos de EMRC, CNE, Cursos de Cristandade e outros movimentos de espiritualidade e apostolado. Tudo isto, faz parte de uma Igreja Diocesana que continuamente deve fazer discernimento acerca da sua missão. Neste sentido, foi constituída uma equipa responsável para o acompanhamento e formação dos futuros Diáconos Permanentes.

Santo Inácio de Loyola foi o santo sugerido como referência para este ano pastoral que agora termina. Não pudemos beneficiar, tanto quanto desejávamos,  desta grande referência de santidade, em virtude da pandemia que nos afetou desde o mês de março. Espero, no entanto, que a partir de outubro muitos cristãos possam beneficiar das catequeses feitas e publicadas para a Quaresma e Páscoa deste ano e que não chegaram a ser distribuídas. Não perderam a validade. Nessa publicação encontra-se uma boa síntese da vida de Santo Inácio.

Por ‘sinais dos tempos’ devemos entender, não os sinais sacramentais que a Igreja tem para celebrar, mas os ‘sinais’ que Deus nos oferece nos acontecimentos do mundo. Também isto fazia parte do nosso programa pastoral. Porém, não imaginávamos que a pandemia poderia ser um facto no nosso tempo. É neste contexto, no meio de perturbações e dificuldades, que nos apercebemos de muitos sinais de Deus. Os sinais foram imensos em tantas pessoas que enfrentaram o medo para trabalhar e cuidar de vidas humanas.

A pandemia veio sublinhar a importância do papel do estado, das instituições e das empresas que asseguraram serviços essenciais para defesa das pessoas. De salientar os Hospitais, as IPSS, a Proteção civil, as Autarquias, os grupos de apoio de emergência, como a Cáritas e outros. Também foi revelador a importância da família como espaço e recolhimento saudável para manter uma atividade laboral em teletrabalho e a educação de crianças. Em todas as circunstâncias foi valorizada a vida humana e o cuidado pelas pessoas idosas e doentes.

Todo este tempo de pandemia fez surgir, progressivamente, muitos milhares de pessoas desempregadas e muitos pedidos de apoio aos serviços da Cáritas. É, portanto, um ‘sinal’ que sugere um tempo novo: conversão individual e comunitária à promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva, onde haja vida digna para todos. Cuidar do planeta Terra e cuidar dos pobres em todo o mundo, são os dois maiores desafios para o futuro da humanidade.

Entretanto, em contexto de ‘secura espiritual’, surgiram outros sinais na Igreja. De forma espontânea e muito generosa, promoveram-se transmissões de celebrações e visitas nas ruas e nos lugares que constituíram alimento de animação espiritual para muitos cristãos entristecidos no seu confinamento. Muitos destes sinais, nomeadamente as transmissões, mantêm-se como um bem continuado para quem não pode deslocar-se à Igreja.

A pandemia não permitiu a concretização mais densa do ano pastoral na Quaresma e na Páscoa. Ainda assim, o tema do ‘acolhimento’ foi refletido em várias reuniões. Ficou claro: é uma qualidade ou virtude que deve ser estruturante e permanente na personalidade de um cristão, por identificação com Cristo, e na ação pastoral das comunidades e movimentos apostólicos.

Para o próximo ano pastoral 2020-2021 está a ser elaborado um programa que será publicado brevemente, com o lema que nos acompanha: “Somos uma missão nesta terra” (EG 273). Como tem acontecido ultimamente, a realidade futura poderá exigir adaptações em conformidade com as regras de segurança. 

A concluir, peço que continuemos a suplicar em oração pelos nossos irmãos doentes, nomeadamente o Padre Mário Duarte (de Tomar) e o Diácono Rui Nogueira (de Alcobertas). Muito lhes desejamos o restabelecimento da saúde.

Para os que tiverem a graça de uns dias de férias, que sejam uma Bênção, enriquecidos pela oração e favoráveis pelo descanso a retomar a vida com renovado entusiasmo.

+ José Traquina