Carta Pastoral 2019-2020

D. José Traquina Há lugar para todos. Ajudar alguém a descobrir o seu lugar na vida da Igreja ou da sociedade é sempre motivo de alegria para todos.

Somos uma missão nesta terra

 

Carta Pastoral 2019-2020

 

Caros irmãos e irmãs da Diocese de Santarém

 

Para a elaboração deste projeto pastoral tivemos em conta os pareceres do Colégio de Consultores da Diocese, Conselho Presbiteral, Secretariados Diocesanos, Movimentos de Espiritualidade e Apostolado e a partilha dos Leigos na Assembleia Diocesana.

A partir da primeira reunião do Conselho Presbiteral (20/11/2019), foi constituída uma equipa de reflexão pastoral constituída por: Pe. José Abílio, Pe. Francisco Ruivo, Pe. Joaquim Ganhão, Pe. Arlindo Miguel e Pe. Ricardo Conceição. Com os contributos desta equipa, presidida pelo Bispo da Diocese, e as observações do Conselho Presbiteral em 28/03/2019 e 21/05/2019, chegou-se à conclusão desta proposta que agora é apresentada à Diocese.

 

 

1. A nossa identidade

 

A Igreja, como afirmamos à luz da Fé, una, santa, católica e apostólica, “nasceu principalmente do dom total de Cristo pela nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na cruz” (CIC 766). É em Cristo, a luz dos povos, conforme ensina o Concílio Vaticano II, que a Igreja surge como “o sacramento ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (LG 1). A Igreja que aparece como “um povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”

(LG 4) renova-se na medida em que escuta, celebra, vive e anuncia a vida e o amor que nela existe, como dom e graça de Deus. Assim, a Igreja é sustentada por Cristo, manifestando-se como “comunidade de fé, esperança e amor por meio da qual se difunde a todos a verdade e a graça” (LG 8).

 

Conforme declarou o Concílio Vaticano II, “a Igreja é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo” (AG 2). Sobre a Igreja nascente foi enviado o Espírito Santo para que fosse santificada e pudesse assumir, ao longo do tempo, a missão que lhe foi confiada de anunciar e realizar o Reino de Cristo, como experiência de salvação, fazendo surgir novos discípulos entre todas as nações (cf. Mt 28,19).

 

 

2. A nossa história de vida e missão

 

A Diocese de Santarém, constituída em 1975 como igreja particular, é a Igreja de Cristo aqui, povo de Deus neste espaço geográfico e humano num conjunto de comunidades cristãs, com diversos movimentos de espiritualidade e apostolado. É uma Diocese ainda jovem, nascida pelo reconhecimento dos muitos sinais e dinamismo da vida cristã que existiam nas comunidades e movimentos do seu espaço geográfico. É, portanto, neste caminho de fidelidade às origens em que nos encontramos, abraçando a missão neste tempo, sempre com novos desafios.

 

Neste Povo de Deus, como Diocese, estamos todos: cristãos leigos, religiosos/as, diáconos, padres e bispos. Promovendo a participação e escutando as diferentes sensibilidades, não podemos deixar de considerar que o dinamismo da missão da Diocese depende da união espiritual e da unidade na diversidade de carismas e iniciativas. Como ensina o Concílio Vaticano II, “em toda a diocese e em cada uma das suas partes, a coordenação e a união de todas as obras apostólicas sob a direção do Bispo, de maneira que todas as iniciativas e instituições de carácter catequético, missionário, caritativo, social, familiar e escolar, e qualquer outro trabalho com finalidade pastoral, tenham um desenvolvimento harmónico, o que ao mesmo tempo fará sobressair mais a unidade da diocese” (CD 17).

 

 

3. Desafios da missão

 

Para a Igreja diocesana de Santarém, a sua missão é um desafio permanente.

O primeiro desafio, consiste em que a Diocese seja aquilo que é na sua origem: a Igreja de Cristo, um ‘sacramento’ ou ‘sinal’ da salvação de Deus nesta terra. Esta verdade exige uma constante revisão de vida. “É sempre importante saber que a primeira palavra, a iniciativa verdadeira, a atividade verdadeira vem de Deus e só inserindo-nos nesta iniciativa divina, só implorando esta iniciativa divina, nos podemos tornar também – com Ele e n’Ele – evangelizadores». O princípio da primazia da graça deve ser um farol que ilumine constantemente as nossas reflexões sobre a evangelização”

(EG 112). O Papa Francisco exorta-nos a retomar a missão a partir do encontro com Cristo, a darmos tempo ao encontro orante para nos deixarmos atingir pelo seu amor, a sua alegria e o seu desejo de salvação de todos.

 

Um segundo desafio consiste em conhecer a realidade humana e social. A realidade é dinâmica e, por isso, também a observação e interpretação tem de ser continuada. E “não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no coração dos discípulos de Cristo” (GS 1).

O Papa Francisco exorta-nos para uma ‘Igreja em saída’, com atenção às ‘periferias’, mas na consciência do ambiente cultural complexo que resulta de muitas influências da globalização. “Na cultura dominante, ocupa o primeiro lugar aquilo que é exterior, imediato, visível, rápido, superficial, provisório. O real cede o lugar à aparência. Em muitos países, a globalização comportou uma acelerada deterioração das raízes culturais com a invasão de tendências pertencentes a outras culturas, economicamente desenvolvidas mas eticamente debilitadas” (EG 62).

O cuidado com a ‘casa comum’, natureza criada do globo terrestre, é considerado pelo Papa, a oitava Obra da Misericórdia a pôr em prática.

 

Um terceiro desafio consiste em assumir comunitariamente a necessária conversão missionária. O impulso missionário supõe que, também em comunidade, se promova a união com Aquele que nos chama, purifica e envia. “Para que este impulso missionário seja cada vez mais intenso, generoso e fecundo, exorto também cada uma das Igrejas particulares a entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma” (EG 30). Neste desafio se entende toda dimensão organizativa da Diocese: cúria, secretariados e serviços, vigararias, paróquias, e movimentos de espiritualidade e apostolado. Porém, o que está em causa não é apenas o modelo de organização, mas o zelo apostólico e dinamismo da missão que justifica a organização e as estruturas.

 

Para todos os desafios da missão é suposto haver a preparação e disposição para enfrentar incómodos. Em todas dimensões comunitárias e de serviços é necessário parar, ver, escutar, interpretar, rezar, reunir, promover a participação, decidir e avaliar. Fazer sempre da mesma maneira dá menos trabalho mas estagna a vida. “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20).

 

 

4. As opções de um Projeto Pastoral

 

Em 2025 a Diocese de Santarém celebrará o Cinquentenário da sua criação: será um ano jubilar. O Conselho Presbiteral da Diocese, em reunião extraordinária para o efeito, a 28 de março de 2019, aprovou a sugestão da elaboração de um Projeto Pastoral de seis anos (2019-2025), de modo a estabelecer uma sequência nos Programas Pastorais de cada ano até ao Cinquentenário da Diocese, com as seguintes considerações:

 

4.1. Um Projeto Pastoral aberto às iniciativas dos Programas pastorais de cada ano, a nível diocesano e vicarial, com um lema mobilizador que tem como texto inspirador a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco. Outros documentos posteriores serão referência ‘obrigatória’: Carta Encíclica Laudato si’ para falar da ecologia integral, do cuidado dos pobres e do planeta terra (Pastoral Social); a Exortação Apostólica pós-sinodal ­Amoris Laetitia (Pastoral da Família); e a recente Exortação pós-sinodal ­Christus Vivit (Pastoral Juvenil e Vocacional).

 

4.2. Um Projeto Pastoral que tenha em conta a realidade do mundo em que vivemos. “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem” (EG 2).

 

4.3. Um Projeto Pastoral que promova a alegria do encontro com Cristo nas diversas dimensões da missão pastoral, aceitando o desafio do Papa Francisco: “Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos” (EG 1).

 

4.4. Um Projeto Pastoral que promova a Fé de modo a crescer na consciência da identidade cristã e sentido de pertença na mesma missão.

“Acreditamos no Evangelho que diz que o Reino de Deus já está presente no mundo, e vai-se desenvolvendo aqui e além de várias maneiras (...). A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva!” (EG 278).

 

4.5. Um Projeto Pastoral que promova a Esperança.

“Ninguém pode empreender uma luta, se de antemão não está plenamente confiado no triunfo. Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos” (EG 85).

 

4.6. Um Projeto Pastoral que promova o Amor generoso e o interesse pelo bem comum. “Já não se pode afirmar que a religião deve limitar-se ao âmbito privado e serve apenas para preparar as almas para o céu. Sabemos que Deus deseja a felicidade dos seus filhos também nesta terra, embora estejam chamados à plenitude eterna” (EG 182).

“Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela” (EG 183).

 

4.7. Um Projeto Pastoral que promova o ‘estilo sinodal’ (participação) para um maior envolvimento e responsabilidade na missão, como reflete o Documento Final do Sínodo sobre

Os Jovens, a Fé e o Discernimento vocacional no número 121: “Ao longo das permutas e por meio dos testemunhos, o Sínodo fez emergir alguns ­traços fundamentais de um estilo sinodal, para o qual somos chamados a nos convertermos”.

 

4.8. Um Projeto Pastoral que assuma a caminhada para o Cinquentenário como oportunidade para uma conversão pastoral e missionária. “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20). “Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão” (EG 25).

 

4.9. Um Projeto Pastoral que promova propostas diversas de ‘Primeiro Anúncio’ e a progressão mistagógica nas comunidades. “Voltámos a descobrir que também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou querigma, que deve ­ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial” (EG 164). “Outra característica da catequese, que se desenvolveu nas últimas décadas, é a iniciação mistagógica, que significa essencialmente duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã” (EG 166).

 

4.10. Um Projeto Pastoral que promova a espiritualidade e a conversão pastoral. “A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. (...) A melhor motivação para se decidir a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração. Se o abordamos desta maneira, a sua beleza deslumbra-nos, volta a cativar-nos vezes sem conta. Por isso, é urgente recuperar um espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, cada dia, que somos depositários dum bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova. Não há nada de melhor para transmitir aos outros” (EG 264).

 

4.11. Um Projeto Pastoral que promova uma consciência de Igreja que vive e anuncia a proximidade do Reino de Deus concretizado no testemunho da responsabilidade solidária através da Cáritas, grupos sócio-caritativos e instituições de solidariedade social.

“O Reino, que se antecipa e cresce entre nós, abrange tudo, como nos recorda aquele princípio de discernimento que Paulo VI propunha a propósito do verdadeiro desenvolvimento: «Todos os homens e o homem todo». Sabemos que «a evangelização não seria completa, se ela não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social, dos homens»” (EG 181).

 

 

5. PROJETO PASTORAL 2019-2025

 

Tendo em consideração as opções apresentadas, chegou-se à conclusão de um Projeto Pastoral para os seis anos 2019-2025, suscetível de aperfeiçoamentos no decorrer dos anos pastorais. Há um objetivo para os seis anos que define a Diocese como Igreja missionária e que deseja renovar-se na medida em que progride para a grande ação de graças que será celebrar o Jubileu dos cinquenta anos da sua criação. Há um lema para nos acompanhar e unir a todos como membros da Igreja neste espaço geográfico e humano que é o Ribatejo. É aqui que, como cristãos, queremos ser reconhecidos como um bem para a edificação da sociedade em que vivemos.

 

 

Objetivo: “Diocese de Santarém: Igreja missionária que se renova e agradece”

 

Lema: “Somos uma missão nesta terra” (EG 273)

 

 

Ano Pastoral 2019-2020

 

Um Ano Pastoral para discernimento, com uma palavra inspiradora: Acolher.

 

Objetivo principal: Uma Igreja que acolhe e faz discernimento dos ‘sinais dos tempos’ e da sua missão.

 

Um Ano Pastoral para avaliar com Amor – ver a iniciativa de Deus e o caminho percorrido, os “Sinais dos Tempos” e os desafios do mundo atual. Uma Igreja diocesana que avalia a sua fidelidade à missão de acolher e anunciar.

 

Valorizar: O sacramento do Batismo e a vocação dos leigos.

Santo de referência: Santo Inácio de Loyola.

Um valor de referência: a Humildade.

 

Ano Pastoral 2020-2021

 

Um Ano Pastoral com uma palavra inspiradora: Escutar.

 

Objetivo principal: O Ano para dar tempo à escuta da Palavra, desenvolver o sentido de pertença e formar grupos de Lectio Divina e/ou de leitura partilhada do Evangelho.

 

O discípulo missionário é o que ouve Palavra e a põe em prática, iluminando o desafio e os objetivos da missão. Permitindo a abundância da escuta da Palavra vão surgindo a alegria e a beleza espiritual da fé fortalecida. Promovendo o Primeiro Anúncio para os mais afastados, saindo ao seu encontro com convites. Promovendo propostas de iniciação à leitura da Bíblia.

 

Valorizar: A Palavra de Deus e o Sacramento do Crisma.

Santo de referência: São Domingos (faleceu a 6 de agosto de 1221 = 800 anos) e São Frei Gil de Santarém.

Um valor de referência: a Coragem.

 

 

Ano Pastoral 2021-2022

 

Um Ano Pastoral com uma palavra inspiradora: Anunciar.

 

Objetivo principal: O Ano do seguimento. O testemunho dos jovens. Uma Igreja que decide opções de renovação na sua missão evangelizadora: a qualidade do acompanhamento pastoral, os serviços diocesanos e paroquiais, a comunicação social na Diocese e a relação Igreja-mundo e diálogo ecuménico.

 

Valorizar: Os sacramentos do Matrimónio e da Ordem e a Vida Consagrada.

Santos de referência: Santa Isabel de Portugal; São Maximiliano Kolbe; venerável Carlo Acutis.

Um valor de referência: a Generosidade.

 

 

Ano Pastoral 2022-2023

 

Um Ano Pastoral com uma palavra inspiradora: Cuidar.

 

Objetivo principal: O Ano da Caridade. A verdade na caridade e do testemunho. Uma Igreja que vive e anuncia o Reino de Deus, preocupando-se com os mais pobres e com a “casa comum”, a região e o planeta terra. Desenvolver sensibilidade do “cuidado pelo outro” como atitude própria de todo o cristão.

 

Valorizar: O sacramento da Santa Unção.

Santos de referência: Os servos de Deus Luiza Andaluz (faleceu a 20 de agosto de 1973 = 50 anos); D. Manuel Mendes da Conceição Santos e a beata Chiara “Luce” Badano.

Um valor de referência: a Solidariedade.

 

 

Ano Pastoral 2023-2024

 

Um Ano Pastoral com uma palavra inspiradora: Perdoar.

 

Objetivo principal: O Ano do Perdão. Uma Igreja que se purifica e se renova no amor de Cristo Bom Pastor, promovendo a misericórdia de Deus para bem da humanidade.

 

Valorizar: O sacramento da Reconciliação e a oração de contemplação.

Santos de referência: Beato Carlos de Foucauld; e o servo de Deus Guido Schaffer.

Um valor de referência: a Bondade.

 

 

Ano Pastoral 2024-2025

 

Um Ano Pastoral com uma palavra inspiradora: Celebrar.

 

Objetivo principal: O Ano do Magnificat. Uma Igreja que agradece e rejubila na santidade de Deus. Um ano para valorizar a Liturgia, a celebração da Eucaristia como fonte e referência comum de todas as comunidades da Diocese.

 

Valorizar: O dom da Igreja e da Eucaristia.

Santo de referência: São Francisco Marto.

Um valor de referência: a Gratidão.

 

 

 

6. PROGRAMA PARA O ANO PASTORAL 2019-2020

 

6.1. Ainda decorre o Ano Missionário que terá o seu encerramento oficial no próximo dia 20 de outubro. Pelas diversas iniciativas dos grupos, movimentos, paróquias e vigararias da Diocese, podemos considerar o Ano Missionário um marco e uma inspiração do Projeto Pastoral que agora se apresenta.

 

6.2. O Ano Pastoral 2019-2020 é o primeiro de seis anos até chegarmos ao Jubileu dos cinquenta anos da criação da nossa Diocese. A planificação dos seis anos permite-nos uma orientação de caminho onde são considerados diversos aspetos importantes da missão pastoral e concede-nos a imagem de uma Igreja itinerante, um povo que caminha seguindo a luz que é Cristo, seu Bom Pastor.

 

6.3. Acolher e promover discernimento. Acolher é um verbo inspirador que designa a missão de uma comunidade cristã, pois quem se fecha ao acolhimento, fecha-se à vida e ao desígnio de Deus. O acolhimento é uma dimensão da vida cristã a ter em conta especialmente neste ano pastoral, para avaliar, corrigir e promover os procedimentos das nossas comunidades e serviços de pastoral. Uma comunidade renova-se acolhendo a Palavra de Deus e os ensinamentos ou orientações dos pastores; acolhendo os que chegam de novo e os que procuram a comunidade; acolhendo as iniciativas dos jovens.

A Jornada Mundial da Juventude 2022 começa já o seu dinamismo de propostas para os jovens. Acompanhemo-los, especialmente no percurso dos três anos das Jornadas, e procuremos corresponder aos apelos que nos irão chegar da parte da organização.

Pede-se aos cristãos mais maduros que não tenham medo de dar protagonismo aos mais novos. Há lugar para todos. Ajudar alguém a descobrir o seu lugar na vida da Igreja ou da sociedade é sempre motivo de alegria para todos.

 

6.4. Conhecer melhor a sociedade atual e fazer a leitura dos sinais da presença de Deus no mundo. A realidade social altera-se com o decorrer dos anos. É importante o conhecimento atualizado da realidade humana da sociedade e das nossas comunidades para que se promova um olhar e um discernimento sobre as opções pastorais.

Por outro lado, também é necessário conhecer o ambiente cultural, transversal a toda a sociedade em que vivemos, identificando a hierarquia dos valores que a anima.

Não podemos deixar de promover a leitura dos sinais da presença de Deus naquelas situações de ‘luta’ pela respeitabilidade da vida humana, na pessoa dos inocentes e dos mais desfavorecidos, e no acolhimento dos refugiados e imigrantes.

 

6.5. Interpretar a missão à luz da Fé, valorizar a vocação dos cristãos leigos e promover a formação cristã com base no dom do sacramento do Batismo. À luz da Palavra de Deus e dos ensinamentos do Magistério havemos de interpretar a história e a missão da Igreja diocesana. O Encontro Nacional dos Leigos em Santarém, no próximo mês de novembro, enquadra-se na valorização dos cristãos leigos que pretendemos sublinhar durante todo o ano pastoral. Entretanto, contamos com o relançamento de propostas de formação cristã, em módulos distintos e disponíveis para serem apresentados em diversos pontos da Diocese, nas vigararias ou paróquias.

É desejável que se reveja a pastoral dos Batismos, integrada na pastoral da Família e que se promova a formação de equipas para responder a esta pastoral. É igualmente desejável que se promovam algumas catequeses para adultos sobre o Batismo.

 

6.6. Aperfeiçoar a organização pastoral para melhor corresponder à sua missão. Como afirma o Papa Francisco, “é necessário reconhecer que, se uma parte do nosso povo batizado não sente a sua pertença à Igreja, isso deve-se também à existência de estruturas com clima pouco acolhedor nalgumas das nossas paróquias e comunidades, ou à atitude burocrática com que se dá resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida dos nossos povos. Em muitas partes, predomina o aspeto administrativo sobre a pastoral, bem como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização” (EG 63). Esta observação supõe disponibilidade para refletir sobre o acolhimento pastoral nas paróquias e outras instâncias da Diocese. Não se trata de analisar casos, mas refletir e promover a espiritualidade da missão evangelizadora do acolhimento.

 

Conclusão

 

A referência neste ano pastoral à virtude da humildade e à pessoa de Santo Inácio de Loyola abre-nos o horizonte a diversas iniciativas de promoção da vida espiritual, cultural e missionária, tendo sempre como base a verdade que liberta. Como discípulos missionários, temos a responsabilidade de fazer o caminho que o Senhor nos pede, na convicção de que, ao pensar na missão, estamos a cuidar do mundo que necessita do testemunho dos discípulos de Cristo. Assumiremos, assim, o lema do nosso Projeto Pastoral: “Somos uma missão nesta terra” (EG 273).

 

Maria, a Virgem Mãe, que o Papa Francisco designa por “Nossa Senhora da prontidão”, é para nós o paradigma de uma Igreja que acolhe a Palavra e a vontade de Deus e acolhe os desafios do caminho a percorrer com o melhor discernimento. Como nossa padroeira, com o título de Nossa Senhora da Conceição, nos acompanhe na missão desta Igreja diocesana de Santarém, que a ela se confia, para que seja uma Diocese constituída por comunidades abertas, disponíveis e missionárias, ao serviço do projeto salvífico de Deus, respondendo na confiança: “Sim, faça-se em mim, segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).

 

Santarém, 16 de julho de 2019

 

+ José Traquina