Homilia de Encerramento da Visita Pastoral em Alcanena

D. José Traquina O nosso tempo, como outros, é marcado por paixões e ódios que levam, ou podem levar à morte ou a situações muito complicadas.

VI Domingo da Páscoa da Ressurreição (Ano C)

Alcanena, (Encerramento da Visita Pastoral): 26-05-2019

 

            Senhores Padres e Diácono, Senhora Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia e demais autarcas, membros dos Grupos de Movimentos e Apostolado e outros representantes das diversas Paróquias desta Vigararia.

            Antes de me referir à Visita Pastoral a esta Vigararia, consideremos a mensagem da Palavra de Deus deste Domingo, VI da Páscoa, sobre a pessoa humana, o Amor de Jesus e o Espírito Santo. A mensagem vem ao encontro da realidade: o nosso tempo, como outros, é marcado por paixões e ódios que levam, ou podem levar à morte ou a situações muito complicadas. Paixões cegas e ódios de morte que levam as pessoas ao descontrolo dos seus procedimentos.

            O Senhor Jesus, com a sua vinda e a sua Páscoa, recria a pessoa humana a partir de dentro, sublinhando a dimensão afetiva da Fé, como escutámos no Evangelho: Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada(Jo 14,23). Jesus propõe-nos uma amizade fiel, alimentada pela memória da sua Palavra, que é Ele mesmo, e assim nos tornamos morada de Deus. Isto é: não há nada de mais sagrado do que a pessoa humana. A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem no Evangelho uma boa fonte de inspiração: Jesus veio ocupar-se das pessoas porque elas são o valor maior e a razão de ser de tudo o que existe. As pessoas não são coisas, nem peças de uma ‘máquina’ ou de um sistema.

            Jesus afirma também: O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse”. É uma grande graça que devemos ter presente na vida da Igreja: a Palavra ensinada e recordada pelo Espírito Santo.

            Na 2ª Leitura (Ap 21,10-14.22-23), o Apóstolo S. João tem uma visão da nova Jerusalém, a cidade santa, a Igreja, em que Cristo, o Cordeiro pascal, é a sua Luz. A Igreja é chamada a celebrar e a purificar-se no Amor de Jesus, alimentar-se da sua Palavra e a ser fiel à presença do Espírito Santo, o grande dom Deus

            A 1ª Leitura: (Atos 15,1-2.22-29), refere que a comunidade cristã de Jerusalém reuniu-se para analisar vários problemas e decidir bem. Depois de rezarem, tomaram decisões e escreveram começando por dizer: “O Espírito Santo e nós decidimos...”. Que bela consciência da Fé e que belo testemunho para nos inspirar a pedirmos também a presença do Espírito Santo para a missão das nossas vidas.

            Sobre a Visita Pastoral que hoje se conclui às Paróquias desta Vigararia, quero sublinhar e agradecer o bom acolhimento a este Bispo da Diocese nas Paróquias de: Espinheiro, Amiais de Baixo, Abrã, Vila Moreira, Malhou, Louriceira, Moitas Venda, Monsanto, Bugalhos e Alcanena. O bom acolhimento foi transversal nas Paróquias, nos diversos lugares de culto das Paróquias, nas Autarquias, nas Instituições, nas Escolas e Jardins de Infância, nas empresas industriais, comerciais e nas visitas aos doentes.

            Encontrei nas comunidades, cristãos empenhados e interessados pela missão pastoral. Pessoas que assumem responsabilidades pelos espaços celebrativos, no cuidado com a Liturgia das celebrações da Missa e também no cuidado de conservar e melhorar os espaços comunitários da Paróquia. Encontrei crianças com perguntas preparadas ao Bispo e Jovens interessados em preparar-se para participarem na Jornada Mundial da Juventude em 2022. Registo com agrado o empenho da Cáritas inter-paroquial, abrangente a várias paróquias da Vigararia, e também o relevante valor que é a Instituição do Centro de Bem Estar Social de Alcanena, com as suas diversas valências. Encontrei um bom relacionamento com as Autarquias e outras instituições e, portanto, uma credibilidade que existe pelo bom espírito com que os cristãos se apresentam e relacionam.

            A Visita Pastoral permitiu uma proximidade que suscitou alegria, assente no reconhecimento de que Deus não desistiu de visitar os seus filhos desta terra, com as suas riquezas e também preocupações e a todos animar pelos caminhos do bem.

            As Comunidades da Vigararia e Concelho de Alcanena, têm beleza natural e memória histórica que o seu património regista com séculos de presença da Fé cristã. Atualmente, a Fé cristã é riqueza espiritual de muitas pessoas, mas estou convencido que vale a pena testemunhar e propor esse dom para que outros beneficiem dele nas suas vidas. Dos dons de Deus, ninguém está excluído. Sugiro que nos deixemos interpelar pelos sinais. Por exemplo: todos os anos, pelo mês de Maio, as Freguesias e Paróquias de Alcanena são invadidas pelos peregrinos de Fátima; por aqui desejam pernoitar para seguirem no dia seguinte ao até ao Santuário. Os peregrinos são um sinal de verdade: a vida humana é toda ela uma caminhada que se faz até chegar a Deus.

            A terminar, algumas recomendações:

1-Valorizar o trabalho como um grande bem desta terra. Sem trabalho não há nada. O trabalho pede perfeição e concede sentido de realização pessoal. Também as crianças e os jovens têm de fazer os seus trabalhos escolares.

2-Valorizar o Amor e a estima entre as pessoas, inclusive, o amor do perdão. Valorizar o relacionamento qualificado no seio das casa de família. Em muitas circunstâncias é a revisão de vida com amor e o perdão que podem permitir a renovação da felicidade de uma família.

3-Valorizar as Paróquias e outras instituições de modo que o bem comum seja defendido e promovido por todos. O egoísmo e individualismo fechado, não ajuda uma terra a crescer. Participar e promover iniciativas comunitários, permite um desenvolvimento do meio onde vivemos. Procure-se dar lugar de protagonismo aos jovens, dando-lhes oportunidade de participarem nas opções de projetos e sua realização.

4-Valorizar a dimensão da Festa. A vida sem Festa, perde sentido. Mas Festa que não seja uma fuga à realidade da vida, com álcool e droga, mas sentido da própria vida. Claro está, a Festa só pode existir se houver trabalho, respeito, estima e amizade uns pelos outros. Com preguiça, ódio, indiferença, falta de respeito e violência doméstica, não há Festa, nem sentido para a vida.

Meus irmãos e amigos, os meus agradecimentos. A Visita Pastoral foi toda ela uma Festa. E ainda bem, pois é esse o sentido da Igreja: a Alegria e a Festa. Também Nossa Senhora exultou de alegria porque se sentiu visitada pelo próprio Deus.

Um agradecimento final para os padres da Vigararia, salientando o Vigário de Alcanena, Padre Carlos Miguel, e o Padre António Pereira que este ano celebra cinquenta anos de Ordenação sacerdotal. Muito obrigado.

 

+ José Traquina, Bispo de Santarém