Homilia na Solenidade de S. José

D. José Traquina (19 de março de 2019) Porque o Dia de São José, é o Dia do Pai, é uma oportunidade para valorizarmos a vida, a missão, a responsabilidade e a maturidade do amor de um bom pai.

Solenidade de São José, Esposo da Virgem Maria
Sé Episcopal de Santarém, 19 de março de 2019  

Reverendos Padres e Diáconos
Excelentíssimas autoridades: Presidente e Vereadores da Câmara Municipal de Santarém, Presidentes da Juntas de Freguesia, Irmandades e Instituições aqui bem representadas.
Irmãos e irmãs

     Antes de me referir ao nosso Patrono S. José, lembro que ocorre hoje o 6º Aniversário do início do Pontificado do Papa Francisco. Uma oportunidade para agradecer tão grande testemunho e reconhecer o seu ministério como um grande contributo para reavivar a dimensão profética da Igreja. Com ele, rogamos pela Igreja e pelo mundo, hoje especialmente pelas pessoas atingidas pelas cheias em Moçambique. Rezamos e, espero que através da Cáritas, possamos apoiar na medida das possibilidades. Hoje a Cáritas Portuguesa já enviou uma mensagem a todas as Cáritas Lusófonas (de língua portuguesa) de todo o mundo a sugerir uma grande mobilização de solidariedade com o povo moçambicano através da Cáritas de Moçambique.

     Quanto ao nosso Padroeiro, comecemos pelos antecedentes. O Povo de Israel, que antes foi conhecido por povo hebreu, durante muito anos da sua história não conheceu na sua organização a figura do Rei. O povo hebreu habituou-se a reconhecer líderes, chefes carismáticos, homens inspirados para orientar a vida do povo. É assim, que se reconhece a figura de Moisés, a quem Deus responsabilizou de conduzir o seu povo, libertando-o do Egito. Moisés não foi rei, como não foi Josué, o chefe que se seguiu. 
     Cerca de 1100 anos antes de Cristo, por influência de outros povos vizinhos que tinham reis, o povo de Israel também quis ter um Rei. Para isso, insistiram com um sacerdote-profeta célebre, chamado Samuel, que ungisse um rei para o povo. Samuel não estava de acordo, mas o povo tanto insistiu que Ele acabou por ungir o primeiro rei de Israel, tinha o nome de Saúl. 
     As coisas não correram bem, e o povo não veio a gostar do rei Saúl. Era ciumento, ressentido e complexado. A Saúl, sucedeu-lhe não o filho, mas o genro, de nome David a quem o profeta-sacerdote Samuel veio também a ungir como Rei de Israel. O Rei David muito agradou pela sua forma de governação e ficou no coração do povo. Ainda hoje é pessoa de referência para o povo de Israel, com visitas diárias à sua sepultura. 
     Como ouvimos na 1ª Leitura (2 Sam 7,4-5ª.12-14ª.16), Deus faz a promessa ao Rei David, de assegurar que a sua descendência não acabará, perdurará para sempre. Mil anos depois, já tanta desgraça tinha havido, a promessa feita ao rei David não estava esquecida, mas estava muito apagada. Surge então um seu descendente, um homem discreto, chamado José, que veio a casar com uma jovem chamada Maria. É aqui que queremos chegar a São José, Esposo da Virgem Santa Maria, Patrono universal da Igreja e também da cidade de Santarém.
Membro da tribo de Judá e descendente de David, S. José fixou-se em Nazaré, com uma vida simples e pobre, apesar de seu sangue real. Todos os comentários mais antigos, dizem que tudo aconteceu por desígnio do próprio Deus. Modesto carpinteiro, seu ofício era fazer arados de madeira e utensílios rústicos de camponeses. Provavelmente tinha irmãos e irmãs que foram pais ou mães daqueles a quem o Evangelho chama de ‘irmãos’ de Jesus.

      O Evangelho de São Lucas (2,41-51a) que escutámos, narra a perda e o encontro de Jesus, no Templo de Jerusalém, aos 12 anos de idade. Perante a observação de Maria, onde revela a preocupação comum com José, por não saberem onde se encontrava Jesus, obtiveram a resposta: “Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai”. Assim, literalmente, é de estremecer o coração: José ouve de Jesus adolescente o segredo que era a verdade acerca da sua filiação. Verdadeiramente o Pai de Jesus era o próprio Deus. É um segredo que ninguém iria entender e que se vai manter ao longo da história da Igreja como uma afirmação que só à luz da Fé é possível fazer: Jesus tem origem divina. 
    São José, assume-se como um bom Pai. É uma pessoa cheia de encanto, pelas virtudes que tem e pelo ‘segredo’ que o acompanha na missão de esposo de Maria e de pai de Jesus. Assume isso com uma dedicação nobre. 
     Porque o Dia de São José, é o Dia do Pai, é uma oportunidade para valorizarmos a vida, a missão, a responsabilidade e a maturidade do amor de um bom pai. Todo o homem que teve a graça de ser pai, com consciência e responsabilidade, atingiu a experiência mais madura do amor humano, e um homem que ama o seu filho como um bom Pai, é um homem parecido com Deus.
    Todos os pais, a sociedade e também a Igreja, podem receber de São José o estímulo e o exemplo de uma vida dedicada aos outros. Assumiu a sua missão em contexto familiar; não foi egoísta, não se fixou nos seus direitos pessoais; acordou, acreditou e olhou em frente com amor generoso na edificação de uma Família”, contribuindo para a realização do projeto de Deus que é de bem e salvação da sociedade e do mundo. 
Importa salientar como Deus consagrou a Família como o espaço privilegiado para uma criança nascer e crescer. A Família é um grande património da humanidade, anterior a qualquer outra instituição, e um grande bem consagrado pelo Evangelho. A sociedade não fica melhor sem a família, entendida como o ‘espaço’ privilegiado onde se vive, cultiva e cresce em ambiente de verdade e de amor onde todos se sentem bem.  
     São José, assumiu com amor a dimensão do trabalho. É para todos o exemplo da dedicação a um trabalho, assumindo a sua responsabilidade familiar e realizando-se naquilo que fazia. O trabalho é um bem e um dom, para que uma pessoa seja mais perfeita e mais santa, cooperando no desenvolvimento da sociedade.
      São José foi um amigo de Deus um homem de virtude. Aceitou o desafio da vida numa resposta generosa à vontade de Deus, expressando com simplicidade a grandeza da Fé dos grandes patriarcas, como ouvimos na 2ª Leitura (Rom 4,13.16-18.22). Uma Fé experimentada como luz interior e traduzida em discernimento, confiança e coragem para enfrentar situações injustas e difíceis.

      São José é também o Padroeiro de Santarém. Por intercessão de São José, rogamos de Deus que abençoe todos aqueles que se preocupam e contribuem, com o seu trabalho e dedicação, para o bem comum e desenvolvimento desta Cidade e deste Concelho de Santarém. Rogamos, também, a recompensa para todos aqueles que, no passado se dedicaram a esta mesma causa e já partiram para a Casa do Pai.
Agora estamos nós, é o nosso tempo, o tempo que Deus nos dá para viver, trabalhar e realizar todo o bem que estiver ao nosso alcance. 
      Tenho gosto em anunciar que nos dias 22, 23 e 24 novembro deste ano de 2019, está previsto em Santarém o Encontro Nacional de Leigos, cristãos de vários movimentos e de várias Dioceses. Uma Equipa Nacional está a tratar da coordenação, mas obviamente, conta com todo o nosso interesse. Já o manifestámos, considerando que os cristãos devem estar na linha da frente, no interesse pela edificação da sociedade a que pertencem, na qual se encontram a Família, a Igreja, as instituições e os locais de trabalho e de ação cultural. 
     O Encontro Nacional de Leigos teve já quatro edições, em anos anteriores, aconteceram em Coimbra, Porto, Évora e Viseu. O próximo será, portanto, em Santarém. Vemos com esperança a realização deste Encontro como um bem para todos. Contamos também com a intercessão de São José, a quem hoje rogamos a sua intercessão por esta Cidade e Concelho de Santarém.  
    Bendigamos ao Senhor!
      

+ José Traquina