Homilia na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Homilia na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

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Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Santarém, 15 de agosto de 2018

 

Irmãos e irmãs

Ouvimos no Evangelho (Lc 1,39-56): a Virgem Maria visita a prima Isabel, esposa de Zacarias, mãe de João Batista. Duas primas, duas mulheres grávidas; uma jovem e outra menos jovem. O encontro entre elas é motivo de alegria também daqueles que traziam no ventre.

Cantam o Magnificat: “Deus fez maravilhas. Santo é o seu Nome”; Cantam o poder de Deus. Cantam a alegria da Fé. Cantam as maravilhas que Deus realiza nos pobres que n’Ele creem.

 

Na 2ª Leitura (1Cor 15,20-27), S. Paulo refere a nossa vocação à ressurreição em Cristo. É motivo de louvor: somos chamados a participar da glória do Filho de Deus. E a ressurreição plena inclui a glorificação do corpo humano. Ainda que o nosso corpo se desfaça no pó ou nas cinzas, afirmamos no Credo a “ressurreição da carne”. Deus tem poder de fazer participar na sua glória todo o nosso ser. E a primeira a participar desta Vitória de Cristo, é a sua Mãe, Maria Santíssima.

É uma grande afirmação de Fé acerca de Nossa Senhora e da dignidade do corpo humano. O respeito por cada pessoa, inclui o respeito pelo seu corpo. Mas também cada pessoa deve respeitar-se a si mesmo no corpo. O corpo humano não é uma coisa, é a própria pessoa.

 

Demos Glória a Deus pelas suas maravilhas. O Refrão do Salmo Responsorial, “À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu, ornada do ouro mais fino”, corresponde ao louvor que pretendemos com esta celebração: dar graças a Deus pelas suas maravilhas realizadas em Cristo e, n’Ele e por Ele, realizou na sua Mãe, Maria Santíssima.

Em 1950 o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora. Um dogma é uma verdade da Fé acreditada e celebrada pela Igreja, Povo de Deus. O Papa Pio XII ao proclamar este dogma lembrou aos cristãos que desde os primeiros séculos do cristianismo os “Padres e Doutores da Igreja, nas homilias e sermões dirigidas ao povo na solenidade da assunção da Mãe de Deus, falaram deste facto como já conhecido e aceite pelos fiéis; expuseram-no com mais clareza e explicaram mais profundamente o sentido e importância desta Festa, procurando especialmente esclarecer que o objetivo da festa não era apenas a incorrupção do corpo mortal da bem-aventurada Virgem Maria, mas também o seu triunfo sobre a morte e a sua glorificação celeste à semelhança de Jesus Cristo, seu Filho Unigénito” (in Munificentíssimus Deus)

 

A Mulher revestida de sol, com uma coroa de doze estrelas que ouvimos na 1ª Leitura (Ap 11,19a;12,1-6a.10b), identifica-se com a Virgem Maria e com a Igreja. O dragão representa o mal que persegue todos os que pertencem a Cristo. A vida espiritual tem esta luta: há uma força de mal que nos quer distanciar de Deus. Como conseguir a vitória?

Tenhamos a Virgem Maria como referência e modelo. “Felizes (…) os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11,27-28). Em Nossa Senhora temos o Evangelho vivo, o Evangelho vivido. Ela não vive centrada em si mesma; para a Virgem Mãe a centralidade está em Deus e nos outros que necessitam da sua colaboração. Seguindo o seu exemplo, também a Igreja Diocesana que somos deve centra-se em Deus e estar ao seu serviço. Para isso, todos cristãos são chamados a uma escuta e disponibilidade para que Deus se torne presente e tenha o seu lugar na vida e na comunidade.

Nossa Senhora foi  humildade. Não foi auto suficiente. Tudo na sua vida é efeito da Graça de Deus. Assim deve acontecer na Igreja. Nossa Senhora é a Mulher crente e o nosso melhor modelo de Fé: acreditou, confiou e seguiu a aventura da vida dependendo de Deus. Humilde mas forte na Fé. A Fé não é virtude para alienar a pessoa, para fugir à realidade da vida. A Fé é dom e graça para enfrentar os problemas concretos. Assim deve proceder a Igreja; ver e analisar com os olhos de Deus e agir em conformidade.

Os cristãos, seguindo Nossa Senhora, terão o horizonte da eternidade, mas com os pés assentes na terra. Nossa Senhora é imagem da Igreja e acompanha a Igreja, fazendo parte dela. Está nos céus e intercede junto de seu Filho, e está na terra acompanhando os cristãos seus filhos neste mundo. “Temos Mãe”. Nossa Senhora é o “Grande sinal”, como nos diz o Livro do apocalipse e ouvimos na 1ª Leitura, “revestida de sol”. A Igreja é chama a ser este grande sinal mas o seu Sol, a sua Luz, só pode ser a Luz divina, o Sol de justiça, Cristo Luz do mundo.

Irmãos e irmãs

  1. Bernardo (1091-1153), foi um apaixonado por Nossa Senhora. A propósito da solenidade que celebramos cito uma passagem de um dos seus sermões:

“Hoje, a Virgem Maria sobe, gloriosa, ao Céu. É o cúmulo de alegria dos anjos e dos santos. Com efeito, se uma simples palavra sua de saudação fez exultar o menino que ainda estava no seio materno (Lc 1, 44), qual não terá sido o regozijo dos anjos e dos santos quando puderam ouvir a sua voz, ver o seu rosto e gozar da sua presença abençoada! E para nós, irmãos bem-amados, que festa a da sua assunção gloriosa, que motivo de alegria e que fonte de júbilo temos hoje! A presença de Maria ilumina o mundo inteiro, a tal ponto resplandece o Céu, irradiando o brilho desta Virgem plenamente santa. Por conseguinte, é com razão que ecoam nos Céus a ação de graças e o louvor”. (S. Bernardo 1091-1153).

Hoje o Céu rejubila com a Vitória de Deus na Assunção da Virgem Mãe. Alegremo-nos também como Igreja Peregrina: “Assim na terra como nos céus”.

+ José Traquina

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