Homilia do Sr. Bispo na Solenidade da dedicação da Sé

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Solenidade do Aniversário da Dedicação da Catedral

Santarém, 16 de julho de 2018

 

Caríssimos irmãos

 

O dia 16 de julho marca em cada ano o aniversário do nosso nascimento como Igreja Diocesana, bem como a Dedicação desta nossa Catedral, sinal da Igreja mãe que acolhe, anuncia, gera e a todos manifesta a exigente alegria do Evangelho.

Na primeira leitura, ouvimos a oração que o rei Salomão fez diante do altar do Templo, na presença de toda a assembleia de Israel. Salomão faz uma grande afirmação de Fé no Senhor, Deus de Israel, mas na sua sabedoria, em plena oração, coloca uma interrogação: “Mas será possível que Deus habite com os homens na terra? Se os mais altos céus não podem abranger-Vos, muito menos esta casa que eu edifiquei!”

     Para nós cristãos, a resposta encontra-se na Vinda de Cristo ao mundo. Ele é o novo Templo. N’Ele é realmente possível Deus habitar com os homens na Terra. Purificada e renovada por Cristo, a pessoa humana ganha a dimensão do sagrado para corresponder ao projeto criador de Deus.    

Os cristãos também tiveram necessidade de espaços próprios para se reunirem em assembleia celebrante. E se assembleia tinha o nome de ecclesia (igreja), os espaços edificados ganharam o nome da própria assembleia. Assim, temos igrejas edificadas que refletem a inspiração, o gosto e a beleza de cada tempo.

Esta igreja em que nos reunimos, foi edificada pelos jesuítas. Uma vez expulsa a Companhia de Jesus em 1759, esta igreja manteve-se em conjugação com o uso dos espaços adjacentes onde se vieram a formar gerações de sacerdotes e leigos no seminário patriarcal de Santarém. A História teve muitas mudanças mas a herança manteve-se, e desde 1975 torna-se a Catedral episcopal da Diocese, embora o rito da dedicação só tenha acontecido dez anos mais tarde.

Entretanto, depois das obras realizadas e concluídas em 2014, a Catedral de Santarém passou a ser em Portugal referência do que é uma intervenção de conservação de qualidade.

Porém, todo o esforço perderia sentido se não existisse o Povo de Deus, a Igreja Diocesana que se referencia a esta Catedral. Por isso aqui estamos. Por isso convidei representantes das comunidades paroquiais da Diocese por força da comunhão espiritual que entre nós deve manifestar-se.

A criação da Diocese de Santarém há 43 anos, foi e é uma graça de que somos herdeiros e continuadores. Por isso, deve ressoar em nós com profundidade o conteúdo da segunda leitura, da Epístola de São Paulo aos Efésisos: “Sois o edifício construído sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo Jesus como pedra angular. Em Cristo, todo o edifício cresce, bem ajustado, para formar um templo santo do Senhor. E, em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus.

Caríssimos irmãos, ao celebrarmos o aniversário da dedicação da Catedral, retomemos a consagração que Deus fez em cada um de nós. A beleza desta Catedral, como outros espaços celebrativos da nossa Diocese, é para nós um estímulo de coerência e beleza de vida cristã. Deus quer-nos como sua morada; por isso toda a boa obra que entre nós aconteça é para sua glória. Santo Agostinho, lembra-nos que a construção faz-se com trabalho e a dedicação realiza-se com alegria.

Ser Igreja Diocesana é uma responsabilidade acrescida para todos os cristãos, mas é uma responsabilidade que nos faz bem. Significa assumir nesta terra, em todas as comunidades cristãs da área geográfica da Diocese, a missão que é dada à Igreja inteira: “Ser luz do mundo e sal da terra”. É este o lema que escolhemos para o próximo ano pastoral.

Assumir a missão significa proporcionar Cristo aos outros. São necessárias propostas que levem os distanciados a conhecerem o Evangelho e a encontrarem-se com Cristo. “Ver e interpretar tudo a partir de Cristo”, é um dos objetivos do próximo ano pastoral. A página do Evangelho de São Lucas, com o episódio de Zaqueu, é um estímulo para a nossa identificação de discípulos-missionários de Cristo.

Como olhava Jesus cada uma das pessoas, mesmo aquelas que se distanciavam ou penduravam na sua árvore? Como olhamos nós e interpretamos toda a realidade do mundo atual? Que preocupações e que esperanças? São perguntas que podem ter resposta em reflexão de grupo.

Hoje importa sublinhar a dimensão humana da morada interior. A novidade evangélica é que em Cristo, Deus revela ter sede de residência na sua criatura humana. Zaqueu é um bom exemplo de como Deus não desistiu de ninguém. Os pecadores sentiam-se recuperados por Cristo porque acreditando n’Ele passavam de seres impuros a pessoas capacitadas da presença de Deus.

Por acolhimento da proposta da Conferência Episcopal Portuguesa, o próximo ano pastoral 2018-2019, é designado Ano Missionário. No final desta celebração será distribuído pelos representantes das Paróquias a publicação com as Indicações, Calendário e a Nota Pastoral que justifica a proposta do Ano Missionário. Serve a publicação para adquirirmos ritmo diocesano e poderá servir de instrumento para cuidar da programação a nível das Paróquias e Vigararias.

O calendário pastoral tem os dias todos, mas está incompleto de marcações. Assim, podem os Secretariados e Movimentos fazer chegar as marcações e, ao longo do ano pastoral, o jornal Diocesano “Porta do Sol”, além da agenda do Bispo, publicará também as atividades que sejam de interesse conhecer e não constam na publicação que hoje se entrega.

Quando no passado dia 25 de Novembro tomei posse como Bispo Diocesano nesta Catedral, assinei um conjunto de nomeações provisórias para assegurar a estrutura pastoral da Diocese. Foi um procedimento normal e necessário naquela circunstância de entrada do novo bispo diocesano. Agora, oito meses depois, são retomadas as mesmas nomeações com caráter de estabilidade. E são feitas algumas nomeações novas que a atualização da missão diocesana exigia.

Caríssimos irmãos, celebrar o aniversário da dedicação da catedral, pode ter em nós este desafio: ser catedral! Não só a Diocese e cada Paróquia, mas cada cristão é chamado na sua missão de vida a ser catedral ou santuário onde Deus se encontra e onde muitos irmãos têm lugar. Assim, cuidando das condições de acolhimento, prestamos verdadeiro culto a Deus e a vida ganha a beleza de Cristo como um dom a favor de todos.

Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira, mãe e mestra do acolhimento, interceda, nos ajude e acompanhe a progredirmos de coração generoso e aberto à missão que Deus nos confia.

 

+ José Traquina,

Bispo de Santarém

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