Homilia na Missa da peregrinação da família Andaluz

Homilia na Missa da peregrinação da família Andaluz

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Festa de S. Marcos

Fátima, 25 de abril de 2018

Homilia na Missa da peregrinação da família Andaluz

 

Reverendo Reitor deste Santuário de Nossa Senhora de Fátima

Reverendo Padre Postulador Gianni Califano

Reverendos Sacerdotes e Diáconos

Reverenda Superiora Geral e Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima

Todos os peregrinos da Família Andaluz.

Irmãos e irmãs em Cristo

 

Celebramos na Liturgia deste dia, a Festa do Evangelista São Marcos. Com a Família Andaluz, queremos dar graças a Deus pelo reconhecimento das Virtudes heroicas da Serva de Deus, Luiza Andaluz.

Segundo a tradição, o evangelista São Marcos, é o mesmo Marcos que nos fala o Atos dos Apóstolos (12,12), informando que na sua residência de família em Jerusalém, se reunia a primeira comunidade cristã. Há ainda quem considere a possibilidade de ter sido numa sala da mesma residência que Jesus celebrou a última ceia.

São Marcos converteu-se, tornou-se discípulo de São Paulo e depois de São Pedro (Apóstolo Pedro que, como ouvimos na 1ª Leitura, considerava Marcos como seu filho). A partir de tudo o que ouviu contar e pregar, e com a sua própria experiência apostólica, Marcos escreveu o Evangelho.

Assim, podemos considerar, o que acabámos de escutar, é o testemunho de Fé do próprio evangelista Marcos: acreditou, foi batizado, tornou-se discípulo, foi enviado e não só pregou mas teve a inspiração de escrever o Evangelho numa nova língua, (sendo judeu escreveu em língua grega),  expulsou demónios e curou doentes impondo-lhes as mãos. E o Senhor Ressuscitado, estando à direita de Deus Pai, cooperava também com ele confirmando a Palavra com as conversões e os milagres que aconteciam.

Irmãos e irmãs, a partir de Jesus, verificamos esta opção do alto; Deus quer chegar ao mundo das pessoas e de cada pessoa, através de um intermediário, um enviado. Continua a ser assim. Também connosco aconteceu algo de semelhante; facilmente conseguimos lembrar as pessoas que na nossa história pessoal nos testemunharam a sua Fé e nos levaram a viver ao ritmo de tão grande graça.

Estamos aqui em grande número para dar graças a Deus pelo reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus, Luiza Andaluz; virtudes que correspondem à abundância da graça de Deus na sua vida. Somos obra de Deus e isso é evidente em Luiza Andaluz: tornou-se completamente disponível para responder à vontade de Deus, sempre em comunhão e obediência aos pastores da Igreja.

É saboroso retomar uma citação que o Decreto faz de Luiza Andaluz:  «Nunca me canso de escrever a tintas de oiro a palavra confiança: o Senhor acode sempre a quem n’Ele confia!».

Como aconteceu com muitos mártires e santos, também com Luiza Andaluz as adversidades, as dificuldade sociais e políticas, ainda aguçaram mais a vontade de fazer o bem. Ao dar graças pelo oficial reconhecimento das virtudes heroicas, o momento sugere-nos que retomemos a vida e o testemunho de Luiza Andaluz em sentido profético. Em quaisquer circunstâncias, com mais ou menos adversidades ou facilidades, por mais interessante que seja um programa de dedicação pastoral, o segredo é sempre a identificação com Cristo. Viver do Amor de Jesus; pertencer-lhe. É o continuado encontro com Cristo no mais íntimo do nosso ser, que nos permite considerar, olhar, amar e decidir a vida com o mesmo Espírito e o mesmo Amor de Jesus. Não admira pois, o desejo da nossa Serva de Deus: que todos se deixem atrair pelo Coração de Jesus. Este seu desejo apostólico,  corresponde à sua própria experiência de alegria espiritual que bem podemos prosseguir.

O dinamismo da conversão livre ao Senhor (Ama ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua inteligência, todas as tuas forças e ao próximo como a ti mesmo), leva-nos à adoração. A adoração gera no coração humano a mesma compaixão de Jesus pela multidão. E quando esta compaixão não nos larga, então temos de passar à ação missionária e evangelizadora. E em cada tempo e em cada dia, vivendo da confiança no Senhor, o Espírito Santo vai instruindo no discernimento do caminho a seguir. Foi assim com Luiza Andaluz e isso inspira-nos porque é a verdade do Evangelho a concretizar-se na sua vida, como o foi com São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20).

A beleza da vocação cristã da nossa Serva de Deus, tem um contexto familiar e eclesial. O testemunho de Fé dos membros da sua Família e o relacionamento qualificado com os Pastores da Igreja, são decisivos para gerar sensibilidade cristã e progressiva conversão. Também isto é profético; não podemos promover atividades pastorais para cumprir calendário, nem para simples entretenimento, tem de haver zelo apostólico e desejo que todos se deixem atrair pelo Amor de Jesus.

Toda a Igreja, e particularmente a cidade e Diocese de Santarém, tem em Luiza Andaluz uma intercessão e um grande estímulo de zelo apostólico. Contemplação na ação. A identificação espiritual define-se no interior na busca permanente da vontade de Deus; a motivação e zelo apostólico projeta-se a partir da necessidade exterior. Em Luiza Andaluz, a vocação e missão estão bem identificadas e coincidentes com a vocação e missão da Igreja, concretizada em cada Igreja Diocesana.

Onde está centrado o nosso coração? Qual é a paixão que nos anima? Qual é o Espírito que nos ilumina? Que interpelação sentimos com as preocupações da sociedade do nosso tempo? É bom ter presente que Deus quer a salvação do mundo, mas também é de extrema importância saber o que Deus quer das nossas vidas. Então, como escreveu o Papa Francisco, “Somos frágeis, mas portadores de um tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem. A ousadia e a coragem apostólica são constitutivas da missão” (AE 131). Foi também assim, nessa ousadia e coragem apostólica, que Luiza Andaluz foi discernindo a vontade de Deus; e animada por Nossa Senhora, pelas Aparições neste local e pela Mensagem, dá origem à sua Obra, as Servas de Nossa Senhora de Fátima.

Graças a Deus, a grandeza e a humildade da Serva de Deus, Luiza Andaluz, tem-se refletido na vida e missão das Servas de Nossa Senhora de Fátima e também de muitos cristãos leigos. Ao longo dos anos, quanto bem já aconteceu nas Igrejas diocesanas, em diversos países do mundo, promovido pelas discípulas de Luiza Andaluz, Servas de Nossa Senhora de Fátima? Foi e é sementeira que continuará a produzir frutos. Também isto é motivo de ação de Graças.

Perante a multidão de pessoas que desconhece a verdade e a misericórdia de Deus, e carece de alegria e sentido para a vida, como dar-lhe a conhecer Jesus? O que fazer para que outros se encontrem com Ele? Foi certamente a resposta a estas perguntas que levou São Marcos a calcorrear muitas terras e a escrever o Evangelho. E levou também Luiza Andaluz a corresponder inteiramente ao desígnio de Deus, com o “Doce programa de vida: passar fazendo o bem, à imitação do Mestre Divino, tornando felizes os que nos rodeiam”.

O mundo continua a necessitar de testemunhos de vida virtuosa como a de Luiza Andaluz. Sigamos pelo mesmo Caminho, para Glória de Deus e alegria do seu Povo.

Demos Graças por tão belo testemunho. Bendigamos ao Senhor!

 

+ José Traquina

Bispo de Santarém

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