Homilia da Solenidade da Imaculada Conceição

Homilia da Solenidade da Imaculada Conceição

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Sem comentários em Homilia da Solenidade da Imaculada Conceição

Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria
Catedral de Santarém, 08 de Dezembro de 2017

Irmãos e irmãs em Cristo,

Para nós a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria tem um especial significado por ser a dedicação desta igreja Catedral e Padroeira da Diocese. Todos os portugueses cristãos católicos terão presente neste dia que Nossa Senhora, na sua Imaculada Conceição, é a Padroeira Principal de Portugal.

Em 8 de Dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Um dogma é uma afirmação de Fé feita pelo Papa para corresponder à vontade do Povo de Deus. Efetivamente, muito antes de 1854, os portugueses prestavam especial culto a Nossa Senhora considerando como verdade a sua Imaculada Conceição.

A História de Portugal regista dois momentos críticos, ligados à evocação de Nª Sª da Conceição. A crise da independência de Portugal em 1383-1385 foi superada por D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, São Nuno de Santa Maria, com a vitória alcançada em Aljubarrota, a 15 de Agosto de 1385. O rei D. João I manda construir o Mosteiro da Batalha em honra da Nª Sª da Vitória, mas o Condestável do reino, senhor de grande parte do Alentejo, manda comprar em Londres uma imagem de Nª Sª da Conceição e dá-lhe lugar na igreja do Castelo de Vila Viçosa.

Em 1640 surge nova crise da independência. Foi superada com a proclamação de D. João IV como rei de Portugal. O novo rei considera que a independência se deve à intercessão de Nª Senhora e assumiu coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal (nas cortes de 1646).

Portanto, a nossa Diocese adotou como Padroeira a dedicação mariana de maior força na história da Fé cristã em Portugal: Nª Sª da Conceição.

A Palavra de Deus tem lugar especial sempre que nos reunimos em nome do Senhor.

A 1ª Leitura do Livro do Génesis fala-nos de outra mulher: Eva. É representante da desobediência humana, da soberba, da cedência à serpente que representa as influências culturais contrárias à vontade de Deus. É infiel e torna-se a representante da rejeição de Deus.

Na 2ª leitura São Paulo indica o projeto de Deus a nosso respeito (todos os cristãos): por Jesus Cristo fomos consagrados filhos adotivos de Deus, herdeiros da mesma graça divina. Nossa Senhora a todos nos acompanha.

“Cantai ao Senhor um cântico novo: o Senhor fez maravilhas”, cantávamos no salmo responsorial. Que maravilhas são estas? São as maravilhas realizadas por Deus na Virgem Maria e por ela e através dela em toda a Igreja ao longo do tempo. E porque a Virgem Maria disse SIM, nasce Deus no mundo!

Do Evangelho de São Lucas, escutámos a Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria. O evangelista indica o nome da jovem (Maria), com quem estava desposada (José) e em que terra aconteceu (Nazaré da Galileia). O Anjo indica ainda a referência à casa de Jacob (Israel) e a prometida descendência do rei David. Ou seja, estamos perante um facto histórico; não é um conto imaginário. São Lucas, jovem médico que se converteu a Cristo ressuscitado, empregou todas as suas forças a investigar e a contactar as fontes de informação para nos oferecer tão preciosas indicações que hoje são para nós a Palavra da Salvação.

Como ouvimos, o Anjo da Anunciação começa a saudação: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo”. O anjo confirma uma verdade: a graça de Deus já estava com ela desde o seu primeiro momento de existência no ventre de sua mãe, Santa Ana.

A Virgem Maria foi sempre santa; humilde, mas obediente, fica surpreendida com o anúncio que lhe é feito, interroga como será possível o que ouve do Anjo, mas confia e abandona-se à vontade de Deus. Recebeu na Anunciação do Anjo, a vocação para ser a Mãe do Filho de Deus, mais tarde havia de receber de seu Filho na Cruz do calvário uma segunda consagração: ser Mãe dos discípulos. Assim, os cristãos afirmam a sua Fé em Cristo, mas sempre com a companhia e intercessão da Virgem Mãe, contemplando nela a vocação e o mais perfeito exemplo e modelo do que é ser cristão; a pessoa humana mais excelente de santidade de vida e perfeição moral.

Seguindo exemplo da Virgem Mãe, sempre que dizemos Sim à vontade de Deus, estamos a colaborar com uma possibilidade de bem que nos supera. O Sim dos cristãos é também uma possibilidade para que Deus chegue onde quer chegar.

A saudação do Anjo a Nossa Senhora é de alegria: “Kairé”, “Avé!”, “Alegra-te”. É a mesma alegria a que são chamados os pastores de Belém: “Alegrai-vos pastores…”. É a mesma alegria da Ressurreição do Senhor: “O Senhor ressuscitou. Aleluia!”, “Alegrai-vos sempre no Senhor”, ensina S. Paulo aos filipenses). É a alegria que é fruto do Espírito Santo. É a alegria dos crentes em Cristo. É a alegria da Fé. É a alegria que resulta de um encontro muito especial. É alegria de quem se deu conta que o Céu desceu à Terra, numa iniciativa que é toda de Deus. “Não permitamos que nos roubem esta alegria”, diz-nos o Papa Francisco.

Esta revelação de Amor e Alegria para com a Virgem Maria, atinge-nos. É o despontar do tempo novo em que Deus quer estar perto de todos. O Amor que desce do Céu chama-se Espírito Santo. O Amor que tem resposta da Terra, chama-se Maria. A Virgem Maria é a mais excelente resposta. É com ela que também nós podemos dizer: “Sim”, faça-se a vossa vontade. Quando assim acontece, Cristo torna-se presente em nós e através de nós para outros.

Para todos os cristãos católicos com fé, Nossa Senhora, não é uma figura do passado. Ela faz parte da nossa história pessoal. É a Mãe. É nossa confidente. Conhece os nossos segredos. É uma pessoa do nosso presente histórico, acompanha-nos. Com Nossa Senhora sentimo-nos bem acompanhados.

Portugal tem a marca desta grande experiência de Fé cristã que passa pela devoção profunda e grande confiança na Virgem Mãe. A celebração dos 100 anos das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos em Fátima, recordou-nos o grande sinal e privilégio, para a Igreja e para Portugal.

Certamente que temos em conta o pedido insistente de Nossa Senhora aos Pastorinhos: a conversão de coração à vontade de Deus e a oração pela Paz. Rezar pela nossa renovação espiritual e pela paz, não é uma fuga do mundo é uma graça que nos leva a interessarmo-nos mais pela sociedade, pela paz e pelo bem de todos. Ser cristão à maneira de Nossa Senhora, é assumir a vida como uma missão, manifestando interesse pelo bem de todos, tornando presente no mundo o Amor de Deus que por Cristo é derramado em nossos corações.

Nossa Senhora que hoje veneramos na sua Imaculada Conceição nos acompanha nos propósitos justos e santos que muito agradam a Deus.

Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo.
+ José Traquina, Bispo de Santarém

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