NOTA PASTORAL (Linhas de ação pastoral 2017 2018) Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

NOTA PASTORAL  (Linhas de ação pastoral 2017 2018) Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

NOTA PASTORAL (Linhas de ação pastoral 2017 2018) Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

Sem comentários em NOTA PASTORAL (Linhas de ação pastoral 2017 2018) Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

1.Preocupações da Igreja Universal

Enquanto aguardamos um novo timoneiro para presidir ao povo de Deus desta diocese de Santarém, procuremos manter o andamento da barca do Senhor na rota que a Igreja Universal nos indica. Uma primeira direção é a preparação do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Esta dinâmica orienta-nos a Ir ao encontro dos jovens, a escutá-los e a descobrir a sua situação real como ponto de partida para os acompanhar ao encontro de Cristo.

Outra prioridade é continuar a aplicação da Exortação Apostólica “A Alegria do amor” que nos leva a descobrir a beleza do amor em família e a cuidar mais atentamente dos seguintes aspetos: 1. Melhorar a preparação para o matrimónio de modo que os nubentes compreendam o significado deste sacramento e se disponham a viver esta missão. 2. Avançar com iniciativas de acompanhamento dos casais jovens. 3. Apoiar a família na transmissão da fé, designadamente pela prática das propostas do programa de catequese. 4 Maior integração eclesial dos divorciados a viver em nova união. A Exortação Apostólica abre caminhos novos e temos alguns critérios para dar passos seguros nesta área.

Deste modo, a preocupação pelos jovens não pode deixar para trás o cuidado pela família. Antes, deve prepará-los e motivá-los para assumir com empenho esta vocação.

Temos também a Carta Pastoral da CEP sobre a renovação da catequese, intitulada “A alegria do encontro com Jesus Cristo” que nos pede que, na catequese e na formação cristã, passemos do modelo escolar, que realça o ensino da doutrina e a pedagogia, ao modelo catecumenal que se preocupa, sobretudo com a vivência da amizade com Jesus, fundamentada na experiência do encontro com Ele. Convida-nos, portanto, a conjugar a dimensão didática e pedagógica com a prioridade da espiritualidade.

Nestas preocupações encontramos perspetivas que concretizam a renovação pastoral proposta pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” onde aponta as linhas programáticas do seu ministério (24 de Novembro de 2013). Assim destacamos, na Igreja Universal, as seguintes direções:

 

  1. Estilo sinodal

 

Sínodo significa fazer caminho juntos. Juntos com Cristo e uns com os outros em Igreja. É uma das heranças preciosas do Concílio Vaticano II que o papa Francisco tem realçado. Leva-nos a um estilo de colaboração pastoral que valoriza os carismas de todos os fiéis e movimentos e procura integrá-los na comunhão eclesial, cuidando do trabalho pastoral em rede. Tanto a preparação do Sínodo sobre os jovens como o acompanhamento da família, nos vários níveis atrás indicados, só poderão alcançar eficácia com uma ação bem conjugada e o potenciamento de todas as sinergias, ou seja, com um estilo sinodal. De facto, temos muitos movimentos e serviços dedicados aos jovens e à família mas, por vezes, cada um opera isolado no seu campo.

O estilo sinodal concretiza-se em várias atitudes. Antes de mais, leva-nos a escutar e a aprender com os outros. Habitualmente, na evangelização, preocupamo-nos mais em falar do que em ouvir. O que dizemos, porém, pode não interessar por não corresponder às questões e à situação real. Que lugares e espaços encontramos para ouvir os jovens, como nos pede a preparação do Sínodo? E as famílias? Que iniciativas podemos tomar nesse sentido?

O estilo sinodal pede também um trabalho em equipa em que todos participem tanto na etapa de analisar, como de programar, distribuir e delegar tarefas, respeitando e valorizando o carisma de cada um dos fiéis e movimentos.

A comunhão eclesial, que tem a sua referência na Igreja local, reclama que todas as pessoas e organismos eclesiais se preocupem, antes de mais, com o bem da Igreja e a unidade de missão. Para alcançar este fim é necessário que todos se integrem nas orientações diocesanas, funcionem como membros unidos do mesmo corpo, adotem os mesmos critérios e se orientem pelos mesmos planos. Assim se concretiza uma igreja em caminho sinodal.

Deste modo, a pedagogia sinodal cultiva-se pelo bom funcionamento dos Conselhos Pastorais nos vários níveis da Igreja – paroquiais; vicariais e diocesanos. Conduz, igualmente, ao diálogo e à participação conjugada em todos os organismos e equipas de pastoral (equipa que integram os secretariados diocesanos, designadamente os da família ou da pastoral juvenil e vocacional).

 

  1. Espiritualidade: Alegria do encontro com Jesus Cristo

 

A vida cristã é, fundamentalmente, um encontro com Jesus Cristo que ilumina e enriquece a existência humana com a luz e a esperança. Antes de uma doutrina, de uma ética, da celebração de ritos religiosos ou do cumprimento de determinadas regras, ser cristão é descobrir que Cristo está vivo, acompanha-nos, intervém na vida e na história humanas. É na união com o Senhor Ressuscitado constantemente renovada que encontramos uma fonte perene de alegria e de paz. Como aprofundar o encontro com Cristo e crescer na união e na configuração com Ele?

Precisamos de dar mais atenção à vida espiritual, realçando o silêncio, a contemplação e o diálogo com Deus, cuidando das quatro assiduidades em que assenta a vida cristã (cf At 2,42-47): ensino dos apóstolos ou leitura orante da Sagrada Escritura; celebração da Eucaristia ou fração do pão; vida comunitária; e oração. Nesse sentido, os momentos formativos para as várias idades (catequese de infância, da adolescência e de jovens; preparação de animadores e reuniões variadas) precisam de integrar tempos de leitura meditada e partilhada da bíblia, preces e de se relacionar com a eucaristia e a vida comunitária.

È hoje fundamental promover a espiritualidade na família e na vida dos jovens. Faz falta a oração quotidiana bem como as outras assiduidades atrás referidas. Reza-se pouco ou nada na generalidade das famílias e das idades juvenis. Falta- se à celebração dominical da eucaristia de ânimo leve. Sem a luz da elevação para Deus, não temos o alimento da alma nem a orientação e a força para seguir o caminho da vida. Em ordem à descoberta e aquisição dos ritmos de oração, é necessário propor retiros e outras experiências de espiritualidade para as várias idades e situações, procurando que o ambiente de meditação e de silêncio favoreçam o encontro com Cristo.

Para vencer o intimismo e a subjetividade que, por vezes, empobrecem a vida cristã, precisamos de cultivar a espiritualidade bíblica, litúrgica e mistagógica. Nesse sentido, não nos cansemos de insistir nos exercícios da “lectio divina” e de promover encontros de catequese mistagógica em ordem a compreender e a viver o significado dos símbolos e dos ritos da liturgia (Bento XVI, Sacramentum Caritatis 64).

 

  1. Missão

 

O encontro com Cristo na Palavra de Deus, na celebração da fé e na vida comunitária leva-nos a ser discípulos missionários, ou seja, a seguir o caminho de Jesus e a irradiar a luz da fé, da esperança e do amor. Na medida em que experimentamos a alegria de encontrar Cristo e confiar n’Ele, sentimos também motivação e gosto em transmitir a outros a nossa fé e a nossa esperança. Na verdade, Jesus chama-nos a segui-lo e envia-nos igualmente a anunciá-lo como luz e salvação para todos os homens. O encontro com Jesus faz-nos ir ao encontro dos outros e ser próximos de todos, sobretudo dos que estão nas periferias. Como o bom samaritano do evangelho, a Igreja aproxima-se dos caídos nas bermas da vida, cuida das suas feridas e reergue a sua dignidade. Assim se assemelha a um hospital de campanha onde todos os que sofrem provações podem encontrar refúgio e apoio.

Não podemos, portanto, permanecer numa pastoral de manutenção ou de assistência limitando-nos a atender os que vêm pedir serviços religiosos. O Evangelho manda-nos curar os doentes, libertar os que estão sob a força do mal, ir à procura dos que não receberam ainda a luz da fé, chamar os que se afastaram, avivar a fé dos distraídos ou esquecidos e a contribuir para uma cultura de misericórdia, de convivência fraterna, de justiça e de paz. Assim colaboramos e continuamos a missão de Jesus de construir o reino de Deus O Magistério da Igreja, sobretudo após o Concílio Vaticano II, tem insistido nesta dimensão missionária da pastoral para fazer face ao crescimento da indiferença religiosa e à desumanização da sociedade.

A fé faz-nos sair de nós mesmos, do nosso conforto e a partir para onde o Senhor nos envia. É com esta visão de Igreja missionária que esperamos e preparamos a vinda de um novo sucessor dos Apóstolos que, em nome do Senhor, orientará a missão apostólica na diocese de Santarém.

Uma das formas de missão é o acompanhamento espiritual. Todos precisamos de ser acompanhados e todos podemos também acompanhar outros. Muitas vezes temos insistido que o verdadeiro discípulo de Jesus é missionário, enviado pelo Senhor a transmitir a luz da fé e a acompanhar outros no mesmo caminho. A consciência missionária parece despertar nos fiéis, embora de forma ainda muito tímida. Temos já algumas experiências missionárias que abrem caminho para muitas mais. A missão fortalece a fé dos missionários e rejuvenesce a Igreja. Por isso, é tão importante fazer de cada cristão um discípulo missionário.

 

Santarém 11 de Julho de 2017, festa de São Bento padroeiro da europa,

 

+Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

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