Homilia do sr Bispo na celebração da dedicação da Igreja Catedral com a ordenação de um presbítero e o decreto das nomeações para o ano pastoral 2017-2018

Homilia do sr Bispo na celebração da dedicação da Igreja Catedral com a ordenação de um presbítero e o decreto das nomeações para o ano pastoral 2017-2018

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Ordenação presbiteral do Diácono Ruben Miguel

Saiu o semeador a semear

  1. O Presbítero como semeador

A parábola do semeador, apresentada no evangelho deste domingo, é eloquente para entender a missão de um presbítero. O presbítero é chamado por Cristo e por Ele enviado a lançar no coração das pessoas a boa semente que faz desabrochar a luz da fé, da esperança e do amor. O anúncio do evangelho pode, realmente, transformar os corações, vencer a desertificação espiritual e tornar fecunda a vida humana e a relação social.

Por isso, damos graças a Deus pelo dom do sacerdócio que hoje é conferido ao Ruben Miguel e participamos com alegria na celebração da sua ordenação. Agradeço às comunidades e educadores que o acompanharam na sua formação com particular reconhecimento para os educadores do Seminário dos Olivais. Saúdo igualmente todos os presentes que se associam a esta alegria: Presbíteros; Diáconos Permanentes; Religiosos (as); Seminaristas; candidatos ao Seminário; familiares do Ruben; e todos os fiéis presentes, irmãos e irmãs em Cristo.

A parábola do Semeador propõe-nos duas perspetivas de meditação: Antes de mais como terreno onde é semeada a boa semente, ou seja, como ouvintes que escutam a Palavra de Deus e, na sua luz, examinam os frutos produzidos. Que espécie de terreno somos, que fruto damos? Outra perspetiva é a de semeadores do evangelho. A todos nós é confiada a Palavra da vida para que a semeemos no coração dos outros. Como e onde semeamos? Duas perspetivas complementares: quando acolhemos a boa semente e a fazemos frutificar, então que podemos transmiti-la a outros.

  1. Preparar a terra boa

Meditemos então como ouvintes. Todos queremos, certamente, ser terra boa que dá fruto em abundância. Mas, segundo a parábola, antes de chegar ao terreno produtivo,  muitas sementes se perderam: umas porque caíram à beira do caminho, outras em sítios pedregosos, outras ainda entre os espinhos. Só à quarta tentativa o semeador encontra terra boa. Estas situações repetem-se em todos os tempos e no coração de cada um de nós. Para nos tornarmos a boa terra precisamos de ultrapassar as três primeiras situações que também estão presentes no nosso interior. Tenhamos, portanto, cuidado com a primeira situação, hoje muito frequente, de ser como a terra do caminho onde tudo passa mas nada cria raízes, onde a grande abundância de informação gera dificuldade em escutar com atenção e interesse o que é mais importante, criando, assim, indiferença e relativismo que fecha à novidade do evangelho e aos desafios dos problemas reais. Para vencer a segunda situação, a superficialidade do terreno pedregoso, precisamos de cultivar a vida interior dando espaço ao silêncio, à oração, à meditação e à leitura orante da Sagrada Escritura. Também os espinhos lançam raízes em nós. É a terceira espécie de terreno. Para os combater, não deixemos que a preocupação pelos bens materiais, pelo êxito mundano, ou pelo culto da imagem, sejam impedimento à prioridade do reino de Deus. Que o Espírito Santo nos ajude a ter gosto pela boa semente e a cultivar os frutos que tornem a nossa vida fecunda e enriqueçam a Igreja e o mundo.

  1. A força transformadora da boa semente

A Palavra de Deus participa da força criadora e transformadora do Espírito Santo. Tem poder para tornar fecunda a terra árida e transformar o deserto em jardim. Por isso, o terreno do caminho pode ser revolvido, o pedregoso pode tornar-se produtivo, os espinhos podem ser cortados e deixar crescer as sementes, todos os terrenos podem ser convertidos em terra boa. Não por mérito do semeador mas pela energia espiritual da semente. A força vem da palavra de Deus, o pregador está ao seu serviço. Consideremo-nos servidores, esforcemo-nos para que a Palavra cresça e se multiplique, como refere o livro dos Atos, de modo que aumente o número dos discípulos semeadores do reino de Deus. Todos nós povo santo, chamado das trevas para a luz admirável, somos enviados a anunciar os louvores de Deus.

O semeador do evangelho não pode guiar-se pelos critérios mundanos do sucesso ou da fama. Semear é um trabalho humilde, discreto, não alcança, de imediato, visibilidade nem glória. A semente fica escondida, no silêncio da terra, a germinar. Na altura própria, a seu tempo, a planta desabrocha e o fruto aparece. Não surge sempre nem segundo os nossos planos. No entanto, a missão do semeador é semear sempre e em toda a parte, pregar o evangelho a toda a criatura, dirigir-se às periferias dos caminhos, enfrentar os ídolos do mundo, sem complexos nem medos. Apoia-se na certeza de que o desejo da verdade, da liberdade e da fraternidade mora no coração do ser humano. Por isso, vai confiante, convicto de que “as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos Filhos de Deus” (Rm 8, 19). Sabe que o evangelho é dom do Espírito Criador, é gerador de paz, fraternidade, esperança e alegria. É a Boa Nova do Reino de Deus que está entre nós como fermento de transformação do mundo e como alicerce de uma cultura de misericórdia e de fraternidade humana.

  1. Em comunhão com a Igreja

A parábola do semeador aviva, deste modo, a consciência missionária da Igreja enviada a toda a gente sem restrição de nenhuma espécie de terreno. “Evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade” (EN 14).

É esta preocupação evangelizadora que está na origem da criação da Diocese de Santarém em 16 de Julho de 1975, faz hoje 42 anos. Nasceu no espírito do Concílio Vaticano II e na inspiração do Sínodo de 1974 sobre a evangelização e da subsequente Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” de Paulo VI.  A criação de uma nova diocese, ao aproximar a Igreja da cultura local de um povo, oferece uma possibilidade mais eficaz de chegar aos diferentes terrenos para lançar a boa semente do evangelho. Permite à Igreja ser um hospital de campanha próxima dos feridos que precisam dos cuidados pastorais, segundo uma imagem expressiva do Papa Francisco. Consideremos, portanto, a celebração do aniversário como um convite a reavivar este imperativo da evangelização. Com o exemplo e a proteção da Virgem Nossa Senhora. Ela acolheu a Palavra de Deus, guardou-a no coração e deu fruto em abundância; e é também semeadora da boa semente pois, desde o Pentecostes, participa ativamente na missão de levar ao mundo o evangelho da misericórdia e da paz.

Santarém 16 de Julho de 2017 +Manuel Pelino Domingues

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