Conselho Pastoral Diocesano 17 de Junho de 2017 – Sínodo da juventude

Conselho Pastoral Diocesano 17 de Junho de 2017 – Sínodo da juventude

Conselho Pastoral Diocesano 17 de Junho de 2017 – Sínodo da juventude

Sem comentários em Conselho Pastoral Diocesano 17 de Junho de 2017 – Sínodo da juventude

O sr D. Manuel Pelino saudou todos os presentes e introduziu a temática da reunião, nomeadamente as questões relacionadas com o sínodo da juventude, o qual deve ser interpretado em relação ao sínodo da família e no seguimento da dinâmica do Papa Francisco, expressa na exortação apostólica “ Evangelho da Alegria”.

O documento em análise visa preparar o Sínodo da Juventude e responde ao desejo do Papa Francisco de envolver toda a Igreja na reflexão, valorizando a dimensão sinodal; a igreja tem de sair de si, da sua “auto- referencialidade” e ir ao encontro, compreender e integrar, pelo que o nosso bispo referiu a importância de ouvir os jovens. Não se pretende catalogar, classificar, colocar etiquetas, mas sim colocarmo-nos numa atitude de humildade para escutar, reflectir e depois apresentar caminhos novos.

Após este acolhimento, os vários elementos do Conselho Pastoral apresentaram os seguintes contributos:

 

Como vê a relação dos jovens de hoje com a fé cristã e com a Igreja?

Os jovens hoje continuam atraídos pelo transcendente, por Deus.

Jesus Cristo é, sem dúvida, uma referência, contudo, cada um procura viver a fé de uma forma individualista, aderindo apenas àquilo que lhe interessa. Perdeu-se o hábito de ir à Igreja. A fé é vivida individualmente e não em comunidade.

Muitos jovens moldam “deus” de acordo com as suas necessidades, poucos se comprometem realmente e integralmente com uma vida cristã. Por vezes também se sentem pouco uteis e dispensados.

A relação dos jovens com a Igreja é muito controversa, a Igreja representa quase sempre apenas uma instituição exterior que impõe regras, as quais os jovens geralmente não compreendem. Embora a teoria seja diferente, na prática a igreja continua muito clerical e isso afasta os jovens. A linguagem da Igreja não é dominada pelos jovens; a liturgia e orações utilizam palavras e gestos vazios de sentido.

Um contexto de promiscuidade, em que tudo é permitido, não ajuda a compreender a posição da Igreja sobre vários assuntos, dando a sensação de que os problemas da sociedade ou são tabu ou não são problemas da Igreja. A sexualidade continua ser vista como um tabu talvez por não ser bem explicada e enquadrada. Há pouca visibilidade nos media da abordagem da Igreja/ dos católicos a estas questões.

Os jovens querem entender as razões da Fé e nem sempre a Igreja as explica. Para muitas questões dos jovens surgem respostas que colocam a fé no domínio do sentimento interior e subjetivo e não como uma fé objetiva e fundamentada.

“Como analisa a atitude pastoral da Igreja e relação aos jovens?” e “Porque lhe parece necessário e oportuno ar mais atenção ao processo de discernimento vocacional?”.

Neste contexto, foi referido que, na nossa diocese, já há alguma coisa feita na pastoral juvenil, em conjugação com o Departamento Nacional, a saber: as peregrinações a Fátima (Passo-a-Passo e Rumo à Santidade), Retiros com os Crismandos, visita a paróquias promovendo Dia de Recoleção para Crismandos, o retiro de silêncio para aqueles com “Mais 20” de anos, participação nas últimas Jornadas Mundiais da Juventude, oração ao jeito de Taizé em várias paróquias e idas a Taizé, a iniciativa da Fátima Jovem, a Missão País, e o site “Post-it”, que pretende congregar todas estas iniciativas e disponibilizar semanalmente, e em tempos fortes, materiais de reflexão.

Foi ainda referido que a ida para o ensino superior pode levar à dispersão, daí que fosse essencial fazer um levantamento das possibilidades de apoio que os jovens podem ter nas várias instituições, para não se sentirem perdidos. Neste campo, os movimentos parecem ter mais capacidade, uma vez que não estão confinados a uma diocese. O discernimento vocacional dos jovens, durante muito tempo, foi orientado essencialmente para as vocações sacerdotais e consagradas, precisa agora de ser mais abrangente e permitir que cada um descubra a sua vocação enquanto cristão. Este discernimento deve continuar a ser feito nas famílias.

Embora tenhamos já trabalho feito:

  • Faltam projetos concretos – Atividades motivadoras para o aprofundamento da fé cristã;
  • Faltam movimentos juvenis, Movimentos adequados às necessidades;
  • Deve desenvolver-se um Itinerário forte e provocador.
  • A igreja, mais que formatar os jovens, deve ir ao seu encontro, dar-lhe voz, mostrar a sua misericórdia.
  • Falta de coerência entre a pregação e o comportamento no dia a dia.
  • Padres pouco pastores e muito “gestores”.
  • Falta ponte com associações católicas universitárias (tarefa para a Pastoral Juvenil diocesana);
  • Acertar a maneira de a igreja falar de Cristo, evangelizar jovens com testemunho de outros jovens;
  • A Igreja demonstra uma pastoral juvenil passiva e acomodada, que não vai ao encontro da franja de jovens que estão nas periferias. Temas como a sexualidade, o direito à vida, as relações humanas, fundamentais para os jovens, geralmente não são abordados pela Igreja, a não ser em núcleo fechados.
  • Na comunidade/ paróquia não basta que haja um grupo de jovens, com as suas atividades, é fundamental que cada jovem se sinta incluído no grupo. Hoje há muitos apelos exteriores, é preciso saber cativar e fazer caminhada. A todo o momento estão interligados virtualmente aos colegas… O grupo de jovens pode ser apenas mais um grupo que se frequenta, sem se identificar com ele; os movimentos ligados a congregações parecem funcionar bem neste aspeto;
  • Repensar a relação dos jovens com a paróquia, as dinâmicas semanais que muitas vezes não são a resposta e a forma como os pastores acolhem e integram a relação dos jovens com outras propostas pastorais fora da paróquia.

 

 “Que novidade propõe a “arte do acompanhamento” em relação à prática habitual?” e “Foram dados alguns passos em relação ao acompanhamento da família? Que mais se poderá fazer? Que se pode pedir às equipas da pastoral familiar?”.

 

Sobre estas questões, foi referido que, por vezes, o acompanhamento das famílias não tem a centralidade que deveria ter; que este acompanhamento deverá ser feito por todos e não apenas pelo padre, que toda família deve ser acompanhada desde os mais pequenos aos mais idosos, sendo a eucaristia o culminar dessa vivência. A equipa da pastoral familiar, este ano, começou a olhar para antes do casamento, para o namoro, fez um encontro diocesano com as equipas de CPM e promoveu ainda momentos de convívio para os recém-casados. Os restantes conselheiros congratulam-se com estas iniciativas e esperam que as mesmas tenham continuidade e se difundam mais na nossa diocese.

A pastoral familiar na nossa zona já conheceu melhores dias. Continuam a realizar-se os CPM com a presença de vários casais, que dão o seu testemunho. Houve a tentativa de reunir os que se casaram ao longo do ano, mas não foi possível achar uma data oportuna. As celebrações das bodas de prata, de ouro, ou outras, são agora mais frequentes. Era importante a constituição de uma equipa vicarial em ligação à equipa diocesana, para melhor dinamizar a pastoral familiar na diocese.

 

Deve-se

  • Fomentar o encontro pessoal entre quem acompanha e quem é acompanhado (Ex. um casal acompanhar outro casal convidando-o para sua casa).
  • Maior disponibilidade de Equipas pluridisciplinares para o acompanhamento espiritual, assistência na economia doméstica, educação dos filhos, apoio a famílias em dificuldades.
  • Proporcionar um acompanhamento ao estilo dos discípulos de Emaús: revelar Cristo nos gestos e na diferença e não dando lições.
  • acolher todos os tipos de família em todas as suas fragilidades – implica que seja dada à família uma importância que atualmente não existe.
  • tornar a Paróquia/ Igreja uma família que acolhe e não fecha as portas, mas ajuda e acompanha no caminho.

 

Por fim, o “perfil do acompanhante espiritual” foi abordado, salientando-se que o “sair ao encontro”, “olhar com atenção e solidariedade” e “chamar com amizade para o caminho do evangelho” devem  enformar esse perfil. O acompanhante espiritual deve ser oásis e fonte para quem procura e está num “deserto”. Deve ser capaz de escutar, deve adaptar-se à necessidade de quem acompanha e não pode ter o mesmo discurso para todos. Deve preparar-se para dar as “razões da sua Fé”.

O acompanhante espiritual não tem de ser necessariamente o senhor padre, poderá ser um outro cristão, que dá, em primeiro lugar, testemunho com a própria vida, na comunidade em que está inserido. O acompanhante espiritual acolhe cada um na sua fragilidade e com a sua história de vida. “A Igreja não impõe antes propõe”, dizemos nós muitas vezes – é preciso que isso aconteça. Aqueles que se abeiram da Igreja procuram uma palavra de alento e não uma alfândega que lhe barra a entrada. O acompanhante não só facilita esta entrada, como também entra nesta realidade sempre nova que é a Igreja.

Diác Paulo Campino

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