PÃO VIVO PARA A VIDA DO MUNDO (Corpo de Deus 2017) Homilia D. Manuel Pelino Domingues

PÃO VIVO PARA A VIDA DO MUNDO (Corpo de Deus 2017) Homilia D. Manuel Pelino Domingues

PÃO VIVO PARA A VIDA DO MUNDO (Corpo de Deus 2017) Homilia D. Manuel Pelino Domingues

Sem comentários em PÃO VIVO PARA A VIDA DO MUNDO (Corpo de Deus 2017) Homilia D. Manuel Pelino Domingues

Na celebração da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, reunimo-nos ao redor do Corpo de Deus, como família diocesana, como organismo vivo na riqueza dos seus membros, que são os fiéis, e das suas células que são as paróquias, os movimentos e serviços eclesiais, as associações de fiéis. No sacramento da Eucaristia encontramos a manifestação mais significativa do mistério da Igreja e o segredo da sua união profunda, da sua vitalidade apostólica, da força para testemunhar a alegria do evangelho. Nesta alegria e unanimidade saúdo todos os participantes nesta celebração, irmãos e irmãs: Presbíteros, Diáconos, Religiosos (as), Consagrados (as), Seminaristas, Acólitos, Irmandades e Confrarias, Fieis leigos com especial reconhecimento para os representantes das paróquias que carregam os estandartes. Todos encontramos na eucaristia a fonte e o centro da nossa vida cristã, o encontro com Cristo que constantemente nos renova e fortalece na fé, na esperança e na caridade.

  1. Formamos um só corpo porque participamos do mesmo pão

Porque participamos do mesmo pão, formamos um só corpo, dizia o trecho da Carta aos Coríntios que ouvimos. Viemos à celebração do Corpo de Deus movidos pelo desejo de manifestar o nosso louvor e pela vontade de crescer na comunhão eclesial. A nossa presença nesta celebração é também uma missão – a missão de fortalecer os laços da unidade com o Senhor e entre nós. A diocese cresce como corpo eclesial pela virtude do corpo eucarístico de Cristo. A união de almas e de corações, que o livro do Atos dos Apóstolos tanto realça ao traçar o modelo da Igreja, não é apenas um programa que alcançamos com o nosso esforço e boa vontade. É fruto da presença e da graça do Senhor na Eucaristia e da ação do Espírito Santo que nos transforma em sinal e instrumento da união íntima com Deus e e de unidade de todo o género humano (cf LG 1). A celebração diocesana do Corpo de Deus manifesta, deste modo, a importância da diocese como corpo onde cada uma das células (pessoas, paróquias e movimentos) encontra a eclesialidade e vive a comunhão dos santos.

Sendo muitos formamos um só corpo pois participamos do mesmo pão. A celebração do Corpo de Deus alarga o nosso olhar à diocese na sua totalidade e convida-nos a tomar consciência de que “o todo é superior à parte” (EG 234-237) e que a parte encontra a sua riqueza no todo, um princípio simples e óbvio recomendado na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium mas nem sempre visível nas atitudes práticas. Peçamos ao Senhor que a unanimidade da comunidade nos leve a sacrificar o nosso individualismo; que a santidade da Igreja nos conduza à prática da caridade a começar pela família diocesana; que o testemunho da catolicidade nos incentive ao acolhimento e ao respeito pelas diferenças; que o apreço pela apostolicidade nos anime na comunhão com o sucessor dos apóstolos que preside à diocese. Em suma, que esta celebração diocesana nos leve a colocar o bem da Igreja acima do nosso bem pessoal.

  1. Um povo a caminho

A procissão eucarística é um momento importante da nossa celebração. Convida-nos a descobrir a nossa identidade de “povo a caminho”. Não podemos ser um organismo parado, instalado na situação, apegado ao passado. A nossa condição é missionária, formamos uma Igreja em saída. A primeira leitura do livro do Deuteronómio recordava o caminho do deserto que o povo israelita teve de ultrapassar para alcançar a terra prometida. Deus, para nos fazer sair da escravidão, permite que passemos por desertos, que encontremos obstáculos, que experimentemos o vazio e a incerteza, Assim nos purificamos e aprendemos a confiar n’Ele. Nesses momentos não nos esqueçamos do Senhor: “Não te esqueças do Senhor” recomendava a primeira leitura. Ele caminha connosco, no meio de nós, como nosso guia e apoio. É um caminho sempre novo, estreito mas leva à vida. Não nos deixemos seduzir pelo caminho mundano, largo e agradável, da vaidade e da autorreferencialidade. Invoquemos a força do Espírito Santo e sejamos assíduos ao contato com a Palavra de Deus, à participação na eucaristia, à presença ativa na comunidade. Não contemos só connosco. Não temos forças para vencer todos os obstáculos. Vivemos da fé que nos dá esperança. Nas fontes da água viva recebemos a luz e o alimento para nos mantermos no rumo certo.

  1. Tornar-se pão de Deus para o mundo

Pelo mistério da eucaristia Jesus Cristo transformou-se em pão vivo para a vida do mundo. Ouvimos esta afirmação fortemente realçada no Evangelho que hoje proclamamos: “Eu sou o pão vivo descido do céu”. Jesus transforma o seu corpo, a sua carne e o seu sangue, a sua vida inteira, em pão vivo que dá a vida ao mundo. Só n’Ele podemos encontrar a vida eterna, uma vida plena, fecunda, realizada. Em contraste com os desertos onde se experimenta a fome e o desamparo, na comunhão com Jesus Cristo encontramos a alegria e a esperança.

Ao recebermos a carne e o sangue de Cristo que se transformou em pão para nós convertamo-nos também no que somos, diz santo Agostinho, convertamo-nos em corpo de Cristo, em membros uns dos outros, e sejamos fermento de transformação do mundo. Na continuação da missão de Jesus, sejamos também pão para a vida do mundo. Enfrentemos os desertos da indiferença, do vazio, da tristeza e semeemos as flores da proximidade, da escuta e da solidariedade. Onde houver solidão levemos atenção e cuidado. Onde houver ódio levemos o amor. Onde houver desentendimento levemos compreensão e consenso. Onde houver arrogância levemos humildade e simplicidade. Onde houver vaidade levemos humildade e serviço. A eucaristia desafia-nos não só repartir o nosso pão mas a tornarmo-nos o pão de Deus para o mundo. Que a nossa unanimidade seja uma missão a criar fraternidade entre todos os homens.

Santarém 15 de Junho de 2017

+Manuel Pelino Domingues

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