Educação Moral e Religiosa Católica na Escola, lugar de humanismo. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

Educação Moral e Religiosa Católica na Escola, lugar de humanismo. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

Educação Moral e Religiosa Católica na Escola, lugar de humanismo. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

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Ao chegar a altura das matrículas nas Escolas, venho chamar a atenção para o contributo importante da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) para uma educação de qualidade que se dirige a todas as dimensões da pessoa. É opcional e, portanto, aconselho vivamente a que se inscrevam. Apresento, de forma simples e resumida, as razões deste conselho: três pressupostos (A,B e C); e três dimensões da disciplina (1,2 e 3).

  1. Partimos de um pressuposto óbvio: A educação é uma responsabilidade de todos – pais, educadores, escola, sociedade civil e, dentro desta, a igreja e associações várias. Nenhuma destas instituições só por si dá resposta completa à complexidade atual da educação. Aliás hoje, para além destas comunidades educativas, circulam muitas influências difusas e, por vezes negativas, como as redes sociais, as modas, a publicidade enganosa. Face a estes riscos temos de nos unir todos, dialogar e colaborar de forma conjugada – família, escola e igreja (e no interior da igreja as várias propostas educativas como a catequese, os movimentos juvenis, a educação moral e religiosa escolar e outras). A educação é obra comunitária, não é uma questão privada de nenhuma instituição ou movimento, nem de nenhum governo ou ministério. Entre todas as comunidades educativas deve ser reconhecido protagonismo à família.
  2. Outra verificação simples: educar bem não se resolve apenas nem sobretudo com as novas teorias educativas que estão sempre a aparecer. É pelos frutos que se avalia a qualidade da árvore. É uma questão de sabedoria prática solidificada pelo tempo e pela experiência. Que frutos esperamos de uma educação de qualidade? Os conhecimentos e as boas classificações são, certamente, importantes mas não chegam. São igualmente indispensáveis os hábitos de trabalho, a boa relação, a retidão, a capacidade de colaborar no bem comum, a responsabilidade e o gosto pela vida.
  3. Educar é possível e necessário. Apesar das dificuldades vemos, também, frutos notáveis de experiências educativas em famílias, escolas, grupos e movimentos eclesiais. Acontece na educação o mesmo que num jardim ou num campo para chegar à flor e ao fruto: o agricultor precisa de estar atento às situações climatéricas, às ervas daninhas, ao desenvolvimento desordenado, às pragas de insetos. Quando o jardineiro ou agricultor acompanha atentamente e protege destas ameaças, a árvore ou planta dá bons frutos. Porque a força vital está na sua natureza. Na educação humana acontece o mesmo: Os educandos têm dentro de si o apelo e a capacidade de desenvolvimento, da verdade e da liberdade, da boa relação e da comunidade. Mas são também influenciados pelo egoísmo, pelo narcisismo, pela inveja, pela violência e por outras imperfeições. Não podemos deixá-los à deriva ou à mercê destes e de outros desvios. Educar é ajudar a sair da sua concha, a abrir-se à realidade e aos outros e a fazer caminho para a perfeição.
  4. A EMRC oferece educação moral, ou seja, tem a preocupação de ajudar os alunos a fazer o discernimento entre os valores que dão dignidade e fecundidade à vida e outros, porventura mais agradáveis e vistosos no imediato, mas que a longo prazo a empobrecem. Esta disciplina moral acompanha o aluno na descoberta da orientação no caminho da vida. Nesse sentido, oferece referências e ajuda a definir critérios para construir uma existência plena assente nos valores da verdade, da dignidade, da fraternidade, da participação ativa na construção da justiça e da paz na sociedade. Vivemos numa sociedade líquida onde tudo parece relativo, sem consistência. Por isso, é importante relacionar a fé com a cultura e ajudar a discernir o que é bom, verdadeiro e promessa de um futuro melhor.
  5. A EMRC oferece também educação religiosa. Procura cultivar a dimensão espiritual da existência humana, a vida interior assente na capacidade de escuta, de meditação e de diálogo com Deus, com a consciência e com os outros. Na vida interior descobre-se uma fonte de paz e de luz.

Religião significa ligação (vem de religar). A EMRC tem em vista abrir à relação, levar a sair do egocentrismo e da indiferença para promover a dimensão comunitária, a fraternidade, o cuidado pelo outro. Onde funciona bem, esta disciplina promove a relação comunitária não só no interior do grupo mas no ambiente escolar e social.

  1. A designação católica não se refere apenas a uma instituição (igreja católica) mas ao espírito do catolicismo enviado por Cristo a congregar todos os povos, nações e culturas numa grande e única família. Tem, portanto, o significado abrangente de universal, de atenção e valorização de todas as dimensões pessoais, culturais e sociais. Católica, no caso desta disciplina, concretiza-se no acolhimento, diálogo e colaboração com as diferentes sensibilidades e perspetivas, culturas e religiões, na preocupação de construir a unidade da família humana no respeito pelas diferenças. Dentro da família humana, o católico cuida especialmente dos mais vulneráveis, dos doentes, dos que vivem nas periferias e não têm voz. Assim procura levar esperança e apoio aos necessitados, construir a justiça e a paz e progredir na humanização da pessoa e da sociedade.

Por isso, recomendamos a inscrição na disciplina de EMRC e manifestamos o grande apreço e louvor a todos os educadores que se dedicam, de alma e coração, ao seu reconhecimento e eficácia.

Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

Santarém, 16 de Maio de 2017

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