Mensagem Quaresmal 2017

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Mensagem Quaresmal do Sr. Bispo de Santarém: “Crescer na vida espiritual e no Amor fraterno”.

 

Crescer na vida espiritual e no Amor fraterno

Mensagem Quaresmal 2017

 

Com saudações cordiais a todos os irmãos na mesma fé que formam a Diocese de Santarém venho apresentar a mensagem para a Quaresma de 2017. Realço cinco propostas para viver esta época do ano litúrgico.

  1. Aprofundar a identidade cristã

Num ambiente confuso onde tudo se relativiza e a indiferença religiosa parece crescer, os cristãos necessitam de convicções claras e firmes sobre o que é essencial na sua fé e os torna diferentes dos que não crêem. Porque vale a pena ser cristão? Se a fé é um tesouro precioso qual a riqueza que acrescenta à vida humana? O mais importante da nossa fé é acreditarmos que Cristo ressuscitou e que a Sua ressurreição é uma força que penetrou o mundo e nos faz renascer sempre de novo. É para este centro que a quaresma nos orienta propondo-nos um caminho que conduz à alegria da Páscoa. Acompanhemos, pois, Cristo no caminho da cruz, participemos da sua entrega confiante nas mãos de Deus, enfrentemos as provações e dificuldades da vida para participarmos na vida nova da sua ressurreição. A fé leva-nos a viver com esperança, confiança e misericórdia. Este é o estilo que identifica o cristão e o tesouro que o enriquece.

  1. Trabalhar pelo alimento espiritual

Não vivemos só de pão, não podemos cuidar apenas das realidades materiais, não devemos deixar que o consumismo nos domine. Na vida dispersa, fragmentada e por vezes vazia, precisamos de vida interior que nos oriente e fortaleça. A Palavra de Deus, contida nas Escrituras e na Tradição viva da Igreja, meditada e interiorizada, torna-se um alimento espiritual e uma referência objetiva da fé, não deixando que esta permaneça no sentimento subjetivo e instável. Daí a recomendação, tantas vezes repetida, de cultivarmos e difundirmos a “lectio divina” para que, “através da leitura orante do texto sagrado, a vida espiritual encontre apoio e crescimento” (Papa Francisco MM 7). Para incentivar este exercício vamos divulgar, no início da quaresma, os Actos dos Apóstolos, o segundo livro de São Lucas.

  1. Renovar a mente e o coração

A quaresma propõe-nos a renovação da mente, do coração e da vida através da luz das Escrituras, da força dos sacramentos e do exercício da oração e da caridade. Procuremos fazer diariamente um exame de consciência para discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito. Preparemos assim o sacramento da Reconciliação como momento central na nossa conversão. Participemos nas 24 horas para o Senhor organizadas nas paróquias. No centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, tenhamos os olhos do coração postos na Mãe do Céu que veio recordar-nos o apelo do evangelho à conversão para vencermos o poder do mal.

  1. Acompanhar e apoiar as famílias

O Papa Francisco na Exortação Apostólica sobre “A alegria do amor” oferece-nos uma visão bela e positiva do matrimónio como caminho que progride para a perfeição. Na realidade, porém, nem sempre apresentamos uma imagem apelativa da família que motive os jovens a abraçar o matrimónio. Por vezes, gastamos mais tempo a lamentar a decadência da família do que a realçar a beleza e encanto do casamento (AL 38). Perante esta situação somos desafiados a proclamar o matrimónio cristão como uma boa nova e um caminho de felicidade e apoiar as famílias a viver este ideal, designadamente através da preparação mais cuidada do matrimónio e do acompanhamento dos casais jovens ou famílias com dificuldades. O tempo da quaresma é uma boa oportunidade para fortalecer a base espiritual que pode unir as famílias de forma mais profunda. Como afirma o papa Francisco: “Os momentos de oração em família e as expressões de piedade popular podem ter mais força evangelizadora do que todas as catequeses e todos os discursos” (AL 288)

  1. Cultivar a misericórdia

Aproximar-se de Deus é “fazer crescer uma cultura de misericórdia com base na redescoberta do encontro com os outros, uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos” (Papa Francisco, MM 20).

Na realidade verificamos hoje uma grande indiferença e um forte individualismo perante os problemas dos outros. Evitemos a agressividade nas relações com os outros, sobretudo no seio da família, e na vida social.   Rejeitemos a intolerância, os muros que dividem e a exclusão dos mais vulneráveis. Estejamos vigilantes e solidários com as novas formas de pobreza que impedem as pessoas de viverem com dignidade. Ouçamos o apelo do Papa Francisco, na mensagem da quaresma deste ano, ao comentar a parábola do homem rico e do pobre Lázaro: “o primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor” (nº 1).

Para pôr em prática a misericórdia para com os mais vulneráveis vamos destinar a renúncia quaresmal à população do Sudão do Sul a viver uma situação aflitiva onde falta tudo: casas (tendas), comida, água, medicamentos e outras necessidades urgentes. Temos um canal seguro para chegar à realidade concreta: o Superior Provincial dos missionários combonianos que orienta a missão nesse país. Entreguemos quanto antes a nossa ajuda pois as necessidades são de grande urgência. No ano passado a renúncia rendeu 17.131.50 Euros e foi destinado à Caritas Diocesana.

As propostas da quaresma são muito atuais e muito necessárias pois respondem a carências e a anseios profundos de todas as pessoas. Os exercícios quaresmais educam-nos para o desprendimento de nós mesmos, na liberdade face a vários apegos e dependências, na solidariedade, na fidelidade à missão de semear mais generosamente a paz e alegria. Ajudam-nos a caminhar para a plenitude em Cristo que celebramos na Páscoa. Feliz Páscoa a todos.

 

Santarém, 27 de fevereiro de 2017

+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

 

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