VALE A PENA CASAR PELA IGREJA – Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

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Estão a decorrer nas vigararias encontros de formação dos fiéis sobre algumas novidades da Exortação do Papa Francisco sobre a família “A Alegria do Amor”. É um documento de grande riqueza que realça a beleza e o encanto do matrimónio e oferece propostas muito práticas para desenvolver a união e a felicidade na família.

É muito oportuno e necessário realçar a graça e o ideal atraente do sacramento do matrimónio e apresentar as razões e os motivos para se optar por este caminho, recomenda-nos o Papa na referida Exortação (AL 35. 40). De facto, hoje parece que perdeu o encanto. A cultura de hoje não favorece o matrimónio, antes impele os jovens a não formarem uma família (AL 39.40). Na realidade, há muitos jovens que acham que não vale a pena casar pela Igreja. Pode tornar-se um jugo e limitar a liberdade, dizem. Pode não correr bem. Acontecem tantos divórcios e depois é mais complicado, temem. Neste contexto, quais as motivações para casar pela Igreja?

É importante que os educadores, pais e familiares, catequistas, fiéis em geral, tenham claras estas motivações para acompanharem os jovens na descoberta da importância do matrimónio para a boa convivência do homem e da mulher, dos pais e dos filhos bem como para a construção de uma sociedade harmoniosa e pacífica. Na verdade, como alerta o Papa, caímos muitas vezes no erro de gastar o tempo a lamentar a decadência ou a criticar a superficialidade das gentes novas em vez de indicar caminhos de felicidade (Cf AL 38): Não vale a pena limitarmo-nos a uma denúncia retórica dos males atuais. Mas mostrar as razões para optar pelo matrimónio e pela família. Centremo-nos no Querigma do matrimónio, no que tem de mais belo e mais consistente, pois este anúncio transfigura o ensinamento sobre o matrimónio e a família (AL 58. 59).

Primeiro que tudo devemos ter a convicção e apresentar testemunhos de que o matrimónio é um caminho de felicidade. E os jovens desejam esse caminho. O desejo da família estável e feliz, unida e fecunda permanece vivo no coração dos jovens (AL 1). Anunciemos, portanto, o matrimónio como um caminho de felicidade. Muitos casamentos falham, é verdade. Muitos porém realizam-no e, apesar de algumas imperfeições e dificuldades, vão avançando e irradiam felicidade à sua volta. Então é possível! Realcemos esses testemunhos que são uma outra face do matrimónio, a face verdadeira, bela e motivadora.

Precisamos, igualmente, de valorizar a imagem do matrimónio como um caminho, um processo que pede alguns sacrifícios mas que progride para um final feliz. Não é tanto um estado, uma situação em que nos possamos instalar: “tenho a minha mulher ou o meu marido estou servido”. Não é bem assim. A verdade é que te foi confiado alguém para tornares feliz. Matrimónio é um sacramento para servir que nos entrega uma missão. Não é um espaço ou uma meta alcançada no momento da sua celebração. Não! é um processo a desenvolver, um caminho a fazer, um projeto que vai crescendo em perfeição.

Outro cuidado é falar do matrimónio a partir do amor e da felicidade. Um amor verdeiro é o segredo da família que se considera como uma comunidade de amor e de vida, mais do que um contrato com deveres e direitos. Quem não deseja uma comunidade de amor como base segura para a vida, onde nos possamos sentir acolhidos como somos, compreendidos, apoiados? A melhor base para uma convivência feliz do homem, da mulher e dos filhos é a família estável que garante uma confiança mútua sem reservas. Amar e alcançar felicidade é tornar o outro feliz. Realmente, como disse o Senhor Jesus, há mais alegria em dar do que em receber. Uma família ou uma sociedade em que cada um se fecha no seu bem individual e na sua ilha, sem ver para além de si mesmo, não pode ser feliz.

Para quem acredita no amor de Deus manifestado em Jesus seu Filho que nos acompanha e protege, designadamente através da graça do sacramento do Matrimónio, é também fundamental na vida do casal e da família a bênção do Espírito Santo que fortalece as nossas fragilidades e ajuda a superar as nossas imperfeições. O amor de Deus transfigura o amor humano. Deus é amigo e não nos deixa sós. Se recorrermos a Ele na oração e aprendermos o caminho do amor temos alicerce para constituir um matrimónio feliz. Assim, casar pela Igreja, torna-se um dom e uma missão que ajuda a viver e a transmitir o evangelho da família.

 

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