Dia do Consagrado 2 de Fevereiro 2017.

Dia do Consagrado 2 de Fevereiro 2017.

Dia do Consagrado 2 de Fevereiro 2017.

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  1. Apresentação do Senhor no Templo

Celebramos a festa da apresentação do Senhor no Templo. Quarenta dias após o nascimento de Jesus, Maria e José foram ao Templo apresentar o Filho a Deus para cumprir o que estava estabelecido na lei judaica: a oferta dos primogénitos a Deus. O contexto que explica este rito é o  Memorial de libertação do Egito. O ensinamento é que pertencemos ao Senhor, d’Ele recebemos a vida e os bens, Ele é o nosso Deus e protetor, o defensor da nossa liberdade. Realça, portanto, o Primado de Deus na vida humana: Para Ele vivemos. Por isso devemos procurar Deus como o mais importante da nossa existência. É um dos princípios fundamentais da vida religiosa, realçado por São Bento: “Procurar Deus”. “O Vosso rosto eu procuro Senhor”. “Procurai primeiramente o reino de Deus” recomendava Jesus e com o reino tereis tudo por acréscimo. De facto, o reino é paz, alegria, fraternidade.

Neste contexto bíblico e litúrgico entendemos a festa dos consagrados e o sentido da consagração. Nós consagrados, pertencemos ao Senhor, respondemos apenas perante Ele, somos livres. Os votos feitos pelos consagrados – pobreza, obediência e castidade – são uma fonte de liberdade interior. A vida consagrada é um dom ou carisma que enriquece a Igreja pois é um sinal de que a Igreja defende o lugar prioritário de Deus na vida do crente. No Senhor encontramos a luz e a paz. Por isso, a vida consagrada exprime o contributo dos religiosos para o enriquecimento do sacerdócio batismal e ministerial. É um sinal de que viver segundo a perfeição evangélica, à imagem e ao estilo de Jesus, não é um jugo, mas uma boa nova que liberta e gera a paz. Como lembrou a constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja (LG 43): “A vida consagrada é como uma árvore que cresceu no jardim de Deus e encheu-se de ramos, flores e frutos. Na verdade, desenvolveram-se na Igreja diversas famílias religiosas e todas dão frutos para o crescimento dos seus membros e para o bem de todo o Corpo de Cristo”. Damos, pois, graças a Deus pelo dom dos religiosos e das religiosas presentes na área da nossa diocese de Santarém, tomamos consciência da riqueza que constituem e despertamos para promover nos fiéis a vida consagrada.

  1. Festa do encontro

Além do título “Apresentação de Jesus no Templo”, esta festa conhece muitas outras designações que mostram a riqueza de significado deste acontecimento. Todas elas destacam algum aspeto sua da riqueza variada. Muito antiga é “Festa do encontro”, como descobrimos na leitura do ofício litúrgico (leitura de São Sofrónio) e na admonição da procissão de entrada: “Exteriormente cumpria as prescrições da lei mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel”. Deus vem ao nosso encontro. Vem pobre e humilde como no Natal. Estamos representados por Simeão e Ana. Também estes vinham ao encontro do Senhor. Reconhecem-n’O e encontram a paz: “Agora Senhor podes deixar partir o teu servo em paz”. Procuremos também um encontro mais profundo com o Senhor. Vamos ao encontro de Deus, procuremos a sua luz, estejamos atentos aos seus sinais. O Encontro é a base da vida cristã. A fé em Jesus, antes de ser uma doação a Deus (ou consagração), é um encontro que a motiva. Antes de uma ética ou antes de uma instituição ou tradição, a fé é uma pessoa que vem ao nosso encontro e a quem procuramos e encontramos. Como podemos viver com alegria a nossa fé? De onde vem a alegria do evangelho? Vejamos na Exortação “Evangelii Gaudium” (EG 1.2). De onde vem a tristeza e o legalismo? Vem do consumismo, do individualismo, da ânsia de bens ou honras, da indiferença perante os outros (EG 2). Vamos ao encontro do Senhor, cultivemos e renovemos o encontro para nos tornarmos próximos dos outros. A intensidade da vida espiritual é a base da cultura do encontro que deve identificar a vida dos religiosos (encontro com Deus; em comunidade, com as pessoas em geral)

Outra designação que está na memória da padroeira de muitas paróquias, é a de “Nossa Senhora da Purificação”. Uma espada lhe trespassará o coração, anuncia Simeão. Depois da alegria do nascimento, vem o sofrimento que purifica. Na vida de cada um está presente a Graça e o pecado. Todos precisamos de nos purificarmos. Pelo Sacramento da reconciliação e pela penitência do dia a dia. Todos podemos recomeçar, progredir na luz e vencer as trevas.

Outra designação popular é a festa da “Senhora das Candeias”. Jesus é reconhecido por Simeão como luz para as nações. Por isso, hoje, é também a festa da luz. Aprendamos a procurar em Jesus a luz do sol nascente que nos dá a sabedoria para ver a vida na luz de Deus. Reconheçamos Jesus na sua humildade e humanidade como luz que chega até nós e nos oferece referências e critérios evangélicos para iluminar a estrada da vida.

+Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

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