Peregrinação Diocesana a Fátima 2014

Peregrinação Diocesana a Fátima 2014

Peregrinação Diocesana a Fátima 2014

Sem comentários em Peregrinação Diocesana a Fátima 2014

Realizou-se no Passado dia 11 de Maio mais uma Peregrinação Diocesana a Fátima.

Em seguida, transcreve-se a Homilia da Eucaristia e a Saudação a Nossa Senhora pelo Sr. Bispo da Diocese de Santarém, Manuel Pelino Domingues.

Saudação à Virgem

Virgem Santa Maria, aqui na Capelinha das Aparições, nos apresentamos, a vossos pés, como a família diocesana de Santarém, nas suas paróquias, organismos e movimentos. Viemos manifestar a nossa alegria e gratidão de vos ter como padroeira e exemplo ao invocar-vos como Imaculada Conceição. Reunidos no vosso santuário queremos fortalecer a nossa comunhão eclesial, fundamentar a confiança na vossa intercessão e aprender convosco a cuidar da fé e a cuidar uns dos outros.

Vós sois feliz ó Virgem Mãe e bem-aventurada porque acreditastes. Escutastes com o coração a palavra de Deus, e saístes do vosso conforto para servir o desígnio do Altíssimo de colaborar na salvação dos homens. Ensinai-nos a alimentar a nossa fé na escuta mais abundante da palavra de Deus, na obediência mais fiel aos Seus apelos, na oração mais assídua, na participação mais frutuosa nos sacramentos da salvação. Ensinai-nos que, no ambiente de agnosticismo, e relativismo em que vivemos,  precisamos de fortalecer a fé e vivê-la com alegria, com esclarecimento, com fidelidade, para que seja luz no nosso caminho e irradie à nossa volta pelo testemunho.

Neste domingo do Bom Pastor e de oração pelas vocações sacerdotais apresentamos-vos também esta preocupação. O povo de Deus da nossa diocese precisa de pastores que, como fiéis administradores, colaborem com o Vosso Filho em comunicar os seus dons de salvação a todos os que deles carecem, e sejam sinais e instrumentos da sua proximidade, misericórdia e serviço.

Convosco queremos envolvermo-nos no amor de Deus pelo mundo. Viver a fé no amor que leva ao serviço de todo o homem na sua dignidade, na fraternidade, na justiça e na paz. E a todos levar o anúncio da alegria da ressurreição tão necessário para despertar a esperança nestes tempos de desânimo e, assim, colaborar na construção de um mundo novo onde todos sintam o gosto de viver.

+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém


Homilia: O Senhor é Meu Pastor, Nada me Falta

Neste quarto domingo da Páscoa celebramos a presença do Senhor Ressuscitado no meio de nós como o Bom Pastor que nos conduz nos caminhos da vida. “O Senhor é Meu pastor, nada me Falta”, cantámos no salmo 22 (3), uma oração tão simples e de tão grande riqueza que nos leva a interiorizar o cuidado pessoal que Deus dedica a cada um nós. Vivamos com esta convicção de que o Senhor nos acompanha e ampara e encontraremos a paz e a confiança na vida. Não andamos sós, perdidos, esmagados. O Senhor vela por nós e dá-nos a mão.

Viemos celebrar o domingo do Bom pastor no Santuário de Fátima onde Nossa Senhora veio manifestar o seu cuidado materno com que acompanha os irmãos e discípulos de Seu Filho. A mensagem que comunicou aos pastorinhos é para todos nós, é a recomendação que vivamos unidos ao seu Filho, deixemos que Ele nos acompanhe e guie para seguirmos os caminhos rectos que levam à vida nova da alegria pascal e à paz.

O Bom Pastor, afirma Jesus, conhece as suas ovelhas, como o Pai O conhece a Ele e Ele conhece o Pai (Jo 10, 15), ou seja, conhece o coração humano, compreende as nossas necessidades e fragilidades profundas, partilha a nossa condição terrena e eleva-nos à dignidade de Filhos de Deus e de criaturas do Espírito Santo. Por isso é que pode conduzir-nos pelo caminho que leva à plenitude da vida. Como cantamos e rezamos no salmo: “Leva-nos a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma”…Prepara para nós a mesa. “com óleo me perfumais a cabeça” ou seja, unge-nos com o Espírito Santo que é como um perfume que dá beleza e encanto à vida do crente e irradia pelo testemunho. E conclui este belo salmo: “A bondade e a graça hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida”. Orientados pelo Bom Pastor a vida humana encontra graça, alegria, bondade

A mensagem deste domingo destaca uma outra dimensão que precisamos de também de ter presente, meditar e viver. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas. Foi o próprio Jesus quem o afirmou. Essa é a prova suprema da bondade e do amor. Se dá a vida por nós tudo nos dará. Por isso concluímos que nada nos falta. A morte de Cristo na Cruz, porém, na altura imediata, no primeiro momento foi vista como um escândalo que pôs à prova a adesão dos discípulos. Muitos abandonaram a comunidade e dispersaram-se. Como tinha sido possível, perguntavam os dois de Emaús, que Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo tenha sido entregue pelos chefes judaicos para ser condenado à morte e crucificado?

O sofrimento e a cruz ainda hoje põem à prova a nossa fé e confiança. Como ultrapassaram os discípulos, e como podemos nós ultrapassar o escândalo da cruz? À medida que que se fortalece a fé na Ressurreição, podemos entender a paixão e morte de Jesus na cruz como a manifestação mais alta do seu amor. Assim ouvimos na carta do apóstolo Pedro: “Pelas suas chagas fomos curados. Vós éreis como ovelhas desgarradas mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas”. “Foi crucificado por todos e por causa de todos para que tendo morrido um por todos, todo vivamos n’Ele” (S. Cirilo). Aclamemos portanto o Senhor: “Ressuscitou Cristo o Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas. Entregou-se à morte pelo seu rebanho”. É este anúncio que faz São Pedro logo no dia do Pentecostes, no primeiro sermão ao povo, que ouvimos na primeira leitura: “Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes”. Com estas palavras Pedro leva-nos a tomar consciência do pecado como causa da crucifixão de Jesus. Não para ameaçar ou condenar mas que acreditemos que Ele é o Messias, e pelo arrependimento e baptismo, possamos receber o Espírito Santo e viver como novas criaturas.

O Bom Pastor caminha connosco também nos vales tenebrosos do sofrimento e dá-nos exemplo e força para levarmos a nossa cruz: “Cristo sofreu também por vós deixando-nos o exemplo para que sigais os seus passos. Ele suportou os nossos pecados no seu corpo, sobre o madeiro da cruz, a fim de que mortos para o pecado vivamos para a justiça”. O anúncio da bondade de Cristo é também apelo à nossa conversão em ordem a tornarmo-nos discípulos que O escutam, O seguem no mesmo caminho e procuram a união e configuração cada vez mais profunda com Ele.

O evangelho apresenta outra imagem complementar à do Bom Pastor: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem”. Precisamos de encontrar a porta certa que nos conduz à luz e comunhão com Deus, à fraternidade, à vida plena: “Eu vim para que as minhas ovelhas tenham a vida e tenham em abundância”.  Cristo é verdadeiramente a “Porta” que nos faz passar da escuridão à alegria, do viver para si mesmo ao viver para Deus e para os outros, da prova da cruz ao júbilo pascal.

Precisamos de quem cuide de nós de quem nos acompanhe em muitas tribulações e perigos, para vencer as trevas, o medo, a solidão. Precisamos de quem saiba o nosso nome, nos compreenda e ame como somos, nos procure quando nos perdemos, nos ajude a progredir quando nos cansamos no caminho do bem e da rectidão. Muitas pessoas de todas as idades vivem muito entregues a si mesmas, esquecidas, perdidas, sem rumo, sem uma porta aberta para a esperança e o amor – crianças, jovens, adultos, e idosos. Cristo cuida de nós e convida-nos a cuidarmos uns dos outros: “A sair de nós mesmos, a procurar os afastados, e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos” (EG 25).

Por isso a Igreja precisa de quem se consagre totalmente ao cuidado dos fiéis e seja, nas comunidades cristãs, sinal e instrumento de Cristo Bom Pastor. Nessa preocupação celebra, no domingo do Bom Pastor, o “Dia Mundial de Oração pelas vocações”. Na mensagem que nos enviou para este dia o Papa Francisco, além de nos recomendar oração, lembra-nos também que a vocação é um fruto que amadurece no contexto de uma autêntica vida eclesial, ou seja no terreno de comunidades cristãs vivas, participativas, onde se cultive o amor uns aos outros e o serviço recíproco, onde os fiéis se esforcem por seguir Cristo, o Bom Pastor, nos caminhos da santidade.

Nossa Senhora participa da solicitude do bom pastor e acompanha-nos com o seu amor materno. Ensina-nos a cuidar da fé para que seja porta da intimidade com Deus e da fraternidade e paz com os homens. Cuidar da fé é cuidar do homem, é envolver-se é envolver-se no amor de Deus pelo mundo para que todos possam encontrar, em Cristo, a porta e o caminho da vida plena. Amen

+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

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